Temperatura varia quase 20ºC em um dia na região de Campinas e especialista diz como se proteger
A temperatura na região de Campinas oscilou de 4°C a 24°C em menos de 24 horas, uma variação de 20°C. O fenômeno, registrado entre os dias 12 e 13 de junho de 2026, foi causado pela passagem de uma frente fria seguida de uma massa de ar quente. Especialistas ouvidos pelo g1 explicam os riscos para a saúde e como minimizar os impactos.
A variação térmica de 20°C em Campinas ocorre quando uma massa de ar polar avança sobre o Sudeste, derrubando as temperaturas, e é rapidamente substituída por ar quente e seco. Segundo o Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, o fenômeno é comum em junho, mas a amplitude térmica deste ano foi atípica. "A combinação de céu claro, ar seco e vento fraco favorece a perda rápida de calor durante a noite e o aquecimento intenso durante o dia", explica a meteorologista Ana Paula Paes, do Cepagri.
Como a variação de 20°C afeta o corpo
O corpo humano leva de 24 a 48 horas para se adaptar a mudanças de temperatura acima de 10°C. Com uma oscilação de 20°C em horas, o sistema imunológico fica sobrecarregado. "O choque térmico provoca vasoconstrição e vasodilatação repentinas, o que pode desencadear crises de asma, rinite e até arritmias cardíacas em pessoas predispostas", alerta a médica pneumologista Cláudia Almeida, da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).
Dicas práticas para lidar com a mudança brusca
- Vista-se em camadas: use uma regata ou camiseta de algodão por baixo, um casaco intermediário (como fleece) e um corta-vento ou jaqueta impermeável por cima. Isso permite ajustar a roupa ao longo do dia.
- Hidrate-se constantemente: o ar seco acelera a perda de água. Beba pelo menos 2 litros de água por dia, mesmo sem sede.
- Evite exposição nos horários de pico: entre 11h e 15h, a temperatura pode ultrapassar 30°C. Prefira atividades ao ar livre no início da manhã ou no fim da tarde.
- Umidifique o ambiente: use umidificadores ou coloque bacias com água nos cômodos. A umidade relativa do ar abaixo de 30% aumenta o risco de problemas respiratórios.
- Cuide da alimentação: alimentos ricos em vitamina C (laranja, acerola, kiwi) e zinco (castanhas, carne magra) ajudam a fortalecer a imunidade.
O que dizem os dados oficiais
Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) para Campinas em junho de 2026 mostram que a temperatura mínima registrada foi de 4°C às 6h do dia 12, e a máxima chegou a 24°C às 15h do mesmo dia. A umidade relativa do ar variou de 85% durante a madrugada para 28% à tarde. A média histórica para junho em Campinas é de 12°C a 22°C, segundo o Cepagri.
Quem está mais vulnerável
Crianças menores de 5 anos, idosos acima de 60 e pessoas com doenças crônicas (cardíacas, respiratórias, diabetes) são os grupos de maior risco. "Nessas populações, a variação brusca de temperatura pode desencadear internações por pneumonia ou descompensação de doenças crônicas", afirma Cláudia Almeida. A recomendação é manter a vacinação em dia (influenza, pneumonia) e evitar mudanças bruscas de ambiente, por exemplo, não sair de um local com ar-condicionado diretamente para o sol forte.
O papel do clima seco
O ar seco agrava os efeitos da variação térmica. Quando a umidade cai abaixo de 30%, as mucosas do nariz e da garganta ressecam, facilitando a entrada de vírus e bactérias. Em Campinas, a umidade relativa chegou a 28% na tarde do dia 12. "É o cenário perfeito para a propagação de doenças respiratórias", diz a pneumologista.
Perguntas Frequentes
Por que a temperatura variou tanto em Campinas?
A variação foi causada pela passagem de uma frente fria seguida de uma massa de ar quente e seco. O fenômeno é mais comum em junho, mas a amplitude térmica de 20°C é considerada atípica.
Quais os riscos para a saúde?
O choque térmico pode provocar crises de asma, rinite, arritmias cardíacas e aumento de internações por pneumonia, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Como se proteger da mudança brusca de temperatura?
Use roupas em camadas, hidrate-se, evite exposição ao sol nos horários de pico, umidifique o ambiente e fortaleça a imunidade com alimentação rica em vitamina C e zinco.
A variação de temperatura é comum em outras regiões?
Sim, regiões de transição climática, como o interior paulista e o Sul do Brasil, registram amplitudes térmicas elevadas, mas raramente acima de 15°C.
O que fazer se sentir sintomas respiratórios?
Procure atendimento médico se houver falta de ar, chiado no peito ou febre. Evite automedicação e mantenha a vacinação em dia.
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