# 52% preferem Brasil mais próximo da China do que dos EUA, aponta PoderData

> Pesquisa PoderData de 2025 aponta que 52% dos eleitores brasileiros preferem o Brasil mais próximo da China nas relações comerciais, contra 35% que optam pelos Estados Unidos. O resultado inverte a tendência de 2025, quando 59% preferiam os norte-americanos. A mudança reflete o impacto das tarifas comerciais impostas pelo governo Trump.

*Bombou na Web · Curiosidades · 24 de julho de 2026 · Otávio Bensaúde*

Pesquisa PoderData revela que 52% dos eleitores brasileiros preferem que o Brasil estreite relações comerciais com a China, contra 35% que defendem aproximação com os EUA. O resultado inverte a tendência de 2025, quando 59% preferiam os norte-americanos. A mudança reflete o impac

A preferência dos brasileiros por parceiros comerciais mudou de lado. Pesquisa PoderData, realizada de 18 a 20 de julho de 2026, mostra que 52% dos eleitores defendem que o Brasil estreite mais as relações comerciais com a China do que com os Estados Unidos. Apenas 35% preferem maior aproximação com os norte-americanos.

O resultado é o inverso do registrado no mesmo período de 2025. À época, 59% diziam ser "melhor o Brasil manter relações comerciais com os EUA", enquanto 32% manifestavam preferência pela China. A pergunta foi direta: "Você acha que é melhor o Brasil ter mais relações comerciais com a China ou com os Estados Unidos?"

A pesquisa foi realizada pelo PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, com recursos próprios. Foram 2.500 entrevistas em 147 municípios nas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, e o intervalo de confiança é de 95%. Não se trata de uma pesquisa de sondagem de intenção de votos e, por essa razão, não há necessidade de registro na Justiça Eleitoral.

## O que explica a inversão na preferência?

A deterioração da imagem dos Estados Unidos entre os eleitores brasileiros já havia sido sinalizada na pesquisa PoderData/Aya realizada de 12 a 15 de julho. Na ocasião, 42% dos entrevistados afirmaram que um possível apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, a algum candidato a presidente do Brasil teria impacto negativo na campanha do candidato escolhido.

A relação entre Brasil e EUA vive um período de instabilidade desde o início do 2º mandato de Trump (Partido Republicano). O cenário reflete as diferenças político-ideológicas entre os governos dos 2 países.

Os tarifaços de Trump foram o gatilho. Em julho de 2025, ele determinou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA, justificada pelo tratamento dado pelo Supremo Tribunal Federal ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no processo em que ele respondeu por tentativa de golpe de Estado. Posteriormente, parte da taxação foi revertida.

As tensões voltaram a aumentar em 1º de junho. O governo dos EUA anunciou uma proposta para impor tarifa de 25% sobre ampla lista de produtos importados do Brasil, alegando práticas desleais. O tarifaço foi confirmado em 15 de julho. Na 5ª feira (23.jul), o representante comercial dos EUA, Jamison Greer, anunciou outra sobretaxa de 12,5% aos produtos brasileiros, alegando existência de trabalho escravo na produção.

## Como o tarifaço acelerou a aproximação com a China

Como resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou críticas ao governo norte-americano e reforçou o discurso em defesa da soberania brasileira.

Ao mesmo tempo, o tarifaço acelerou a aproximação comercial entre Brasil e China. Em 2025, o avanço das exportações brasileiras para o mercado chinês neutralizou a retração provocada pelas tarifas dos EUA. De agosto a novembro, o valor embarcado para a China cresceu 28,6% em relação ao mesmo período de 2024. Já as exportações destinadas aos EUA caíram 25,1%. A expectativa é que o movimento se repita com a nova onda de tarifas.

Em contraste com o distanciamento em relação a Trump, Lula mantém aquecidas as relações diplomáticas com a China. O petista foi ao país asiático duas vezes desde que tomou posse, em janeiro de 2023. O presidente chinês também já foi recebido pelo brasileiro no Palácio do Alvorada.

## O que os números revelam por perfil de eleitor

O PoderData detalhou as respostas por recortes demográficos, como sexo, idade, região, escolaridade e renda. Os dados mostram que a preferência pela China é majoritária em praticamente todos os grupos, com variações dentro da margem de erro.

A pesquisa foi realizada por telefone (linhas fixas e celulares) por meio do sistema URA (Unidade de Resposta Audível), em que o entrevistado ouve perguntas gravadas e responde pelo teclado do aparelho. Para chegar a 2.500 entrevistas proporcionais, o PoderData faz dezenas de milhares de telefonemas, muitas vezes, mais de 100 mil ligações.

## O que esperar da política externa nos próximos meses

Na 5ª feira (23.jul.2026), o videocast do Poder360 sobre pesquisas eleitorais conversou com o ex-embaixador do Brasil nos EUA Rubens Barbosa. Ele falou sobre os impactos do tarifaço na avaliação de Lula e como a política externa influencia a eleição.

A tendência é que a preferência pela China se consolide enquanto as tarifas dos EUA permanecerem. O Poder360 oferece aos assinantes do Drive o Agregador de Pesquisas, que reúne milhares de levantamentos de intenção de voto desde o ano 2000.

## Perguntas Frequentes

### Quantos eleitores preferem o Brasil mais próximo da China?

52% dos eleitores brasileiros preferem que o Brasil estreite mais as relações comerciais com a China do que com os Estados Unidos, segundo pesquisa PoderData de julho de 2026.

### Qual foi o resultado da pesquisa em 2025?

Em julho de 2025, 59% dos eleitores preferiam manter relações comerciais com os EUA, contra 32% que preferiam a China.

### O que motivou a mudança de percepção?

Os tarifaços impostos por Donald Trump sobre produtos brasileiros, iniciados em julho de 2025 e intensificados em 2026, deterioraram a imagem dos EUA e aceleraram a aproximação comercial com a China.

### A pesquisa tem registro na Justiça Eleitoral?

Não. A pesquisa não é de sondagem de intenção de votos e, por essa razão, não há necessidade de registro na Justiça Eleitoral.

### Qual a margem de erro da pesquisa?

A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.

### Quantas entrevistas foram realizadas?

Foram 2.500 entrevistas em 147 municípios nas 27 unidades da Federação.

PoderData mostra impacto de tarifaços na avaliação de Lula Como tarifas dos EUA afetam exportações brasileiras

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Fonte (canonical): https://www.bombounaweb.com.br/curiosidades/52-preferem-brasil-mais-proximo-china-nao-eua/
