# 95% dos postos de combustíveis do RJ estão irregulares; governo vê avanço do crime organizado no setor

> A Secretaria da Fazenda do Rio de Janeiro constatou que 95% dos postos de combustíveis fluminenses operam com irregularidades fiscais. O governo estadual identifica sinais de infiltração do crime organizado no setor, elevando riscos de adulteração de combustíveis e sonegação fiscal.

*Bombou na Web · Curiosidades · 17 de julho de 2026 · Priscila Andrade*

Dados da Secretaria da Fazenda do RJ indicam que 95% dos postos de combustíveis fluminenses operam com irregularidades fiscais. O governo estadual vê sinais claros de infiltração do crime organizado no setor, o que pode elevar riscos de adulteração e sonegação. Entenda o cenário 

Um levantamento da Secretaria da Fazenda do Rio de Janeiro expõe um cenário alarmante: 95% dos postos de combustíveis do estado operam com irregularidades junto ao fisco. O governo estadual aponta que o crime organizado avançou sobre o setor, usando os postos como fachada para lavagem de dinheiro e adulteração de combustível. Os dados, coletados entre janeiro e maio de 2025, indicam que a sonegação fiscal no segmento ultrapassa R$ 1,2 bilhão por ano.

Segundo a Secretaria da Fazenda do RJ, 95% dos postos de combustíveis do estado apresentam irregularidades fiscais. O governo vê avanço do crime organizado no setor, com indícios de adulteração de combustível e sonegação estruturada. A fiscalização foi intensificada, e o consumidor deve redobrar a atenção ao abastecer.

## Por que 95% dos postos do RJ estão na mira da Fazenda

O número impressiona, mas tem explicação. A Secretaria da Fazenda do Rio de Janeiro (Sefaz-RJ) realizou uma varredura em mais de 4.200 estabelecimentos. Desses, apenas 210 estavam com a situação fiscal regularizada. O restante, 3.990 postos, apresentou desde atraso no pagamento de tributos até notas fiscais falsas e omissão de vendas.

A irregularidade mais comum é a sonegação do ICMS, imposto estadual que incide sobre a venda de combustíveis. Estima-se que o setor deixe de recolher cerca de R$ 100 milhões por mês aos cofres públicos. Esse dinheiro, segundo o governo, alimenta esquemas paralelos.

### Como a fiscalização detectou as irregularidades

A Sefaz-RJ usou cruzamento de dados fiscais, notas fiscais eletrônicas e sistemas de monitoramento de bombas. A operação, batizada de "Combustível Legal", encontrou diferenças gritantes entre o volume de combustível comprado e o vendido. Em alguns casos, o posto registrava venda de 10 mil litros de gasolina, mas só havia comprado 3 mil litros no período.

## O avanço do crime organizado no setor de combustíveis

O governo do RJ não esconde a preocupação. Em nota, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que facções criminosas estão usando postos de combustíveis para lavar dinheiro do tráfico de drogas e de armas. O esquema funciona assim: o posto vende combustível adulterado com margem maior, declara menos vendas e embute o dinheiro ilícito no caixa.

Um caso emblemático ocorreu em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Em abril de 2025, a polícia fechou um posto que funcionava como ponto de distribuição de combustível roubado. O dono tinha ligações com o Comando Vermelho. A investigação revelou que o posto vendia gasolina a R$ 4,50 o litro, preço muito abaixo do mercado, mas o combustível era misturado com solventes e água.

### Riscos para o motorista: adulteração e segurança

Abastecer em um posto irregular não é só problema fiscal. A ANP (Agência Nacional do Petróleo) alerta que combustível adulterado danifica bicos injetores, bombas de combustível e motores. Em 2024, a agência realizou 1.200 testes no RJ e encontrou 18% de amostras fora da especificação.

Os sinais de adulteração incluem:

- Queda de rendimento: o carro anda menos por litro.
- Marcha lenta irregular: motor falha ou desliga sozinho.
- Cheiro forte de solvente: gasolina adulterada tem odor químico mais intenso.
- Preço muito abaixo da média: se a gasolina está R$ 0,50 mais barata que nos postos vizinhos, desconfie.

## O que o governo está fazendo para conter o avanço

A Sefaz-RJ intensificou as operações de fiscalização. Em maio de 2025, foram lacrados 47 postos em todo o estado. A multa para quem opera irregularmente pode chegar a R$ 500 mil, além da cassação da inscrição estadual.

Paralelamente, a Secretaria de Segurança Pública criou uma força-tarefa com a Polícia Civil e o Ministério Público para investigar a ligação entre postos e facções criminosas. O governo também estuda exigir um cadastro biométrico dos proprietários de postos, para dificultar o uso de "laranjas".

### Como o consumidor pode se proteger

Para não cair em armadilhas, o motorista pode adotar algumas medidas simples:

- Exija a nota fiscal: postos regulares emitem cupom fiscal. Se o estabelecimento se recusar, denuncie.
- Desconfie de preços muito baixos: a margem de lucro no setor é apertada. Um desconto de 10% ou mais é sinal de alerta.
- Verifique o lacre da bomba: a ANP exige lacre de segurança. Se estiver violado, o posto pode estar adulterando a medição.
- Consulte o Selo de Qualidade: postos certificados pela ANP exibem um selo na bomba.
- Denuncie: a Sefaz-RJ tem canal de denúncia anônimo pelo telefone 0800-021-1111.

## Impactos econômicos da sonegação nos postos

A sonegação fiscal no setor de combustíveis do RJ não afeta só o governo. Ela distorce a concorrência. Postos regulares, que pagam todos os impostos, não conseguem competir com os irregulares, que vendem mais barato porque não recolhem ICMS. Estima-se que a perda de arrecadação com ICMS no RJ supere R$ 1,2 bilhão por ano.

Isso significa menos dinheiro para saúde, educação e segurança. O governo calcula que, se todos os postos regularizassem a situação, o estado teria R$ 100 milhões extras por mês para investir.

### O papel da ANP na fiscalização da qualidade

A ANP é a agência responsável por fiscalizar a qualidade do combustível vendido no Brasil. No RJ, a agência realiza testes periódicos em amostras coletadas nos postos. Em 2024, foram coletadas 2.500 amostras, das quais 450 (18%) estavam fora dos padrões legais.

Os principais problemas encontrados foram:

- Gasolina com excesso de etanol: o limite legal é 27%, mas algumas amostras chegaram a 35%.
- Diesel com adição de óleo vegetal: para baratear o custo, alguns postos misturam óleo de cozinha usado.
- Etanol hidratado com água: acima do limite de 7,5% permitido.

## Perguntas Frequentes

### O que acontece se eu abastecer em um posto irregular?

Além de correr o risco de danificar o motor, você pode estar financiando o crime organizado. Postos irregulares muitas vezes têm ligação com facções criminosas, e o dinheiro do combustível pode abastecer o tráfico de drogas.

### Como saber se um posto é regular?

Você pode consultar o site da Sefaz-RJ, que mantém uma lista de postos com inscrição estadual ativa. Outra opção é verificar se o posto emite nota fiscal e se o lacre da bomba está intacto.

### O que fazer se eu suspeitar de adulteração?

Denuncie à ANP pelo telefone 0800-970-0267 ou ao Procon do seu município. Guarde a nota fiscal e, se possível, colete uma amostra do combustível em um recipiente limpo.

### Postos de bandeira branca são mais arriscados?

Nem sempre. Postos de bandeira branca (sem bandeira) podem ser regulares, mas a falta de uma rede por trás exige mais cuidado do consumidor. Verifique a procedência do combustível e exija nota fiscal.

### A gasolina aditivada é mais segura?

Não necessariamente. A adulteração pode ocorrer em qualquer tipo de combustível. O importante é a procedência e a regularidade fiscal do posto.

Como identificar combustível adulterado no dia a dia Direitos do consumidor em postos de combustíveis Operação Combustível Legal: balanço e próximos passos

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Fonte (canonical): https://www.bombounaweb.com.br/curiosidades/95-postos-combustiveis-rj-estao-irregulares-junto-fazenda-governo-ve-avanco-crim/
