O vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou, nesta quarta-feira (12), um pacote de medidas para apoiar os setores produtivos brasileiros afetados pelas novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. O anúncio ocorre após o governo americano elevar as alíquotas sobre importações de aço, alumínio e carne, principais itens da pauta exportadora brasileira. As medidas incluem linhas de crédito especiais do BNDES e desoneração tributária para exportadores.
As tarifas americanas, anunciadas em maio, elevaram a alíquota sobre o aço brasileiro de 25% para 35%. O alumínio passou de 10% para 20% no mesmo período. A carne bovina, que tinha cota livre, passou a pagar 15% de imposto de importação. O governo brasileiro estima que as exportações desses setores podem cair até R$ 12 bilhões em 2026.
Quem pode ser beneficiado
Setor siderúrgico
O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para os EUA, atrás apenas do Canadá. Em 2025, as exportações brasileiras de aço para o mercado americano somaram US$ 3,2 bilhões. Com a nova tarifa de 35%, a competitividade do produto brasileiro caiu drasticamente.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as linhas de crédito do BNDES terão juros de 8% ao ano e prazo de carência de 12 meses. O valor total disponível é de R$ 5 bilhões, com prioridade para empresas que comprovarem perda de receita superior a 20%.
Setor de alumínio
As exportações de alumínio para os EUA caíram 15% nos primeiros cinco meses de 2026, segundo dados da Associação Brasileira do Alumínio (Abal). A nova alíquota de 20% inviabiliza contratos de longo prazo. O governo oferecerá redução de 50% no IPI para empresas do setor que mantiverem empregos.
Setor de carnes
A carne bovina brasileira perdeu a cota de 100 mil toneladas livres de imposto que vigorava desde 2015. Agora, todo o volume paga 15% de tarifa. O Ministério da Agricultura estima que o prejuízo aos frigoríficos chegue a R$ 4 bilhões em 2026.
Linhas de crédito e desoneração
O pacote de Alckmin prevê três frentes principais:
- Crédito especial: R$ 5 bilhões do BNDES para capital de giro e investimento, com juros de 8% ao ano e carência de 12 meses.
- Desoneração tributária: redução de 50% no IPI para empresas que mantiverem empregos por 12 meses.
- Linha de exportação: R$ 2 bilhões do Banco do Brasil para financiamento de exportações, com taxa de 7,5% ao ano.
O contexto das tarifas dos EUA
As novas tarifas foram anunciadas pelo governo americano em 15 de maio de 2026, como parte de uma revisão da política comercial. O Brasil foi incluído na lista de países que teriam alíquotas elevadas, junto com México e União Europeia.
Segundo o Itamaraty, o governo brasileiro já iniciou negociações para reverter as tarifas, mas não há prazo para conclusão. Enquanto isso, o pacote de apoio busca evitar demissões em massa e falências nos setores mais afetados.
Como solicitar o apoio
As empresas interessadas devem acessar o site do BNDES e preencher um formulário com comprovação de perda de receita. O prazo para solicitação vai até 31 de dezembro de 2026. O governo promete análise em até 30 dias úteis.
Perguntas Frequentes
Quais setores são afetados pelas tarifas dos EUA?
Os principais setores são siderurgia, alumínio e carnes. O aço brasileiro passou a pagar 35% de tarifa, o alumínio 20% e a carne bovina 15%.
Quanto o governo destinou para o apoio?
O pacote total é de R$ 7 bilhões, sendo R$ 5 bilhões do BNDES e R$ 2 bilhões do Banco do Brasil.
Como as empresas podem acessar o crédito?
As empresas devem acessar o site do BNDES, comprovar perda de receita superior a 20% e preencher o formulário de solicitação.
Há prazo para solicitar o apoio?
Sim, o prazo vai até 31 de dezembro de 2026. A análise leva até 30 dias úteis.
O governo negocia reverter as tarifas?
Sim, o Itamaraty está em negociação com o governo americano, mas não há prazo para conclusão.