Aos 78 anos, artesã mantém viva tradição da renda labirinto em AL
Maria Cícero Rosendo da Rocha, conhecida como Dona Moça, dedica há sete décadas a vida à renda labirinto em Marechal Deodoro, na Região Metropolitana de Maceió. Aos 78 anos, ela mantém viva a técnica que aprendeu com a mãe ainda na infância e criou uma associação com outras 19 mulheres para garantir que o ofício seja preservado. O trabalho desenvolvido por Dona Moça lhe rendeu, em 2021, o título de Mestra do Artesanato e Patrimônio Vivo de Alagoas.
A renda labirinto, também conhecida como bordado labirinto ou crivo, é uma técnica tradicional do artesanato brasileiro feita a partir do desfiamento de tecidos finos, como o linho. As labirinteiras retiram parte dos fios do tecido para formar tramas vazadas e, depois, usam agulha e linha para preencher esses espaços com desenhos intrincados.
A história de Dona Moça com a renda labirinto
Talvez você se reconheça aqui: aquela lembrança de infância que vira ofício, que vira vida. Com Dona Moça foi assim. Aos 78 anos, ela conta que aprendeu a técnica com a mãe, ainda menina, em Marechal Deodoro. Sete décadas depois, o bordado labirinto ainda ocupa suas mãos e seu coração.
O que começou como um aprendizado caseiro se transformou em missão. Dona Moça não apenas domina a técnica, ela a ensina, a difunde, a protege. Em 2021, o reconhecimento veio com o título de Mestra do Artesanato e Patrimônio Vivo de Alagoas, uma honraria que celebra quem mantém vivas as tradições do estado.
O que é a renda labirinto?
A renda labirinto, também chamada de bordado labirinto ou crivo, é uma técnica de artesanato que exige paciência e precisão. O processo começa com o desfiamento de tecidos finos, como o linho. As artesãs, conhecidas como labirinteiras, retiram parte dos fios do tecido para criar tramas vazadas. Depois, com agulha e linha, preenchem esses espaços com desenhos que lembram os caminhos de um labirinto.
Diferente de outras rendas, como a de bilro ou a renascença, o crivo trabalha com a estrutura do próprio tecido. É um bordado que parece suspenso, como se as linhas dançassem sobre o vazio. Cada peça leva horas, às vezes dias, para ficar pronta.
Preservação e futuro da técnica
Dona Moça não trabalha sozinha. Ela criou uma associação com outras 19 mulheres em Marechal Deodoro. Juntas, elas produzem peças, ensinam novas artesãs e mantêm a tradição viva. A associação é um ponto de encontro entre gerações: as mais velhas passam o saber para as mais novas, que trazem novas ideias.
A preservação da renda labirinto enfrenta desafios. O ofício exige tempo, concentração e materiais específicos. O linho, por exemplo, não é barato, e o mercado para peças artesanais nem sempre valoriza o trabalho manual como merece. Mas Dona Moça e suas companheiras seguem firmes. Cada toalha, cada jogo americano, cada caminho de mesa bordado é uma declaração de que a técnica não vai morrer.
O título de Patrimônio Vivo de Alagoas
Em 2021, Dona Moça recebeu o título de Mestra do Artesanato e Patrimônio Vivo de Alagoas. A honraria é concedida pelo governo do estado a artesãos, mestres e detentores de saberes tradicionais que contribuem para a cultura alagoana. Ser reconhecida como Patrimônio Vivo significa que seu trabalho é considerado parte do patrimônio imaterial do estado.
Para Dona Moça, o título é mais que um certificado na parede. É a prova de que a renda labirinto importa, de que o que ela faz há sete décadas tem valor. É também uma responsabilidade: a de continuar ensinando, bordando, inspirando.
Como a renda labirinto é feita
Se você nunca viu uma peça de renda labirinto de perto, vale a pena parar pra pensar no processo. A labirinteira começa com um pedaço de linho ou outro tecido fino. Com cuidado, ela retira fios do tecido em áreas específicas, criando uma rede de espaços vazios. Depois, com agulha e linha, ela preenche esses espaços com pontos que formam desenhos geométricos, florais ou abstratos.
O resultado é um bordado que parece flutuar. Os fios que restam do tecido original viram a moldura para os novos desenhos. É um trabalho que exige vista boa, mão firme e muita paciência. Não à toa, Dona Moça começou a aprender ainda criança, leva tempo para dominar cada ponto.
A relevância cultural da renda labirinto
A renda labirinto é uma das muitas técnicas de bordado que compõem o rico artesanato brasileiro. Em Alagoas, ela tem um lugar especial. Marechal Deodoro, cidade histórica onde Dona Moça vive, é um dos polos de produção. A técnica chegou à região através das famílias, passada de mãe para filha, de avó para neta.
Preservar a renda labirinto é preservar um pedaço da história de Alagoas. Cada peça carrega consigo o saber de gerações de mulheres que transformaram linho em arte. Dona Moça, com suas mãos de 78 anos, é a guardiã dessa memória.
Perguntas Frequentes
O que é renda labirinto?
Renda labirinto, também chamada de bordado labirinto ou crivo, é uma técnica artesanal que envolve desfiar tecidos finos como o linho para criar tramas vazadas, preenchidas com agulha e linha formando desenhos.
Quem é Dona Moça?
Maria Cícero Rosendo da Rocha, conhecida como Dona Moça, é uma artesã de 78 anos de Marechal Deodoro, AL, que se dedica há sete décadas à renda labirinto. Em 2021, recebeu o título de Mestra do Artesanato e Patrimônio Vivo de Alagoas.
Onde Dona Moça vive e trabalha?
Ela vive e trabalha em Marechal Deodoro, na Região Metropolitana de Maceió, Alagoas. Lá, criou uma associação com outras 19 mulheres para preservar a técnica.
Como a renda labirinto é preservada?
Através da associação criada por Dona Moça, que reúne 20 mulheres (incluindo ela) que produzem peças e ensinam a técnica para novas gerações.
Qual a diferença entre renda labirinto e outras rendas?
Diferente de rendas como a de bilro, a renda labirinto trabalha com o desfiamento do próprio tecido, criando tramas vazadas que são preenchidas com bordado, resultando em um desenho que parece suspenso.
Como aprender a fazer renda labirinto?
A técnica é passada de geração em geração. Em Marechal Deodoro, a associação de Dona Moça oferece espaço para aprendizado. O ideal é buscar artesãs locais ou grupos de artesanato tradicional.
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