Era uma tarde de maio quando Rafael percebeu que Mel, sua cadela de oito anos, estava diferente. O pelo caindo, as unhas crescendo demais, o focinho ressecado. O diagnóstico veio rápido: leishmaniose visceral canina, doença transmitida pelo mosquito-palha. Em poucas semanas, Mel se foi. Mas a história não terminou ali.
Após perder cadela para leishmaniose, morador cria projeto de conscientização: 'Retribuir o amor que ela deu para a gente', essa é a missão de Rafael, que transformou o luto em ação comunitária.
Segundo o Ministério da Saúde, a leishmaniose visceral é endêmica em mais de 1.900 municípios brasileiros, com cerca de 3.500 casos humanos notificados por ano nos últimos cinco anos. Em cães, a doença é considerada incurável pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária, e a eutanásia ainda é recomendada em muitos casos como medida de saúde pública.
O projeto que nasceu da perda
Rafael começou distribuindo panfletos no bairro onde mora, em Belo Horizonte. Em duas semanas, já havia conversado com mais de 200 tutores. O projeto, batizado de "Mel: Amor que Fica", inclui palestras em escolas públicas e orientação em clínicas veterinárias parceiras.
"A Mel me ensinou o que é amor incondicional. Perder ela doeu, mas não quero que outros passem por isso sem informação", conta Rafael. Ele mesmo admite que nunca tinha ouvido falar da doença antes do diagnóstico.
A leishmaniose canina é causada pelo protozoário Leishmania infantum, transmitido pela picada do mosquito-palha (Lutzomyia longipalpis). A doença não é contagiosa entre cães nem diretamente de cão para humano, mas o mosquito pode picar um cão infectado e depois transmitir o parasita a pessoas.
Sinais que todo tutor deve conhecer
Os sintomas iniciais são parecidos com os de Mel: perda de peso, feridas na pele que não cicatrizam, crescimento anormal das unhas, descamação no focinho e nas orelhas. Em estágios avançados, podem ocorrer hemorragias e insuficiência renal.
O diagnóstico é feito por exame de sangue, como o teste rápido DPP (imunocromatografia) e a reação em cadeia da polimerase (PCR), ambos disponíveis no SUS para cães em áreas endêmicas.
Prevenção: o foco do projeto de conscientização
A melhor forma de proteger os animais é evitar o contato com o mosquito. O projeto de Rafael ensina três medidas principais:
- Coleiras repelentes à base de deltametrina ou flumetrina, com eficácia comprovada de até 90% segundo estudos do Ministério da Saúde.
- Vacinação contra leishmaniose canina, disponível em clínicas particulares com duas doses iniciais e reforço anual. A vacina não substitui a coleira, mas reduz a carga parasitária.
- Controle ambiental: telas em janelas, uso de inseticidas em abrigos de animais e eliminação de matéria orgânica onde o mosquito se reproduz.
O tratamento da leishmaniose canina é controverso. Desde 2016, o Ministério da Saúde permite o uso de medicamentos como miltefosina e alopurinol, mas o protocolo exige acompanhamento veterinário rigoroso e não erradica o parasita, apenas controla os sintomas.
O impacto na comunidade
Em três meses, o projeto já alcançou mais de 500 tutores em Belo Horizonte e região metropolitana. Rafael planeja expandir para outras cidades com alta incidência da doença, como Montes Claros e Governador Valadares.
"Cada pessoa que chega falando 'obrigado, não sabia disso' é um pouco de Mel voltando", diz ele. O projeto também arrecada doações de coleiras repelentes para famílias de baixa renda.
leishmaniose canina: sintomas, tratamento e prevenção
Perguntas Frequentes
O que é leishmaniose visceral canina?
É uma doença parasitária grave transmitida pela picada do mosquito-palha infectado com o protozoário Leishmania infantum.
A leishmaniose canina tem cura?
Não há cura definitiva. O tratamento controla os sintomas, mas o animal pode continuar como reservatório do parasita.
Como prevenir a leishmaniose em cães?
Com coleiras repelentes, vacinação e controle do ambiente para evitar o mosquito-palha.
Leishmaniose em cães passa para humanos?
Não diretamente. A transmissão ocorre apenas pela picada do mosquito infectado.
O que fazer se suspeitar que meu cachorro tem leishmaniose?
Leve ao veterinário imediatamente para exames de sangue. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor o controle dos sintomas.
Projeto Mel: Amor que Fica aceita doações?
Sim, o projeto aceita doações de coleiras repelentes e recursos para impressão de materiais educativos. Informações nas redes sociais com o mesmo nome.
E você, já parou para pensar no que faria se recebesse um diagnóstico desses? Talvez a história de Rafael e Mel seja um lembrete de que informação pode ser a diferença entre a perda e a prevenção.