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Voepass diz que atuava com padrões internacionais após relatório do Cenipa

ResumoA Voepass afirmou que operava com padrões internacionais de segurança após o relatório do Cenipa sobre o acidente em Vinhedo. O documento aponta que a tripulação ignorou oito alertas de formação de gelo na aeronave, resultando na morte de 62 pessoas. A empresa defendeu a conduta dos tripulantes.

A Voepass afirmou que sempre esteve pautada em padrões de segurança internacionais, após o relatório final do Cenipa sobre o acidente em Vinhedo que matou 62 pessoas. A empresa defende a tripulação, mas o documento aponta 8 alertas de gelo ignorados.

Priscila Andrade
Voepass diz que atuava com padrões internacionais após relatório do Cenipa

Voepass diz que atuava com padrões internacionais após relatório do Cenipa — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Após relatório, Voepass diz que atuava com padrões internacionais

A Voepass afirmou, nesta quinta-feira (23.jul.2026), que "sempre esteve pautada em padrões de segurança internacionais". A nota foi divulgada depois da apresentação do relatório final do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) sobre o acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024. A empresa reconhece que a queda do avião foi "o episódio mais difícil" de sua história, mas defende que a tripulação do voo era experiente, capacitada e devidamente certificada. O relatório foi apresentado, em Brasília, pelo tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, depois de ter sido divulgado aos familiares das vítimas.

Tripulação experiente, mas alertas ignorados

Segundo a Voepass, a tripulação acumulava mais de 5.000 horas de voo e tinha treinamentos técnicos e acompanhamentos de saúde "rigorosamente atualizados, sem qualquer registro prévio ou fator que impedisse sua atuação". A empresa destacou que opera há mais de 30 anos na aviação brasileira e detém a certificação IOSA desde 2012, descrita como "um requisito de excelência operacional emitido apenas para empresas auditadas" pela Iata (Associação Internacional de Transportes Aéreos). Trata-se de um sistema internacional que avalia os sistemas de gestão e controle operacional de uma companhia aérea.

"Desde o início das apurações, a Voepass atua de forma transparente junto ao Cenipa e às autoridades públicas e segue à disposição de todas as instituições e agentes envolvidos para colaborar com o que for necessário", diz a nota.

O que o relatório do Cenipa revelou

A nota contrasta com o trecho do relatório que cita 8 avisos à tripulação sobre acúmulo de gelo nas asas, motivo que levou à queda do avião. Em uma das ocorrências, o piloto reconheceu ter esquecido de ativar o sistema de degelo e informou ao copiloto que o teria acionado. O sistema, no entanto, permaneceu desligado.

A caixa-preta registrou que, durante os alertas, o piloto e o copiloto conversavam sobre assuntos pessoais. O Cenipa sinaliza ainda que o piloto enfrentava problemas pessoais que afetaram negativamente seu desempenho. Sob estresse, os investigadores concluíram que a tripulação entrou em estado de "surdez e cegueira por desatenção" e não reagiu de forma adequada à gravidade da situação.

Itens em pane antes da decolagem

Segundo o Cenipa, a aeronave partiu de Cascavel com 10 itens em pane registrados na MEL (Lista Mínima de Equipamentos, sigla em inglês), mecanismo que autoriza operações temporárias com equipamentos inoperantes, desde que cumpridas restrições técnicas e de prazo. Um desses itens era o limpador do para-brisa, e a própria MEL proibia a decolagem quando houvesse previsão de chuva numa janela de uma hora antes até uma hora depois do horário de partida, além de restrições equivalentes para o destino e o aeroporto alternativo.

A documentação meteorológica entregue aos pilotos antes do voo indicava possibilidade de formação de gelo severo entre os níveis de voo 120 e 210. O avião era certificado para operar em condições de gelo com os sistemas de proteção ativos, mas não estava autorizado a permanecer em condições de gelo severo.

O fim da investigação técnica

O relatório encerra a investigação técnica da Força Aérea Brasileira sobre o acidente, que figura entre os maiores desastres aéreos do país desde a queda do avião da TAM, em 2007. As apurações do Cenipa têm caráter preventivo; o órgão identifica fatores contribuintes e emite recomendações de segurança, sem atribuir responsabilidade criminal, tarefa reservada às autoridades policiais e judiciais.

O que esperar daqui para frente

Para quem acompanha o setor aéreo, o caso expõe uma tensão recorrente: de um lado, a defesa institucional das companhias por seus processos; de outro, evidências técnicas que apontam falhas humanas e operacionais. A certificação IOSA, que a Voepass detém desde 2012, é um selo de qualidade, mas não impede que erros ocorram na cabine. O relatório do Cenipa, embora não aponte culpados, serve de alerta para revisões de protocolos em condições de gelo severo.

Perguntas Frequentes

O que é a certificação IOSA?

É um sistema internacional que avalia os sistemas de gestão e controle operacional de uma companhia aérea, emitido pela Iata apenas para empresas auditadas.

Quantos alertas de gelo foram ignorados?

O relatório do Cenipa cita 8 avisos à tripulação sobre acúmulo de gelo nas asas.

O piloto esqueceu de ativar o sistema de degelo?

Sim. Em uma das ocorrências, o piloto reconheceu ter esquecido de ativar o sistema e informou ao copiloto que o teria acionado, mas ele permaneceu desligado.

O relatório do Cenipa atribui responsabilidade criminal?

Não. As apurações têm caráter preventivo; o órgão identifica fatores contribuintes e emite recomendações de segurança, sem atribuir responsabilidade criminal.

Quantas horas de voo a tripulação tinha?

Segundo a Voepass, a tripulação acumulava mais de 5.000 horas de voo.

Priscila Andrade

Editoria Curiosidades

Priscila Andrade cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.

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