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Assaí diz que abrirá 25 farmácias no Estado de São Paulo: o que muda?

ResumoO Assaí Atacadista anunciou a abertura de 25 farmácias no Estado de São Paulo. A iniciativa expande o modelo de negócio da rede, aproveitando o fluxo de clientes e a capilaridade das lojas. A operação enfrenta desafios regulatórios específicos do setor farmacêutico e pode impactar a concorrência no varejo de medicamentos.

O Assaí Atacadista anunciou a abertura de 25 farmácias no Estado de São Paulo, ampliando seu modelo de negócio. A iniciativa busca aproveitar o tráfego de clientes e a capilaridade das lojas. Entenda como a rede planeja a operação, os desafios regulatórios e o impacto no setor fa

Larissa Quintela
Assaí diz que abrirá 25 farmácias no Estado de São Paulo: o que muda?

Assaí diz que abrirá 25 farmácias no Estado de São Paulo: o que muda? — Foto: Reprodução / Bombou na Web

O Assaí Atacadista, uma das maiores redes de atacarejo do Brasil, anunciou que abrirá 25 farmácias no Estado de São Paulo. A informação foi confirmada pela empresa em comunicado ao mercado, sem revelar o cronograma exato ou o investimento total. A iniciativa marca a entrada do grupo no varejo farmacêutico, segmento que movimenta bilhões no estado.

O Assaí diz que abrirá 25 farmácias no Estado de São Paulo, com operação própria dentro de lojas selecionadas. A proposta é oferecer medicamentos, itens de higiene e beleza com a mesma estratégia de preços baixos que caracteriza o atacarejo. As unidades ocuparão áreas já existentes ou adaptadas nos hipermercados, sem a necessidade de novas construções.

Por que o Assaí quer vender remédios?

A decisão do Assaí de entrar no mercado farmacêutico responde a duas tendências: a busca por maior margem e a conveniência do cliente. As farmácias operam com margens superiores às do atacarejo tradicional, que gira em torno de 2% a 4% sobre o faturamento. Além disso, o consumidor que já frequenta a loja para compras de alimentos pode resolver também a demanda por medicamentos, aumentando o ticket médio.

Segundo o IBGE, o setor farmacêutico respondeu por cerca de 2,5% do consumo das famílias brasileiras em 2024. Em São Paulo, estado com maior concentração de drogarias do país, mais de 12 mil estabelecimentos registrados pela Anvisa, a concorrência é acirrada, mas o potencial de crescimento ainda existe.

O modelo escolhido pelo Assaí não é inédito. O Carrefour já opera farmácias em algumas unidades no Brasil, e o Walmart (hoje Grupo Big) testou o formato em lojas selecionadas. A diferença está na escala: com 25 unidades só em São Paulo, o Assaí sinaliza aposta mais agressiva.

Como será a operação das farmácias do Assaí?

As farmácias do Assaí funcionarão dentro das lojas, com entrada independente ou integrada ao salão de vendas. A rede planeja oferecer medicamentos de referência e genéricos, além de produtos de higiene pessoal, perfumaria e itens de cuidados com a saúde. A equipe será própria, com farmacêuticos contratados, seguindo as exigências do Conselho Federal de Farmácia.

A empresa não detalhou se haverá parceria com distribuidoras ou se a operação será 100% verticalizada. Especialistas do setor apontam que a logística de medicamentos é mais complexa que a de alimentos, com exigências de armazenamento, transporte e rastreabilidade definidas pela Anvisa. O Assaí terá que adaptar seus centros de distribuição ou firmar acordos com operadores logísticos especializados.

O que muda para o consumidor?

Para o cliente, a vantagem imediata é a conveniência. Quem já faz compras no Assaí poderá adquirir medicamentos no mesmo local, sem deslocamento extra. A promessa de preços baixos também deve pressionar o mercado paulista, onde redes como Droga Raia, Drogasil e Pague Menos dominam. Uma pesquisa da consultoria Kantar mostra que 62% dos consumidores brasileiros consideram o preço o principal fator na escolha de uma farmácia.

No entanto, há limitações. O Assaí não poderá vender medicamentos controlados (tarja preta) sem estrutura específica, e a dispensação de antibióticos exige receita médica retida. A rede terá que investir em sistemas de gestão de receituário e na capacitação dos farmacêuticos para evitar multas da Vigilância Sanitária.

Desafios regulatórios e concorrência

A abertura de 25 farmácias no Estado de São Paulo depende de licenças da Anvisa e da Vigilância Sanitária estadual. Cada unidade precisa de Autorização de Funcionamento (AFE) e Licença de Operação, além de cumprir requisitos de área mínima, condições de armazenamento e presença de farmacêutico durante todo o horário de funcionamento.

O prazo médio para obtenção dessas licenças em São Paulo é de 60 a 120 dias, segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácias (Abrafarma). O Assaí não informou se já protocolou os pedidos, o que torna o cronograma incerto.

A concorrência reagiu. A Raia Drogasil, maior rede do país com mais de 3.000 lojas, anunciou em fevereiro de 2026 investimento de R$ 1,2 bilhão em expansão no estado raia drogasil investimento 2026. A Pague Menos também acelerou a abertura de unidades em São Paulo. A entrada do Assaí pode forçar uma guerra de preços, especialmente em medicamentos genéricos, onde a margem é menor.

O que esperar do modelo de negócio?

O Assaí aposta na combinação de alto tráfego e baixo custo operacional. As lojas da rede recebem, em média, 15 mil clientes por dia. Se cada farmácia converter apenas 5% desse fluxo, o faturamento mensal estimado por unidade fica entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, segundo projeções de analistas do setor.

A pergunta certa é outra: será que o Assaí conseguirá manter a eficiência logística sem comprometer a rentabilidade? A experiência internacional mostra que supermercados que entraram em farmácias, como o Walmart nos EUA, tiveram sucesso, mas enfrentaram desafios com ruptura de estoque e compliance regulatório. No Brasil, o Assaí terá que navegar por um ambiente tributário complexo, com ICMS variando por produto e por estado.

Perguntas Frequentes

Quando o Assaí vai abrir as primeiras farmácias?

O Assaí não divulgou data exata. A estimativa do mercado é que as primeiras unidades comecem a operar no segundo semestre de 2026, após obtenção das licenças necessárias.

Quantas farmácias o Assaí pretende abrir no total?

Até o momento, o plano é abrir 25 farmácias, todas no Estado de São Paulo. Não há previsão de expansão para outros estados.

As farmácias do Assaí venderão medicamentos controlados?

Sim, desde que a unidade tenha estrutura adequada e farmacêutico responsável. A venda seguirá as regras da Anvisa para medicamentos de tarja preta e antibióticos.

O Assaí vai competir com as farmácias tradicionais?

Diretamente, sim. A rede deve competir em preço, especialmente em genéricos e itens de higiene. A vantagem será a conveniência para quem já frequenta as lojas.

Haverá farmácias em todas as lojas do Assaí em São Paulo?

Não. Apenas 25 unidades serão contempladas, de um total de aproximadamente 80 lojas da rede no estado. A seleção considerará fatores como espaço disponível e perfil de consumo local.

Larissa Quintela

Editoria Curiosidades

Larissa Quintela cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.