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Ave ameaçada de extinção faz ninho em pilar da Terceira Ponte: queda de filhotes no mar mobiliza força-tarefa no ES

ResumoO trinta-réis-real, ave ameaçada de extinção, construiu ninho em pilar da Terceira Ponte, no Espírito Santo. A queda de filhotes no mar mobilizou força-tarefa do IEMA e ONGs para resgate e monitoramento da espécie. A situação exige intervenção para proteger os animais e evitar novos acidentes.

Um casal de trinta-réis-real, espécie ameaçada de extinção, construiu ninho em um pilar da Terceira Ponte, no Espírito Santo. A queda de filhotes no mar mobilizou uma força-tarefa do IEMA e de ONGs para resgate e monitoramento. Entenda o caso e o contexto da espécie.

Larissa Quintela
Ave ameaçada de extinção faz ninho em pilar da Terceira Ponte: queda de filhotes no mar mobiliza força-tarefa no ES

Ave ameaçada de extinção faz ninho em pilar da Terceira Ponte: queda de filhotes no mar mobiliza força-tarefa no ES — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Ave ameaçada de extinção faz ninho em pilar da Terceira Ponte e queda de filhotes no mar mobiliza força-tarefa no ES

A pergunta que fica é: por que uma ave ameaçada de extinção escolheria um pilar de concreto sobre o mar para fazer seu ninho? A resposta está na escassez de áreas seguras para reprodução no litoral capixaba. Um casal de trinta-réis-real (Thalasseus maximus) construiu ninho em um pilar da Terceira Ponte, na Grande Vitória (ES). A espécie, que consta na lista oficial de espécies ameaçadas do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA), surpreendeu biólogos e mobilizou uma força-tarefa depois que filhotes começaram a cair no mar.

Um casal de trinta-réis-real (Thalasseus maximus), ave ameaçada de extinção, fez ninho em um pilar da Terceira Ponte, na Grande Vitória (ES). A espécie, que consta na lista oficial do IEMA de espécies ameaçadas, escolheu o local para se reproduzir. Porém, os filhotes caíram no mar devido à estrutura íngreme, mobilizando uma força-tarefa do IEMA, do Projeto Aves Vitória e do CTA para resgate e monitoramento.

A espécie: trinta-réis-real e seu status de ameaça

O trinta-réis-real (Thalasseus maximus) é uma ave marinha migratória que ocorre em todo o litoral brasileiro. Segundo a Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção, publicada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), a espécie é classificada como "em perigo" (EN). No Espírito Santo, o IEMA incluiu o trinta-réis-real na lista estadual de espécies ameaçadas, devido à perda de habitat e à pressão humana nas praias de reprodução.

A espécie mede entre 45 e 50 centímetros de comprimento, com envergadura de asas que pode chegar a 1 metro. Alimenta-se de peixes pequenos, mergulhando para capturá-los. A reprodução ocorre em colônias, geralmente em ilhas arenosas ou costeiras, mas a urbanização e o turismo têm empurrado as aves para estruturas artificiais.

Por que o ninho foi construído em um pilar da Terceira Ponte?

A Terceira Ponte, oficialmente chamada Ponte Deputado Darcy Castello de Mendonça, liga Vitória a Vila Velha. Com 3,3 quilômetros de extensão, ela cruza a baía de Vitória. Os pilares de concreto oferecem uma superfície plana e elevada, longe de predadores terrestres e do trânsito de pessoas nas praias. O ninho foi localizado em um pilar central, a cerca de 15 metros de altura.

Biólogos do Projeto Aves Vitória, vinculado à Secretaria Municipal de Meio Ambiente, explicam que a espécie busca locais seguros para reprodução, mas a estrutura da ponte é inadequada: a superfície inclinada e a proximidade com o mar tornam os filhotes vulneráveis a quedas. "O trinta-réis-real está se adaptando a ambientes urbanos, mas isso traz riscos", afirmou o biólogo responsável pelo monitoramento.

A queda dos filhotes e a força-tarefa de resgate

No início de maio de 2026, moradores e pescadores da região relataram a queda de filhotes de trinta-réis-real no mar, próximo aos pilares da Terceira Ponte. A informação chegou ao IEMA, que acionou o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CTA) e o Projeto Aves Vitória. A força-tarefa incluiu biólogos, veterinários e voluntários, que realizaram buscas de barco e monitoramento por drones.

Segundo o IEMA, pelo menos três filhotes foram resgatados com vida e encaminhados ao CTA para reabilitação. Outros dois foram encontrados mortos, provavelmente por afogamento ou trauma da queda. A equipe também instalou uma rede de proteção provisória ao redor do ninho para evitar novas quedas.

Como funciona a reabilitação de aves marinhas?

O CTA realiza exames clínicos para avaliar o estado de saúde dos filhotes. O protocolo inclui hidratação, alimentação controlada com peixes (como sardinha) e fisioterapia para fortalecer os músculos das asas. O período de reabilitação dura, em média, de 30 a 60 dias, até que as aves estejam aptas para voar e se alimentar sozinhas.

Após a reabilitação, os filhotes são soltos em áreas protegidas, como a Ilha do Frade, em Vitória, que possui um banco de areia seguro para a espécie. O IEMA monitora a soltura por anilhamento, técnica que permite identificar cada indivíduo em futuras observações.

O impacto da urbanização nas aves marinhas

A urbanização do litoral capixaba reduziu drasticamente as áreas de reprodução do trinta-réis-real. Praias como Camburi, em Vitória, e a Ilha do Boi, antes usadas pela espécie, hoje são ocupadas por prédios, calçadões e intenso fluxo de pessoas. Dados do IEMA indicam que a população de trinta-réis-real no Espírito Santo caiu 40% nos últimos 20 anos.

A Terceira Ponte não é um caso isolado. Em 2024, um ninho de trinta-réis-real foi registrado em uma plataforma de petróleo na Bacia de Campos, RJ, conforme relatório do Ibama. A espécie busca estruturas artificiais como alternativa, mas a taxa de sucesso reprodutivo é menor do que em habitats naturais.

Limitações da força-tarefa e riscos futuros

A força-tarefa enfrentou desafios: o acesso ao ninho é difícil, exigindo escalada nos pilares e uso de barcos para resgate de filhotes caídos. Além disso, a ponte tem tráfego intenso de veículos, o que gera ruído e poluição. Biólogos alertam que a solução definitiva depende da criação de áreas protegidas em ilhas costeiras, como a Ilha do Frade, e da instalação de plataformas artificiais seguras.

"A força-tarefa salvou vidas, mas não resolve o problema estrutural. Enquanto não houver habitat natural disponível, as aves continuarão buscando locais de risco", afirmou o coordenador do Projeto Aves Vitória.

Como a população pode ajudar na conservação

O IEMA orienta que moradores e turistas que avistarem aves marinhas em locais inadequados ou filhotes caídos entrem em contato pelo telefone 0800-XXX-XXXX ou pelo WhatsApp do CTA. Não se deve tentar resgatar o animal sem orientação, pois o manuseio incorreto pode causar estresse ou lesões.

Outras ações incluem:

  • Manter distância de ninhos em praias e estruturas artificiais
  • Não alimentar aves com pão ou restos de comida
  • Participar de mutirões de limpeza de praias, que reduzem a poluição marinha
  • Apoiar ONGs como o Projeto Aves Vitória e o Instituto Baleia Jubarte

Perguntas Frequentes

O trinta-réis-real é a única ave ameaçada que faz ninho em pontes?

Não. Outras espécies, como o gaivota-de-rabo-preto e o atobá-marrom, também utilizam estruturas artificiais. No Brasil, há registros de ninhos em pontes, edifícios e plataformas de petróleo.

Quantos filhotes de trinta-réis-real caíram da Terceira Ponte?

Segundo o IEMA, foram registradas quedas de cinco filhotes. Três foram resgatados com vida, dois morreram.

Qual o período de reprodução do trinta-réis-real no ES?

A reprodução ocorre entre setembro e março, com pico em novembro e dezembro. O ninho na Terceira Ponte foi registrado em maio, o que é atípico, possivelmente devido a mudanças climáticas.

O que fazer se encontrar um filhote de ave marinha caído?

Entre em contato com o IEMA (0800-XXX-XXXX) ou o CTA. Não toque no animal sem luvas, mantenha-o em local seco e arejado, e evite oferecer água ou comida.

Como o IEMA monitora a espécie?

O IEMA realiza censos anuais nas ilhas costeiras e estruturas artificiais. Em 2025, foram contabilizados 120 casais reprodutores no estado, contra 200 em 2005.

A Terceira Ponte será adaptada para evitar novas quedas?

O IEMA e o Departamento de Estradas de Rodagem (DER-ES) estudam a instalação de plataformas de nidificação artificiais nos pilares. Não há previsão de conclusão adaptação de pontes para fauna silvestre.

Qual o papel das ONGs na força-tarefa?

O Projeto Aves Vitória e o Instituto Baleia Jubarte forneceram biólogos, equipamentos (drones, barcos) e suporte logístico. O CTA realizou a reabilitação dos filhotes.

Larissa Quintela

Editoria Curiosidades

Larissa Quintela cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.