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Brasil é país que mais viu tarifas aumentarem desde que Trump voltou ao poder

ResumoBrasil registrou o maior aumento de tarifas comerciais globais desde o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Dados oficiais apontam crescimento acelerado de sobretaxas sobre produtos brasileiros, especialmente nos setores de aço e carne. O fenômeno posiciona o país no topo do ranking de elevação tarifária no período.

Desde que Donald Trump reassumiu a presidência dos EUA, o Brasil se tornou o país com o maior aumento de tarifas comerciais no mundo. Dados oficiais mostram que as sobretaxas sobre produtos brasileiros cresceram de forma acelerada, impactando setores como aço e carne. Entenda os

Kelly Nascimento
Brasil é país que mais viu tarifas aumentarem desde que Trump voltou ao poder

Brasil é país que mais viu tarifas aumentarem desde que Trump voltou ao poder — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Você acorda, abre o celular e vê mais uma notícia sobre tarifas. Desde que Donald Trump voltou ao poder, o Brasil é o país que mais viu tarifas aumentarem no mundo. O dado não é impressão: vem de registros oficiais e afeta direta ou indiretamente o preço do que você consome, do aço da sua geladeira ao frango do almoço.

Desde que Donald Trump voltou ao poder, o Brasil é o país que mais viu suas tarifas de exportação aumentarem. Segundo o governo brasileiro, as sobretaxas sobre produtos nacionais cresceram em ritmo superior ao de outras nações, com destaque para aço, alumínio e carne bovina. O aumento reflete a política protecionista do atual governo americano.

Brasil lidera ranking global de aumento de tarifas

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Brasil foi o país que mais sofreu elevação de tarifas comerciais desde janeiro de 2025, quando Trump retornou à Casa Branca. As sobretaxas americanas sobre produtos brasileiros cresceram, em média, 12 pontos percentuais acima da média global.

O levantamento considera as alíquotas aplicadas pelos EUA a 27 setores exportadores brasileiros. Em nenhum outro país o aumento foi tão concentrado e acelerado. A China, por exemplo, teve alta menor, embora também seja alvo de tarifas desde o primeiro mandato de Trump.

Setores mais impactados

Os setores que mais sentiram o peso das novas tarifas foram:

  • Siderurgia: o aço brasileiro passou a pagar tarifa de 25%, contra 10% antes de Trump voltar ao poder
  • Alumínio: sobretaxa saltou de 5% para 20%, afetando exportações do Pará e Maranhão
  • Carne bovina: tarifa subiu de 10% para 26%, prejudicando frigoríficos de Mato Grosso e Goiás
  • Etanol: alíquota dobrou, de 7% para 14%, atingindo usinas de São Paulo e Goiás

Cada um desses números representa não só a perda de competitividade do produto brasileiro lá fora, mas também a pressão sobre empregos e investimentos aqui dentro.

Por que o Brasil é o principal alvo?

A pergunta que fica é: por que o Brasil, e não outro país? A resposta tem três camadas.

Primeiro, o perfil da pauta exportadora brasileira. O Brasil vende para os EUA principalmente produtos industrializados e semimanufaturados, como aço, alumínio e carne processada. São exatamente esses os setores que Trump mais protege com tarifas impacto das tarifas no agronegócio brasileiro.

Segundo, a relação bilateral assimétrica. Enquanto os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, o Brasil está apenas na sétima posição para os americanos. Isso dá a Washington mais poder de barganha.

Terceiro, o timing político. Trump retomou a Casa Branca prometendo "America First" e escolheu o Brasil como exemplo para desestimular outros países a negociar com a China, principal rival geopolítico dos EUA.

Consequências para a economia brasileira

O aumento das tarifas já começa a aparecer nos números oficiais. Segundo o Banco Central, as exportações brasileiras para os EUA caíram 8% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. A balança comercial com os americanos encolheu US$ 2,3 bilhões.

Para o consumidor brasileiro, o efeito é indireto, mas real. Empresas que exportavam para os EUA estão redirecionando seus produtos para o mercado interno, aumentando a oferta e pressionando os preços para baixo em alguns segmentos. Ao mesmo tempo, a desvalorização do real frente ao dólar encarece insumos importados.

O que o governo brasileiro está fazendo?

O governo brasileiro adotou uma estratégia dupla. De um lado, abriu negociações diretas com a Casa Branca para reduzir as tarifas setoriais. De outro, recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar as sobretaxas, consideradas por especialistas como violação de acordos multilaterais OMC e as regras do comércio global.

Até agora, as conversas bilaterais não produziram resultados concretos. A OMC, por sua vez, tem um rito lento, qualquer decisão pode levar de 2 a 3 anos.

Comparação com outros países

Para entender a dimensão do aumento, vale comparar com outros países. Enquanto o Brasil viu suas tarifas subirem em média 12 pontos percentuais, a Argentina teve alta de 6 pontos, o Canadá de 4 pontos e o México de 3 pontos.

A diferença se explica, em parte, pela composição da pauta exportadora de cada um. Canadá e México vendem mais petróleo e minérios, que Trump não taxou. A Argentina exporta soja e milho, que também ficaram de fora das novas tarifas.

Perspectivas para os próximos meses

O cenário é de incerteza. As tarifas podem aumentar ainda mais se Trump decidir ampliar a lista de produtos taxados. Em contrapartida, uma eventual vitória democrata nas eleições de meio de mandato, em novembro de 2026, poderia levar a uma revisão da política comercial americana.

Para o Brasil, o caminho mais curto é diversificar parceiros comerciais. O governo tem intensificado acordos com a União Europeia e com países asiáticos, mas a dependência do mercado americano ainda é grande.

Perguntas Frequentes

O Brasil é mesmo o país que mais viu tarifas aumentarem?

Sim. Segundo dados oficiais do MDIC, o Brasil lidera o ranking global de aumento de tarifas desde janeiro de 2025, com alta média de 12 pontos percentuais acima da média mundial.

Quais produtos brasileiros foram mais taxados?

Aço, alumínio, carne bovina e etanol foram os mais afetados, com aumentos que variam de 10 a 25 pontos percentuais.

Como as tarifas afetam o consumidor brasileiro?

Indiretamente, por meio da desvalorização cambial e do redirecionamento de exportações para o mercado interno, o que pode pressionar preços de alguns produtos.

O governo brasileiro pode reverter as tarifas?

Sim, por meio de negociações bilaterais ou de decisão da OMC, mas ambos os processos são lentos e sem garantia de sucesso.

Há risco de novas tarifas?

Sim. Trump já sinalizou que pode ampliar a lista de produtos taxados, incluindo suco de laranja e café, se as negociações não avançarem.

Kelly Nascimento

Editoria Curiosidades

Kelly Nascimento cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.