Curiosidades

Brasil é o segundo país mais tarifado pelos EUA, atrás da China

ResumoO Brasil tornou-se o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China. A nova sobretaxa de 10% sobre importações brasileiras, anunciada em abril de 2025, impacta setores como aço, alumínio e café, gerando consequências econômicas para ambos os países.

O Brasil tornou-se o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China. A nova sobretaxa de 10% sobre importações brasileiras, anunciada em abril de 2025, deve impactar setores como aço, alumínio e café. Entenda os detalhes e as consequências.

Wesley Tanaka
Brasil é o segundo país mais tarifado pelos EUA, atrás da China

Brasil é o segundo país mais tarifado pelos EUA, atrás da China — Foto: Reprodução / Bombou na Web

O Brasil tornou-se o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China, após uma nova rodada de sobretaxas anunciada pelo governo americano. A tarifa adicional de 10% sobre todas as importações brasileiras, implementada em abril de 2025, elevou a tarifa média efetiva para cerca de 12%, segundo cálculos de institutos de pesquisa. O Brasil passou a ser o segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos, atrás apenas da China, com uma tarifa média de 12% sobre suas exportações para o mercado americano.

A medida faz parte de uma escalada protecionista dos EUA, que já havia aplicado tarifas de 25% sobre aço e alumínio em março de 2025. A sobretaxa linear de 10% sobre todos os produtos brasileiros foi anunciada em 2 de abril de 2025, com vigência a partir de 9 de abril. A alíquota total sobre aço brasileiro, por exemplo, saltou de 25% para 35%.

Por que o Brasil virou alvo das tarifas americanas

O governo dos EUA justifica as tarifas como medida para reequilibrar a balança comercial e proteger a indústria doméstica. O Brasil exportou cerca de US$ 42 bilhões para os EUA em 2024, com superávit de aproximadamente US$ 7 bilhões. Setores como aço, alumínio, café, suco de laranja e etanol estão entre os mais expostos.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), o café brasileiro pode perder competitividade no mercado americano, que responde por 20% das exportações do grão. Já a indústria siderúrgica projeta queda de 15% nas vendas para os EUA em 2025.

O histórico das tarifas americanas

Os EUA já aplicam tarifas sobre produtos brasileiros desde 2018, quando o governo Trump taxou aço e alumínio em 25% e 10%, respectivamente. Em 2020, uma nova rodada atingiu etanol e suco de laranja. A partir de 2025, a alíquota média sobre as exportações brasileiras mais que dobrou, saindo de 5% para 12%.

Impactos na economia brasileira

O setor produtivo brasileiro já sente os efeitos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que as tarifas podem reduzir o PIB brasileiro em até 0,3% em 2025. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) calcula que as exportações para os EUA podem cair entre US$ 3 bilhões e US$ 5 bilhões no ano.

Setores mais afetados

  • Aço e alumínio: tarifa total de 35% sobre aço e 20% sobre alumínio. A produção brasileira de aço bruto foi de 31,5 milhões de toneladas em 2024, com 15% destinado aos EUA.
  • Café: tarifa adicional de 10% sobre o grão. O Brasil exportou 2,2 milhões de sacas para os EUA em 2024.
  • Suco de laranja: tarifa média de 15% sobre o produto concentrado.
  • Etanol: tarifa de 10% sobre o combustível, que já enfrentava barreiras.

O que o Brasil pode fazer

O governo brasileiro avalia medidas de retaliação, como a elevação de tarifas sobre produtos americanos como trigo, milho e carnes. O Ministério das Relações Exteriores já acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar as tarifas. Em paralelo, o Brasil busca acordos bilaterais com outros parceiros, como a União Europeia e a China, para diversificar exportações.

Negociações em andamento

Em maio de 2025, representantes do MDIC e do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) iniciaram conversas técnicas para reduzir as tarifas. O Brasil ofereceu reduzir barreiras para importação de etanol americano em troca da eliminação da sobretaxa linear. Até o momento, nenhum acordo foi fechado.

Perguntas Frequentes

Por que o Brasil é o segundo país mais tarifado?

Porque a tarifa média americana sobre produtos brasileiros subiu para 12%, atrás apenas da China, que tem tarifa média de 25%. A sobretaxa linear de 10% sobre todas as importações brasileiras elevou o patamar.

Quais produtos brasileiros são mais taxados?

Aço, alumínio, café, suco de laranja e etanol estão entre os mais afetados. O aço brasileiro paga 35% de tarifa total, o alumínio 20%, e os demais produtos 10% adicionais.

Quando as tarifas começaram a valer?

A tarifa adicional de 10% foi anunciada em 2 de abril de 2025 e entrou em vigor em 9 de abril de 2025. As tarifas sobre aço e alumínio já estavam em vigor desde março.

O Brasil pode retaliar?

Sim. O governo brasileiro estuda elevar tarifas sobre produtos americanos como trigo, milho e carnes, além de acionar a OMC. As negociações bilaterais continuam.

Como as tarifas afetam o consumidor brasileiro?

Indiretamente, a queda nas exportações pode reduzir a renda de setores como siderurgia e cafeicultura, com impacto no emprego e no PIB. O consumidor pode sentir alta de preços em produtos importados dos EUA, se houver retaliação.

Wesley Tanaka

Editoria Curiosidades

Wesley Tanaka cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.

Leia também · Curiosidades