Brasileiros se dividem, e 46% têm visão positiva da China, diz estudo
O que explica a divisão dos brasileiros em relação à China? Uma pesquisa recente do Instituto Datafolha, divulgada em junho de 2025, aponta que 46% dos brasileiros têm uma visão positiva do país asiático, enquanto 34% o avaliam negativamente. Os 20% restantes se declaram indiferentes ou não souberam responder. O levantamento ouviu 2.000 pessoas em 130 municípios brasileiros entre 10 e 14 de junho de 2025.
Segundo o Datafolha, a percepção positiva da China é maior entre os brasileiros com renda familiar acima de 10 salários mínimos (54%) e entre os que têm ensino superior (52%). Já a avaliação negativa predomina entre eleitores que se declaram de direita (42%) e entre moradores da região Sul (40%).
Os fatores por trás da polarização
A divisão reflete, em parte, o peso crescente da China na economia brasileira. Dados do Ministério da Economia indicam que, em 2024, a China foi o principal parceiro comercial do Brasil, com um fluxo de comércio bilateral de US$ 150 bilhões. Esse dado ajuda a explicar por que 52% dos brasileiros consideram a relação comercial com a China como positiva, segundo o mesmo estudo do Datafolha.
Por outro lado, a desconfiança cresce quando o assunto é política internacional. A pesquisa aponta que 41% dos brasileiros veem a China como uma ameaça à soberania nacional, especialmente entre os que acompanham de perto as tensões entre EUA e China no cenário global. A promessa é de que a parceria econômica traga benefícios, mas a entrega é outra quando se consideram os riscos de dependência tecnológica e de alinhamento geopolítico.
O papel da mídia e das redes sociais
A cobertura da mídia brasileira sobre a China também influencia a percepção pública. Um levantamento da Agência Lupa, publicado em maio de 2025, mostrou que 60% das notícias sobre a China em veículos de grande circulação no Brasil tinham tom neutro ou positivo, enquanto 30% eram críticas. A pergunta certa é outra: será que a população tem acesso a informações equilibradas ou a polarização é alimentada por bolhas informacionais?
Nas redes sociais, o cenário é ainda mais dividido. Uma análise da consultoria Bites, que monitorou 10 mil postagens sobre a China no Twitter e no Facebook entre janeiro e maio de 2025, revelou que 48% dos comentários eram favoráveis ao país asiático, 37% desfavoráveis e 15% neutros. A polarização online reflete, em grande medida, as clivagens políticas domésticas.
O contexto histórico e as expectativas futuras
A relação Brasil-China não é nova. Em 2009, a China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil, superando os Estados Unidos. Desde então, o comércio bilateral cresceu 300%. Esse histórico de cooperação econômica, porém, convive com desconfianças históricas, como a percepção de que a China pratica dumping e de que a parceria é assimétrica.
Para o futuro, a pesquisa do Datafolha indica que 38% dos brasileiros acreditam que a relação com a China vai melhorar nos próximos anos, enquanto 28% acham que vai piorar. A promessa de investimentos chineses em infraestrutura e tecnologia no Brasil é grande, mas a entrega ainda depende de negociações bilaterais e de um ambiente político estável.
Limitações do estudo e o que ainda falta provar
A pesquisa do Datafolha tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. No entanto, ela não captura nuances regionais profundas, o levantamento foi feito em 130 municípios, mas a amostra pode não representar totalmente a diversidade de opiniões em áreas rurais ou em estados com menor densidade populacional.
Além disso, a pergunta sobre "visão positiva" da China pode ser interpretada de forma ampla: ela inclui aspectos econômicos, culturais e políticos. O estudo não desagrega esses componentes, o que limita a compreensão do que exatamente os brasileiros aprovam ou desaprovam no país asiático. Para quem quer entender o impacto real dessa percepção na política externa brasileira, ainda faltam dados mais granulares.
O que esperar da relação Brasil-China em 2026
Com a aproximação das eleições presidenciais de 2026, a China deve continuar sendo um tema central no debate público. A pesquisa do Datafolha sugere que a polarização atual pode se intensificar, especialmente se a campanha eleitoral explorar a relação com o gigante asiático como bandeira política. eleições 2026 e política externa
Para o leitor que quer se aprofundar, vale acompanhar os próximos levantamentos do Datafolha e do IBOPE sobre o tema, além de relatórios do Ministério das Relações Exteriores sobre a pauta bilateral. A promessa de uma parceria estratégica é grande, mas a entrega depende de transparência e de um debate público informado.
Perguntas Frequentes
Quantos brasileiros têm visão positiva da China?
Segundo o Datafolha, 46% dos brasileiros têm visão positiva da China.
Qual a margem de erro da pesquisa do Datafolha sobre a China?
A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Quais fatores explicam a visão positiva da China no Brasil?
Fatores econômicos, como o comércio bilateral de US$ 150 bilhões em 2024, e a percepção de que a China é um parceiro comercial importante.
Por que 34% dos brasileiros têm visão negativa da China?
A percepção negativa está associada a preocupações geopolíticas, como a ameaça à soberania nacional, e a clivagens políticas internas.
Como a mídia brasileira cobre a China?
Segundo a Agência Lupa, 60% das notícias sobre a China em veículos de grande circulação têm tom neutro ou positivo.
O que esperar da relação Brasil-China em 2026?
A relação deve continuar polarizada, com a China sendo tema central nas eleições presidenciais de 2026, segundo analistas políticos.