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Brasileiros se dividem: 46% têm visão positiva da China, diz estudo

ResumoEstudo do Instituto Datafolha revela que 46% dos brasileiros possuem visão positiva da China, enquanto 34% têm opinião negativa. A polarização reflete influências de disputas geopolíticas e econômicas, com percepções variando conforme fatores como ideologia e exposição a investimentos chineses no Brasil.

Um estudo recente mostra que 46% dos brasileiros têm visão positiva da China, contra 34% com opinião negativa. A polarização reflete disputas geopolíticas e econômicas. Descubra os dados completos e as razões por trás dessa divisão.

Larissa Quintela
Brasileiros se dividem: 46% têm visão positiva da China, diz estudo

Brasileiros se dividem: 46% têm visão positiva da China, diz estudo — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Brasileiros se dividem, e 46% têm visão positiva da China, diz estudo

O que explica a divisão dos brasileiros em relação à China? Uma pesquisa recente do Instituto Datafolha, divulgada em junho de 2025, aponta que 46% dos brasileiros têm uma visão positiva do país asiático, enquanto 34% o avaliam negativamente. Os 20% restantes se declaram indiferentes ou não souberam responder. O levantamento ouviu 2.000 pessoas em 130 municípios brasileiros entre 10 e 14 de junho de 2025.

Segundo o Datafolha, a percepção positiva da China é maior entre os brasileiros com renda familiar acima de 10 salários mínimos (54%) e entre os que têm ensino superior (52%). Já a avaliação negativa predomina entre eleitores que se declaram de direita (42%) e entre moradores da região Sul (40%).

Os fatores por trás da polarização

A divisão reflete, em parte, o peso crescente da China na economia brasileira. Dados do Ministério da Economia indicam que, em 2024, a China foi o principal parceiro comercial do Brasil, com um fluxo de comércio bilateral de US$ 150 bilhões. Esse dado ajuda a explicar por que 52% dos brasileiros consideram a relação comercial com a China como positiva, segundo o mesmo estudo do Datafolha.

Por outro lado, a desconfiança cresce quando o assunto é política internacional. A pesquisa aponta que 41% dos brasileiros veem a China como uma ameaça à soberania nacional, especialmente entre os que acompanham de perto as tensões entre EUA e China no cenário global. A promessa é de que a parceria econômica traga benefícios, mas a entrega é outra quando se consideram os riscos de dependência tecnológica e de alinhamento geopolítico.

O papel da mídia e das redes sociais

A cobertura da mídia brasileira sobre a China também influencia a percepção pública. Um levantamento da Agência Lupa, publicado em maio de 2025, mostrou que 60% das notícias sobre a China em veículos de grande circulação no Brasil tinham tom neutro ou positivo, enquanto 30% eram críticas. A pergunta certa é outra: será que a população tem acesso a informações equilibradas ou a polarização é alimentada por bolhas informacionais?

Nas redes sociais, o cenário é ainda mais dividido. Uma análise da consultoria Bites, que monitorou 10 mil postagens sobre a China no Twitter e no Facebook entre janeiro e maio de 2025, revelou que 48% dos comentários eram favoráveis ao país asiático, 37% desfavoráveis e 15% neutros. A polarização online reflete, em grande medida, as clivagens políticas domésticas.

O contexto histórico e as expectativas futuras

A relação Brasil-China não é nova. Em 2009, a China se tornou o principal parceiro comercial do Brasil, superando os Estados Unidos. Desde então, o comércio bilateral cresceu 300%. Esse histórico de cooperação econômica, porém, convive com desconfianças históricas, como a percepção de que a China pratica dumping e de que a parceria é assimétrica.

Para o futuro, a pesquisa do Datafolha indica que 38% dos brasileiros acreditam que a relação com a China vai melhorar nos próximos anos, enquanto 28% acham que vai piorar. A promessa de investimentos chineses em infraestrutura e tecnologia no Brasil é grande, mas a entrega ainda depende de negociações bilaterais e de um ambiente político estável.

Limitações do estudo e o que ainda falta provar

A pesquisa do Datafolha tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. No entanto, ela não captura nuances regionais profundas, o levantamento foi feito em 130 municípios, mas a amostra pode não representar totalmente a diversidade de opiniões em áreas rurais ou em estados com menor densidade populacional.

Além disso, a pergunta sobre "visão positiva" da China pode ser interpretada de forma ampla: ela inclui aspectos econômicos, culturais e políticos. O estudo não desagrega esses componentes, o que limita a compreensão do que exatamente os brasileiros aprovam ou desaprovam no país asiático. Para quem quer entender o impacto real dessa percepção na política externa brasileira, ainda faltam dados mais granulares.

O que esperar da relação Brasil-China em 2026

Com a aproximação das eleições presidenciais de 2026, a China deve continuar sendo um tema central no debate público. A pesquisa do Datafolha sugere que a polarização atual pode se intensificar, especialmente se a campanha eleitoral explorar a relação com o gigante asiático como bandeira política. eleições 2026 e política externa

Para o leitor que quer se aprofundar, vale acompanhar os próximos levantamentos do Datafolha e do IBOPE sobre o tema, além de relatórios do Ministério das Relações Exteriores sobre a pauta bilateral. A promessa de uma parceria estratégica é grande, mas a entrega depende de transparência e de um debate público informado.

Perguntas Frequentes

Quantos brasileiros têm visão positiva da China?

Segundo o Datafolha, 46% dos brasileiros têm visão positiva da China.

Qual a margem de erro da pesquisa do Datafolha sobre a China?

A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Quais fatores explicam a visão positiva da China no Brasil?

Fatores econômicos, como o comércio bilateral de US$ 150 bilhões em 2024, e a percepção de que a China é um parceiro comercial importante.

Por que 34% dos brasileiros têm visão negativa da China?

A percepção negativa está associada a preocupações geopolíticas, como a ameaça à soberania nacional, e a clivagens políticas internas.

Como a mídia brasileira cobre a China?

Segundo a Agência Lupa, 60% das notícias sobre a China em veículos de grande circulação têm tom neutro ou positivo.

O que esperar da relação Brasil-China em 2026?

A relação deve continuar polarizada, com a China sendo tema central nas eleições presidenciais de 2026, segundo analistas políticos.

Larissa Quintela

Editoria Curiosidades

Larissa Quintela cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.