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Família de paciente que morreu à espera de vaga de UTI recebe R$ 530 mil de indenização em MT

ResumoA Justiça de Mato Grosso condenou o Estado a indenizar em R$ 530 mil a família de um paciente que morreu enquanto aguardava vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A decisão judicial reconheceu omissão do poder público e violação ao direito constitucional à saúde.

A Justiça de Mato Grosso condenou o Estado a pagar R$ 530 mil de indenização à família de um paciente que morreu à espera de vaga de UTI. A decisão reconhece a omissão do poder público e reforça o direito à saúde. Entenda o caso.

Kelly Nascimento
Família de paciente que morreu à espera de vaga de UTI recebe R$ 530 mil de indenização em MT

Família de paciente que morreu à espera de vaga de UTI recebe R$ 530 mil de indenização em MT — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Família de paciente que morreu à espera de vaga de UTI recebe R$ 530 mil de indenização em MT

Você já imaginou perder alguém que amava por falta de um leito de UTI? Infelizmente, essa é a realidade de muitas famílias no Brasil. Em Mato Grosso, a Justiça condenou o Estado a pagar R$ 530 mil de indenização à família de um paciente que morreu enquanto aguardava uma vaga de UTI. A decisão reconhece a omissão do poder público e reforça o direito à saúde como um dever do Estado.

A Justiça de Mato Grosso condenou o Estado a pagar R$ 530 mil de indenização à família de um paciente que morreu enquanto aguardava uma vaga de UTI. A decisão reconhece a omissão do poder público e o direito à saúde como dever do Estado.

O caso que gerou a indenização

O paciente, um homem de 62 anos, deu entrada em uma unidade de saúde pública de Mato Grosso em estado grave. Ele precisava de cuidados intensivos, mas não havia leito de UTI disponível na rede pública. A família aguardou por dias, enquanto o estado do paciente se agravava. Ele morreu antes de conseguir a vaga.

A família entrou com uma ação na Justiça contra o Estado de Mato Grosso, pedindo indenização por danos morais e materiais. A ação foi baseada no artigo 196 da Constituição Federal, que estabelece a saúde como direito de todos e dever do Estado. O juiz responsável pelo caso reconheceu que o Estado falhou em garantir o acesso à saúde, o que resultou na morte do paciente.

A decisão judicial

A Justiça de Mato Grosso condenou o Estado a pagar R$ 530 mil de indenização à família. O valor foi dividido entre os familiares: R$ 300 mil para a esposa, R$ 100 mil para cada um dos dois filhos e R$ 30 mil para a mãe do paciente. A decisão também determinou que o Estado pague pensão mensal à esposa até que ela complete 75 anos.

A sentença reconheceu que o Estado foi omisso ao não garantir um leito de UTI para o paciente. O juiz afirmou que a falta de vagas em UTIs é um problema crônico no sistema público de saúde de Mato Grosso, mas que isso não justifica a omissão do poder público. A decisão foi baseada em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que já consolidou o entendimento de que o Estado pode ser responsabilizado por danos causados por omissão na prestação de serviços de saúde.

Direitos dos cidadãos

Casos como esse mostram que o cidadão tem o direito de buscar indenização quando o Estado falha em garantir o acesso à saúde. A Constituição Federal, em seu artigo 196, estabelece que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Quando o Estado não cumpre esse dever, pode ser responsabilizado civilmente.

Para entrar com uma ação, a família precisa comprovar que houve omissão do poder público e que essa omissão causou danos. Isso inclui apresentar documentos médicos, laudos, testemunhas e qualquer outra prova que demonstre a falha do sistema. A ação pode ser movida contra o estado, o município ou a União, dependendo de quem é responsável pela gestão da saúde.

Judicialização da saúde: um caminho possível

A judicialização da saúde tem crescido no Brasil. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2023, havia mais de 1,5 milhão de processos judiciais relacionados à saúde no país. A maioria desses processos pede medicamentos, tratamentos ou vagas em UTIs. A judicialização é um caminho que as famílias têm buscado para garantir o direito à saúde.

A decisão em Mato Grosso é um exemplo de como a Justiça pode atuar para garantir os direitos dos cidadãos. No entanto, a judicialização não é a solução ideal. O ideal é que o sistema público de saúde funcione de forma adequada, garantindo acesso a todos. Mas, enquanto isso não acontece, a Justiça é uma ferramenta importante para as famílias que sofrem com a omissão do Estado.

O que fazer se você passar por situação semelhante?

Se você ou sua família passou por uma situação semelhante, o primeiro passo é buscar orientação jurídica. Um advogado especializado em direito à saúde pode avaliar o caso e orientar sobre as chances de sucesso de uma ação. É importante reunir todos os documentos: prontuários médicos, laudos, comprovantes de internação, fotos, vídeos e qualquer outra prova que demonstre a falha do sistema.

Além disso, é possível registrar uma reclamação na ouvidoria do SUS ou no Ministério Público. O Ministério Público pode investigar o caso e, se necessário, entrar com uma ação civil pública para garantir o direito à saúde de outras pessoas.

Perguntas Frequentes

O que fazer quando um familiar precisa de UTI e não há vaga?

Procure a ouvidoria do SUS e registre uma reclamação. Também é possível buscar um advogado para entrar com uma ação judicial pedindo a vaga. Em casos urgentes, a Justiça pode determinar a internação em até 24 horas.

Quanto tempo leva para receber a indenização?

O tempo varia de acordo com o caso e a região. Em média, ações de indenização contra o Estado podem levar de 1 a 3 anos para serem julgadas. Após a sentença, o Estado tem prazo para pagar, que pode ser de 30 a 90 dias.

É possível pedir indenização se o paciente morreu?

Sim. A família pode pedir indenização por danos morais e materiais. É necessário comprovar que a morte foi causada pela omissão do Estado.

O Estado pode recorrer da decisão?

Sim. O Estado pode recorrer da decisão para instâncias superiores, como o Tribunal de Justiça ou o STJ. O recurso pode atrasar o pagamento da indenização.

A indenização cobre apenas danos morais?

Não. A indenização pode incluir danos morais, materiais e pensão mensal para os dependentes. O valor é definido pelo juiz com base no caso.

O que fazer se o Estado não pagar?

Se o Estado não pagar voluntariamente, a família pode pedir o cumprimento da sentença na Justiça. O juiz pode determinar o bloqueio de contas do Estado para garantir o pagamento.

Kelly Nascimento

Editoria Curiosidades

Kelly Nascimento cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.