Goiás lidera alta de 113% nos feminicídios do Brasil; estado já soma 47 vítimas em 2026 e deve superar recordes anteriores
Goiás já contabiliza 47 feminicídios entre janeiro e junho de 2026, um aumento de 113,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O estado lidera o ranking nacional de crescimento percentual, segundo dados do Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher, elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e pelo Ministério das Mulheres (MMULHERES), com base no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp VDE). A projeção é que 2026 ultrapasse os recordes já registrados em 2025 e 2024, revelados no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira, 23.
Por que Goiás lidera o crescimento dos feminicídios?
Em 2025, Goiás registrou 59 vítimas de feminicídio, um aumento de 4,3% em relação às 56 mortes de 2024. Isso equivalia a uma morte a cada seis dias no estado. Agora, com 47 casos só no primeiro semestre de 2026, a tendência é de aceleração. O conselheiro do Fórum Nacional de Segurança Pública, Cássio Thyone, explicou ao Jornal Opção que o fenômeno vai na contramão da queda geral de homicídios. "Se eu estou tendo queda de homicídios e eu ainda tenho aumento de feminicídio, significa que essa modalidade precisa de maior atenção", afirmou.
O que diz a lei sobre feminicídio?
De acordo com o Código Penal brasileiro, o feminicídio é o assassinato de mulheres por razões de violência doméstica e familiar ou menosprezo e discriminação à condição de mulher. Desde 2024, o crime deixou de ser uma qualificadora do homicídio e passou a ser tipificado como crime autônomo, com penas que variam de 20 a 40 anos de prisão. Apesar do endurecimento penal, os números mostram que a legislação, por si só, não tem sido suficiente para conter a escalada.
As falhas do sistema de proteção
Thyone destacou que mesmo com recursos como medidas protetivas, botão do pânico e casas de acolhimento, o risco zero para a mulher ainda é uma utopia. "Muitas vezes a mulher até deixa o local onde vive e vai para uma casa de acolhimento e tudo mais. Mas mesmo assim nós vamos ter, infelizmente, ocorrências que vão culminar em feminicídios", disse. Ele apontou uma falha crítica: a reincidência e a falta de prisão preventiva em casos de tentativas anteriores. "Tem alguns casos em que existe uma reincidência de tentativas do homem, por exemplo, e ele não está preso."
O que funciona e o que precisa mudar?
Para Thyone, a solução passa pela interrupção do ciclo de violência desde seus estágios iniciais, violência doméstica, psicológica, patrimonial, física, até o feminicídio. Ele ponderou que, sem os recursos já existentes, os números seriam ainda piores. "Se nós não tivéssemos a medida protetiva, Lei Maria da Penha e outras coisas, nós teríamos números ainda piores. Certamente vidas têm sido poupadas, mas infelizmente nós ainda não conseguimos alcançar um ponto de inflexão." O conselheiro enfatizou a necessidade de investimento educativo e combate ao machismo estrutural, trabalhando as gerações mais jovens para que os homens não se vejam como "donos" das mulheres.
Outros dados de violência contra a mulher em Goiás
Além dos feminicídios, o Anuário da Segurança Pública revelou que as tentativas de feminicídio aumentaram 12,7% em 2025, saltando de 188 casos em 2024 para 214. As tentativas de homicídio com vítimas mulheres passaram de 393 para 395 registros. Por outro lado, houve redução de 12,4% nos casos de lesão corporal dolosa relacionados à violência doméstica, que caíram de 4.758 ocorrências em 2024 para 4.213 em 2025.
Cenário nacional: quarto recorde consecutivo
O Brasil como um todo teve, em 2025, o quarto recorde consecutivo de feminicídios, com 1.571 assassinatos, uma alta de 4% em relação aos 1.504 crimes de 2024. Isso equivale a quatro mulheres mortas por dia e a uma taxa de 1,4 vítima para cada 100 mil mulheres. violência contra a mulher dados Brasil
Perguntas Frequentes
Qual é o aumento percentual de feminicídios em Goiás em 2026?
Goiás registrou alta de 113,6% nos feminicídios entre janeiro e junho de 2026, com 47 vítimas, segundo o Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher.
Quantos feminicídios Goiás teve em 2025?
Em 2025, Goiás registrou 59 vítimas de feminicídio, um aumento de 4,3% em relação às 56 mortes de 2024.
O que diz a lei brasileira sobre feminicídio?
O feminicídio é o assassinato de mulheres por razões de violência doméstica ou discriminação. Desde 2024, é crime autônomo, com pena de 20 a 40 anos de prisão.
Quais recursos de proteção existem para mulheres em Goiás?
Medidas protetivas, botão do pânico e casas de acolhimento estão disponíveis, mas o risco zero ainda não é realidade, segundo especialistas.
Quantas mulheres foram mortas por feminicídio no Brasil em 2025?
Foram 1.571 assassinatos, o quarto recorde consecutivo, com alta de 4% em relação a 2024, quatro mortes por dia.