# Goiás lidera alta de feminicídios no País e expõe falhas na proteção às mulheres

> Goiás registrou o maior aumento percentual de feminicídios do Brasil no primeiro semestre de 2026, com 47 casos e alta de 113,6%. O crescimento ocorre apesar da concessão de 10,7 mil medidas protetivas pelo Tribunal de Justiça de Goiás. Especialistas apontam sobrecarga da rede de proteção e demora na resposta como falhas estruturais.

*Bombou na Web · Curiosidades · 24 de julho de 2026 · Priscila Andrade*

Goiás registrou o maior aumento percentual de feminicídios do Brasil no primeiro semestre de 2026: 47 casos, alta de 113,6%. O crescimento ocorre mesmo com a concessão de 10,7 mil medidas protetivas pelo TJGO. Especialistas apontam sobrecarga da rede de proteção e demora na respo

A morte da professora Valdirene Vaz Clemente, de 42 anos, assassinada pelo ex-marido ao sair de um encontro religioso em Bom Jesus de Goiás, em 20 de julho de 2026, expôs o cenário de violência que coloca Goiás no topo do ranking nacional de feminicídios. Mesmo com medida protetiva, Valdirene foi morta a tiros pelo agressor, que já respondia por ameaça e lesão corporal e depois tirou a própria vida.

Goiás lidera a alta de feminicídios no País e expõe falhas na proteção às mulheres: foram 47 vítimas entre janeiro e junho de 2026, alta de 113,6% em relação ao mesmo período de 2025. Enquanto o Brasil registrou 741 feminicídios no semestre, com redução de 2,5%, o estado goiano foi na contramão, com o maior aumento percentual do país. Além de Goiás, apenas Sergipe, Amazonas, Santa Catarina, Paraná, Amapá, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio Grande do Norte tiveram alta.

## O que explica o crescimento dos feminicídios em Goiás

O aumento da violência ocorre paralelamente à maior procura por ajuda. O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) concedeu 10,7 mil medidas protetivas de urgência entre janeiro e meados de julho de 2026, uma nova proteção judicial a cada 30 minutos. As mulheres contempladas passam a ser acompanhadas pelo Batalhão Maria da Penha.

Mesmo assim, o risco permanece elevado. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-GO), dos 60 feminicídios registrados em Goiás em 2025, quatro vítimas possuíam acompanhamento do Batalhão Maria da Penha, que realizou mais de dois mil atendimentos no ano.

### Rede de proteção sobrecarregada

Para a coordenadora da Ouvidoria da Mulher da Câmara de Goiânia, Maria Clara Dunck, o aumento da procura já indicava, desde o início de 2026, que a situação seria mais grave. O programa Acolha uma Mulher, que oferece atendimento psicológico gratuito por meio de uma rede de voluntárias, enfrenta a maior fila de espera desde sua criação.

Maria Clara afirma que o crescimento da demanda demonstra que mais mulheres reconhecem a violência e buscam apoio, mas evidencia que a estrutura pública não consegue atender todas as solicitações. Órgãos como CRAS, CREAS e o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (Cram) operam acima da capacidade por falta de psicólogos, assistentes sociais e equipes multidisciplinares. A coordenadora também aponta a demora na conclusão da Casa da Mulher Brasileira, em Goiânia, como um dos entraves.

## Especialistas apontam falhas na efetividade das políticas

O advogado criminalista e professor de Direito Penal Amaury Andrade avalia que o principal desafio não está na criação de novas leis, mas na efetividade das políticas já existentes. Para ele, o Brasil possui uma das legislações mais avançadas no enfrentamento à violência contra a mulher, porém ainda enfrenta dificuldades para garantir proteção às vítimas.

Segundo Andrade, muitas vítimas conseguem denunciar os agressores e obter medidas protetivas, mas permanecem vulneráveis pela demora na resposta do Estado. O advogado defende que casos de violência doméstica sejam tratados como situações de emergência, com maior agilidade na análise dos pedidos, monitoramento constante das medidas judiciais e fortalecimento das patrulhas especializadas. Ele também considera fundamental ampliar o uso de tornozeleiras eletrônicas em agressores, desde que integradas a sistemas capazes de acionar imediatamente as forças de segurança.

Maria Clara Dunck reforça que o enfrentamento ao feminicídio depende da atuação conjunta de segurança, Justiça, assistência social, saúde, educação e habitação. A coordenadora alerta para o déficit de profissionais nas delegacias especializadas, a dificuldade de oferecer atendimento psicológico contínuo e a necessidade de ampliar as Patrulhas Maria da Penha.

## O que diz a SSP-GO

Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) informou que o enfrentamento à violência contra a mulher permanece entre as prioridades das forças de segurança. A pasta destacou a realização de operações permanentes de combate à violência doméstica, o cumprimento de mandados de prisão contra agressores, o acompanhamento de medidas protetivas, ações preventivas e educativas, além da atuação integrada com o Poder Judiciário, o Ministério Público e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social. A secretaria afirmou que todas as ocorrências são investigadas e que continuará intensificando as ações de prevenção, repressão qualificada e proteção às mulheres.

## Perguntas Frequentes

### Quantos feminicídios Goiás registrou no primeiro semestre de 2026?

Foram 47 feminicídios entre janeiro e junho de 2026, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

### Qual foi o aumento percentual de feminicídios em Goiás?

O crescimento foi de 113,6% em relação ao mesmo período de 2025, o maior aumento percentual do país.

### Quantas medidas protetivas foram concedidas em Goiás em 2026?

O TJGO concedeu 10,7 mil medidas protetivas de urgência entre janeiro e meados de julho de 2026.

### O que é o Batalhão Maria da Penha?

É a unidade da Polícia Militar de Goiás que acompanha mulheres com medidas protetivas. Em 2025, realizou mais de dois mil atendimentos.

### Por que a rede de proteção está sobrecarregada?

Segundo a coordenadora Maria Clara Dunck, falta psicólogos, assistentes sociais e equipes multidisciplinares em órgãos como CRAS, CREAS e Cram, além da demora na conclusão da Casa da Mulher Brasileira em Goiânia.

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Fonte (canonical): https://www.bombounaweb.com.br/curiosidades/goias-lidera-alta-feminicidios-pais-expoe-falhas-protecao-mulheres/
