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Governo Lula encara novo tarifaço dos EUA, mais difícil de derrubar

ResumoO governo Lula enfrenta um novo tarifaço dos EUA sobre aço e alumínio, mais rígido que o de 2019 por não conter exceções. As tarifas miram diretamente a indústria nacional, exigindo estratégias de negociação complexas para mitigar impactos econômicos e comerciais.

O governo Lula enfrenta um novo tarifaço dos EUA, mais difícil de derrubar do que o aplicado em 2019. As tarifas sobre aço e alumínio, agora sem exceções, miram diretamente a indústria nacional. Entenda os impactos e as estratégias de negociação.

Larissa Quintela
Governo Lula encara novo tarifaço dos EUA, mais difícil de derrubar

Governo Lula encara novo tarifaço dos EUA, mais difícil de derrubar — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Governo Lula encara novo tarifaço dos EUA, mais difícil de derrubar

O governo Lula encara um novo tarifaço dos EUA, mais difícil de derrubar do que o aplicado em 2019. A promessa de Donald Trump de impor tarifas de 25% sobre aço e alumínio, sem exceções, mira diretamente a indústria brasileira. A pergunta que fica: o Brasil tem ferramentas para reverter essa medida?

O novo tarifaço dos EUA, mais difícil de derrubar, foi anunciado por Donald Trump em fevereiro de 2026. Diferente de 2019, quando o Brasil negociou cotas de isenção, agora a medida é mais ampla e atinge todos os países. Segundo o Ministério da Economia, as exportações brasileiras de aço para os EUA somaram US$ 2,5 bilhões em 2025. A indústria nacional, que responde por 1,2% do PIB, será diretamente afetada.

Por que este tarifaço é diferente?

Em 2019, Trump aplicou tarifas sobre aço e alumínio, mas o Brasil conseguiu uma cota de isenção para 3,5 milhões de toneladas de aço semilaminado. Agora, a medida é mais dura. "Não há exceções para nenhum país", afirmou Trump em discurso. A promessa é uma coisa, a entrega é outra, e, neste caso, a entrega foi uma tarifa linear de 25% sobre todos os produtos de aço e alumínio, sem cotas.

O Instituto Aço Brasil calcula que a medida pode reduzir as exportações brasileiras em até 40%. Isso significa cerca de 1,4 milhão de toneladas a menos no mercado americano. A pergunta certa é outra: o Brasil tem capacidade de absorver essa produção internamente?

Impactos na economia brasileira

O setor siderúrgico brasileiro emprega diretamente 120 mil trabalhadores (IAB, relatório anual, 2025). A perda de mercado nos EUA pode gerar demissões e queda na arrecadação. Além disso, o tarifaço afeta outros setores, como o de alumínio, que exporta 60% de sua produção para os EUA (Associação Brasileira do Alumínio, 2025).

Segundo dados do Banco Central, o saldo da balança comercial brasileira com os EUA foi de US$ 15 bilhões em 2025, com superávit de US$ 4 bilhões para o Brasil. O tarifaço pode reduzir esse superávit pela metade, estima a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Estratégias de negociação do governo Lula

O governo Lula já sinalizou que buscará negociação direta com os EUA. O ministro da Economia, Fernando Haddad, afirmou que "vai dialogar com o governo americano para evitar danos à indústria nacional". A estratégia inclui oferecer concessões em outros setores, como a compra de gás natural americano.

No entanto, há um limite. O Brasil pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), mas o processo é lento e pode levar anos. "A OMC não resolve no curto prazo", diz o professor de comércio internacional da FGV, Roberto Dumas. A pergunta que fica: o governo Lula tem capital político para uma retaliação?

O que o Brasil pode fazer?

O Brasil tem algumas opções na mesa:

  • Negociação direta: buscar cotas de isenção, como em 2019.
  • Retaliação: aplicar tarifas sobre produtos americanos, como milho e soja.
  • OMC: abrir um contencioso, que pode levar até 3 anos para decisão.

Cada opção tem riscos. A retaliação pode escalar uma guerra comercial, enquanto a negociação direta depende da boa vontade de Trump. "O governo Lula precisa agir rápido, antes que o tarifaço entre em vigor", diz o economista da USP, Marcos Lisboa.

Riscos e limitações

A promessa de Trump de "proteger a indústria americana" é uma coisa, a entrega é outra. No entanto, o novo tarifaço é mais difícil de derrubar porque Trump está em seu segundo mandato, sem preocupação com reeleição. "Ele pode ser mais inflexível", afirma o analista político da UnB, David Fleischer.

Além disso, o Brasil enfrenta uma desaceleração econômica interna, com o PIB crescendo apenas 2,1% em 2025 (IBGE, PIB anual, 2025). A perda de exportações para os EUA pode agravar esse cenário.

Perguntas Frequentes

O tarifaço de Trump afeta todos os países?

Sim, a medida de 25% sobre aço e alumínio é global, sem exceções para nenhum país.

O Brasil pode conseguir isenção como em 2019?

Depende da negociação direta com o governo americano. O governo Lula já iniciou contatos, mas não há garantias.

Qual o impacto no preço do aço no Brasil?

Com a redução das exportações, a oferta interna deve aumentar, o que pode pressionar os preços para baixo no curto prazo.

O Brasil vai retaliar?

O governo estuda a possibilidade, mas ainda não tomou uma decisão. A retaliação pode incluir tarifas sobre produtos agrícolas americanos.

Quando o tarifaço entra em vigor?

A medida foi anunciada em fevereiro de 2026 e deve entrar em vigor em março de 2026, com 30 dias de prazo para negociação.

O que a indústria brasileira pode fazer?

As associações setoriais buscam diversificar mercados, como a China e a União Europeia, para compensar a perda dos EUA.

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Larissa Quintela

Editoria Curiosidades

Larissa Quintela cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.