Na quinta-feira (3), uma idosa de 93 anos foi resgatada de um apartamento no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul de Manaus. Ela estava em situação de extrema vulnerabilidade, com cerca de 20 quilos e um quadro grave de desnutrição. O ambiente foi considerado insalubre pelas autoridades.
O resgate foi articulado pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio da 56ª Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência (Prodhid). A ação começou após a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) identificar a situação durante uma visita domiciliar.
Segundo o MPAM, a idosa é deficiente visual, mas estava consciente e conseguia falar e ouvir. Registros feitos no atendimento mostraram redução da massa muscular e pele extremamente ressecada. Ela foi encaminhada a uma unidade de saúde para receber cuidados médicos.
O promotor de Justiça Mirtil Fernandes do Vale, responsável pelo caso, relatou: "Ela foi encontrada deitada, utilizando apenas uma fralda geriátrica e com um lençol cobrindo o corpo, em um ambiente extremamente insalubre e com alta temperatura. É inaceitável deparar-se com uma situação como essa e não tomar nenhuma providência".
O caso expõe um problema que vai além dessa moradora: a dificuldade de garantir dignidade a pessoas idosas, mesmo com rede de proteção formal. A visita da Semsa foi o gatilho, mas quantos outros lares seguem invisíveis até que algo grave aconteça? Talvez valha a pena pensar no que podemos fazer, como vizinhos ou familiares, antes que o poder público precise agir.