O Irã negou nesta segunda-feira (14) qualquer envolvimento no conflito travado pelos Houthis, grupo aliado do regime iraniano, contra as forças governamentais do Iêmen e a Arábia Saudita. A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, em entrevista à imprensa.
Segundo Baqaei, os Houthis são totalmente independentes e tomam suas decisões em função de seus próprios interesses. O porta-voz afirmou ainda que o Irã não interfere nos assuntos iemenitas.
A negativa ocorre em meio à tomada de uma cidade estratégica no Iêmen pelos Houthis, movimento que ameaça a rota do comércio global que passa pela região. Entenda o que está por trás: a rota em questão é uma das principais artérias do transporte marítimo internacional, e qualquer instabilidade tende a repercutir em prazos e custos de frete para importadores e exportadores.
A Áustria e a pressão dos EUA
No mesmo pronunciamento, o porta-voz da chancelaria iraniana protestou contra uma decisão da Áustria que impediu o chefe do setor nuclear do Irã, Mohamad Eslami, de participar de uma conferência anual na sede da agência de energia atômica da ONU, em Viena. Baqaei classificou a medida do governo austríaco como totalmente injustificável e a creditou à pressão dos Estados Unidos.
A fala sobre pressão externa foi interrompida na fonte original, mas o tom do pronunciamento indica que o Irã trata os dois temas, o conflito no Iêmen e a restrição na Áustria, como parte de uma mesma ofensiva diplomática.
O que observar
Para quem acompanha o impacto no bolso, a atenção se volta à rota comercial citada na fala dos Houthis. Sem previsão de trégua, o mercado deve continuar precificando risco logístico na região. Do lado diplomático, a resposta da Áustria e dos Estados Unidos às acusações iranianas deve sair nos próximos dias.