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MPF instaura inquérito sobre contaminação por metais pesados em Alto Horizonte

ResumoO Ministério Público Federal (MPF) instaurou inquérito civil para apurar contaminação por metais pesados na zona rural de Alto Horizonte (GO). A investigação atende denúncias da Associação de Cidadãos Preocupados com o Meio Ambiente (ACPRAM) e inclui pedido de inquérito policial e medidas urgentes contra a mineradora responsável.

O MPF instaurou inquérito civil para apurar impactos ambientais e de saúde pública na zona rural de Alto Horizonte, após denúncias da ACPRAM sobre contaminação por metais pesados. A investigação inclui pedido de inquérito policial e medidas urgentes contra a mineradora.

Wesley Tanaka
MPF instaura inquérito sobre contaminação por metais pesados em Alto Horizonte

MPF instaura inquérito sobre contaminação por metais pesados em Alto Horizonte — Foto: Reprodução / Bombou na Web

MPF instaura inquérito após denúncias sobre contaminação por metais pesados em Alto Horizonte

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou inquérito civil para apurar impactos ambientais, sociais e de saúde pública na zona rural de Alto Horizonte. O alvo das investigações é um empreendimento voltado à extração de cobre e ouro. A atuação do MPF decorre de uma representação formal da Associação dos Atingidos e Contaminados por Poluição Resultante de Atividades de Mineradoras no Estado de Goiás (ACPRAM).

O que mudou com a instauração do inquérito do MPF em Alto Horizonte?

A principal mudança é que o MPF passou a atuar formalmente, com poder de requisição e recomendação, após as denúncias da ACPRAM. Antes, os relatos de contaminação ficavam restritos aos moradores e à associação. Agora, o MPF requisitou à Superintendência Regional da Polícia Federal no Estado de Goiás a abertura imediata de um inquérito policial para apurar a responsabilidade criminal por crime de poluição.

Denúncias da ACPRAM: o que motivou a ação do MPF?

A ACPRAM defende os interesses de moradores de propriedades situadas abaixo do fluxo das estruturas de rejeitos, com destaque para a Fazenda São Sebastião. Segundo os relatos, a expansão das atividades da empresa gerou uma degradação sistêmica na região. Diante da gravidade dos fatos e dos laudos técnicos apresentados pela ACPRAM, o MPF decidiu instaurar o inquérito civil.

A Fazenda São Sebastião e o fluxo de rejeitos

A fonte menciona a Fazenda São Sebastião como área crítica. Os moradores locais, representados pela ACPRAM, alegam que os rejeitos da mineração afetam diretamente suas propriedades. O MPF considerou os laudos técnicos suficientes para justificar a investigação formal.

Recomendações urgentes do MPF: o que a empresa e os órgãos devem fazer?

Nesta segunda-feira (20/7), o MPF expediu recomendações solicitando medidas urgentes para cessar os riscos à vida e à integridade dos atingidos. As recomendações são direcionadas a três grupos: a empresa mineradora, os órgãos de fiscalização e a Vigilância Sanitária municipal.

Para a empresa: fornecimento de água e obras de contenção

O MPF recomendou à empresa o fornecimento imediato, gratuito e contínuo de água potável (mineral ou via caminhões-pipa) às famílias afetadas. Também foi solicitada a perfuração e estruturação de um poço tubular profundo seguro, a instalação emergencial de sistemas de filtragem e tratamento, e a execução urgente de obras de engenharia para conter o carreamento de sedimentos oxidados vindos das pilhas de rejeito.

Para a SEMAD e ANM: inspeções e poder de polícia

Aos órgãos de fiscalização (SEMAD e ANM), recomendou-se a realização de inspeções in loco emergenciais nas estruturas da mineradora e a aplicação do poder de polícia para exigir o cumprimento de medidas mitigadoras sob pena de multas ou embargo das atividades.

Para a Vigilância Sanitária: alerta e isolamento zootécnico

À Vigilância Sanitária municipal, a orientação é para que haja a emissão de uma notificação sanitária de alerta aos moradores sobre o risco da água e a orientação técnica para o isolamento zootécnico (cercamento) das margens dos córregos poluídos, evitando o acesso do gado.

Prazo de cinco dias úteis para resposta

O MPF fixou o prazo comum e improrrogável de cinco dias úteis para que todas as partes informem se acatam os termos das Recomendações. A ausência de resposta ou a recusa motivará o ajuizamento imediato de uma Ação Civil Pública com pedidos de liminares urgentes e aplicação de penalidades diárias.

Plano de investigação oficial: perícia e estudos epidemiológicos

O MPF traçou um plano oficial de produção de provas técnicas e periciais para assegurar a ampla defesa e a robustez do processo. A Secretaria de Perícia e Pesquisa (SPPEA) do MPF foi acionada para designar uma banca multidisciplinar de especialistas em geologia, hidrogeologia, engenharia ambiental e toxicologia. Novas campanhas oficiais de coleta de água e solo serão coordenadas com os órgãos ambientais estatais.

Paralelamente, foi requisitada a condução de um amplo Estudo Epidemiológico oficial junto à Secretaria Estadual de Saúde de Goiás para dimensionar o impacto populacional crônico gerado na região, e equipes de segurança orgânica do MPF realizarão entrevistas formais de campo para reconstruir a cronologia dos danos.

Investigação criminal: o que a Polícia Federal vai apurar?

Na esfera penal, a Polícia Federal buscará individualizar as condutas dentro da estrutura corporativa da mineradora. A investigação criminal buscará identificar diretores, gerentes de operação e engenheiros ambientais que tenham agido com dolo ou culpa, inclusive por omissão penalmente relevante ao deixarem de conter os resíduos tóxicos.

O que significa "individualizar condutas"?

Em termos práticos, a PF não investiga a empresa como entidade abstrata, mas sim as pessoas físicas que tomaram decisões ou se omitiram. Isso pode incluir desde o diretor-presidente até o engenheiro responsável pelo plano de gestão de rejeitos.

O MPF já considerou a empresa culpada?

O MPF ressalta que as medidas adotadas obedecem a um juízo técnico acautelatório e de preservação da vida, sem configurar prejulgamento definitivo de culpabilidade da empresa ou de omissão estatal antes do encerramento das investigações.

Perguntas Frequentes

O que é o inquérito civil do MPF?

É um procedimento administrativo investigatório conduzido pelo Ministério Público Federal para apurar fatos que possam configurar lesão ao patrimônio público, à ordem econômica ou ao meio ambiente. Ele pode resultar em ação civil pública ou arquivamento.

Quem é a ACPRAM?

É a Associação dos Atingidos e Contaminados por Poluição Resultante de Atividades de Mineradoras no Estado de Goiás, que fez a representação formal ao MPF.

O que a empresa precisa fazer em cinco dias?

Ela precisa informar se acata as recomendações do MPF, que incluem fornecimento de água potável, perfuração de poço, instalação de filtros e obras de contenção de sedimentos.

Qual o papel da Polícia Federal no caso?

A PF foi requisitada a abrir inquérito policial para apurar crime de poluição, investigando individualmente diretores, gerentes e engenheiros da mineradora.

O que é isolamento zootécnico?

É o cercamento das margens de córregos poluídos para evitar que o gado tenha acesso à água contaminada, conforme recomendação do MPF à Vigilância Sanitária.

Quando o MPF pode entrar com ação civil pública?

Se as partes não responderem ou recusarem as recomendações no prazo de cinco dias úteis, o MPF pode ajuizar imediatamente uma Ação Civil Pública com pedidos de liminares urgentes e penalidades diárias.

Wesley Tanaka

Editoria Curiosidades

Wesley Tanaka cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.

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