Você já parou para pensar onde termina o papel de um dirigente esportivo e começa o de um ator político? Essa linha, que deveria ser clara, é o centro de uma nova polêmica envolvendo o presidente da Fifa, Gianni Infantino. Uma ONG protocolou uma denúncia formal no Comitê Olímpico Internacional (COI) acusando Infantino de violar o princípio de neutralidade política que rege as entidades esportivas internacionais.
Uma organização não governamental protocolou uma denúncia formal junto ao Comitê Olímpico Internacional contra o presidente da Fifa, Gianni Infantino, acusando-o de quebrar o princípio de neutralidade política da entidade. A representação alega que o dirigente usou seu cargo para fazer declarações e tomar posições que extrapolam o mandato esportivo, o que, segundo a ONG, fere a Carta Olímpica.
Por que a neutralidade política é um pilar do esporte?
O princípio de neutralidade política está no cerne do movimento olímpico. A Carta Olímpica, em seu artigo 50, proíbe qualquer manifestação ou propaganda política nos locais de competição. A ideia é que o esporte sirva como um espaço de união, acima de disputas partidárias ou ideológicas. Essa mesma lógica se estende às federações internacionais, como a Fifa, que devem atuar de forma apartidária.
Quando um dirigente usa seu cargo para tomar partido em questões políticas, ele coloca em risco a credibilidade da instituição e a confiança de atletas e torcedores. A denúncia da ONG se apoia justamente nesse ponto: Infantino teria rompido essa barreira ao se manifestar publicamente sobre temas que não dizem respeito ao futebol.
O que a ONG alega contra Infantino?
A denúncia, que já está nas mãos do COI, lista uma série de episódios em que Infantino teria agido como figura política, e não como presidente de uma entidade esportiva. Entre os exemplos citados, estariam declarações públicas sobre conflitos geopolíticos e reuniões com líderes de governos que, na visão da ONG, configuram uma tomada de posição.
A organização argumenta que, ao fazer isso, Infantino violou o compromisso de neutralidade que a Fifa assumiu ao ser reconhecida pelo COI. A quebra desse princípio pode, em tese, levar a sanções, como advertências ou até mesmo a suspensão temporária da entidade.
Quais as possíveis consequências para Infantino e para a Fifa?
O COI tem um histórico de punir federações que violam o princípio de neutralidade. Em 2022, por exemplo, o Comitê recomendou a suspensão de atletas e dirigentes russos após a invasão da Ucrânia, justamente por entender que o esporte não poderia ficar alheio àquele contexto. Mas a denúncia contra Infantino é diferente: ela não trata de um governo, e sim de um dirigente que, supostamente, usou a instituição para fins políticos.
Se a representação for acolhida, o COI pode abrir uma investigação formal. Caso as acusações sejam confirmadas, as sanções podem variar de uma advertência pública à suspensão temporária de Infantino de cargos no movimento olímpico. Para a Fifa, o risco é de manchar ainda mais a imagem de uma entidade que já enfrenta críticas recorrentes por sua governança.
O que diz a defesa de Infantino?
Até o momento, nem Infantino nem a Fifa se pronunciaram oficialmente sobre a denúncia. Nos bastidores, aliados do dirigente argumentam que ele sempre agiu dentro dos limites do seu cargo e que suas declarações foram mal interpretadas. A defesa deve se apoiar no fato de que a Fifa, como entidade global, precisa dialogar com governos de todos os espectros políticos para promover o futebol.
No entanto, a linha entre diálogo institucional e posicionamento político é tênue. E é exatamente essa linha que a ONG pede que o COI examine com lupa.
Perguntas Frequentes
O que é o princípio de neutralidade política no esporte?
É a diretriz que impede que entidades esportivas e seus dirigentes tomem partido em questões políticas, garantindo que o esporte permaneça um espaço de união e imparcialidade.
A ONG pode realmente processar Infantino no COI?
Sim. O COI possui um código de ética que permite que qualquer parte interessada apresente denúncias contra membros do movimento olímpico, incluindo presidentes de federações internacionais.
Infantino corre risco de perder o cargo na Fifa?
A denúncia no COI não afeta diretamente o cargo de Infantino na Fifa, que é uma entidade separada. Mas uma eventual condenação pelo COI poderia gerar pressão política para que ele se afaste.
Já houve casos semelhantes no passado?
Sim. Em 2015, o COI suspendeu o Kuwait por interferência política no esporte. Mais recentemente, a Rússia foi alvo de sanções por violar princípios de neutralidade após a invasão da Ucrânia.
O que pode acontecer com a Fifa se a denúncia for acolhida?
A Fifa pode receber uma advertência formal ou, em caso extremo, ter seu reconhecimento pelo COI suspenso temporariamente, o que afetaria a participação de seleções em eventos olímpicos.
E você, acha que dirigentes esportivos devem se manifestar sobre política ou o silêncio é a melhor postura?