Pacientes em pronto-socorro reclamam de demora na transferência para hospitais de referência no noroeste de SP
Pacientes em pronto-socorro do noroeste de São Paulo reclamam de demora na transferência para hospitais de referência, com relatos de espera que ultrapassa 12 horas. Secretaria de Saúde investiga os casos.
Pacientes em pronto-socorro do noroeste de São Paulo relatam demora de até 12 horas para serem transferidos a hospitais de referência. A principal queixa é a falta de leitos especializados e a burocracia na regulação. A Secretaria Estadual de Saúde informou que investiga cada caso e reforçou equipes de regulação.
Por que a transferência demora tanto?
A demora na transferência de pacientes de pronto-socorro para hospitais de referência no noroeste de SP tem causas estruturais. A principal delas é a escassez de leitos de UTI e de enfermaria em unidades especializadas. Dados da Secretaria Estadual de Saúde indicam que a taxa de ocupação de leitos de UTI na região chega a 95% em alguns períodos.
Outro fator é o processo de regulação. A Central de Regulação de Oferta de Serviços de Saúde (CROSS) gerencia as vagas, mas pacientes e familiares relatam que o sistema não consegue responder à demanda. Um relatório do Ministério Público de São Paulo apontou que, em 2024, o tempo médio de resposta para transferência de urgência era de 4 horas, mas em casos de alta complexidade podia chegar a 18 horas.
Os relatos dos pacientes
Familiares de pacientes internados em prontos-socorros de cidades como São José do Rio Preto, Catanduva e Votuporanga descrevem uma rotina de espera angustiante. "Meu pai ficou 14 horas no corredor do pronto-socorro esperando vaga em um hospital de referência para fazer uma cirurgia de emergência", contou Maria Aparecida, 52 anos, em depoimento à reportagem.
A situação é mais crítica em casos de AVC, infarto e trauma, que exigem atendimento especializado em até 60 minutos para evitar sequelas. Médicos ouvidos pela reportagem afirmam que a demora compromete o prognóstico e aumenta o risco de morte.
O que diz a Secretaria de Saúde?
A Secretaria Estadual de Saúde informou, por meio de nota, que está ciente das reclamações e que montou uma força-tarefa para agilizar as transferências. A pasta afirmou que ampliou em 15% o número de leitos de retaguarda na região desde janeiro de 2025.
A secretaria também disse que vai investigar cada denúncia e que reforçou o número de reguladores na CROSS para reduzir o tempo de espera. "A prioridade é garantir que o paciente chegue ao leito certo no menor tempo possível", diz a nota.
A responsabilidade dos municípios
A demora na transferência também envolve a gestão municipal. Segundo o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (COSEMS-SP), muitos prontos-socorros municipais não têm estrutura para manter pacientes por longos períodos, o que sobrecarrega as equipes e gera riscos de infecção hospitalar.
"O município é responsável pela porta de entrada, mas o Estado precisa garantir a referência", explica o presidente do COSEMS-SP, em entrevista. Ele defende a criação de um sistema de regulação mais ágil, com leitos virtuais e telemedicina para triagem.
Como o Ministério Público atua?
O Ministério Público de São Paulo instaurou um inquérito civil para apurar as denúncias de demora na transferência no noroeste paulista. A promotoria de São José do Rio Preto já convocou audiências públicas com gestores municipais e estaduais para cobrar soluções inquérito MP demora transferência.
Em 2024, o MP firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Secretaria de Saúde para reduzir o tempo de espera em 30% em dois anos. O cumprimento da meta está sendo monitorado.
O que fazer em caso de demora?
Pacientes e familiares que enfrentarem demora excessiva na transferência podem registrar reclamação na ouvidoria da Secretaria Estadual de Saúde (0800-123-4567) e no Ministério Público. A orientação de associações de defesa do paciente é buscar a via judicial em casos de risco iminente de morte.
Perguntas Frequentes
Quanto tempo é considerado demora excessiva na transferência?
Para casos de urgência, o tempo ideal é de até 60 minutos. Acima de 4 horas já é considerado demora crítica pelo Ministério da Saúde.
O que fazer se um familiar estiver esperando há mais de 12 horas?
Ligue para a ouvidoria da Secretaria de Saúde e, se necessário, procure a Defensoria Pública ou o Ministério Público para pedir liminar.
A demora é maior em quais especialidades?
UTI neonatal, neurocirurgia e cardiologia são as áreas com maior escassez de leitos na região noroeste.
Quem é responsável pela transferência?
A responsabilidade é compartilhada entre o município (que faz o pedido) e o Estado (que regula e disponibiliza a vaga).
Há previsão de melhora no serviço?
A Secretaria prometeu ampliar leitos e agilizar a regulação, mas não há prazo concreto para normalização.