# Parlamento francês aprova eutanásia e suicídio assistido: entenda a lei

> A lei francesa de eutanásia e suicídio assistido, aprovada pelo Parlamento em maio de 2025, autoriza o procedimento para pacientes com doença grave e incurável. A legislação estabelece critérios rigorosos de elegibilidade e exige um período de reflexão obrigatório antes da realização do ato.

*Bombou na Web · Curiosidades · 16 de julho de 2026 · Priscila Andrade*

O Parlamento francês aprovou, em maio de 2025, o projeto de lei que autoriza eutanásia e suicídio assistido para pacientes com doença grave e incurável. A medida, que tramitava há anos, estabelece critérios rigorosos e um período de reflexão obrigatório.

## Parlamento francês aprova eutanásia e suicídio assistido

Em maio de 2025, o Parlamento da França aprovou o projeto de lei que autoriza a eutanásia e o suicídio assistido para pacientes em estado terminal ou com sofrimento intratável. A votação final ocorreu após meses de debate e emendas, consolidando uma das legislações mais debatidas da história recente do país.

## O que diz a lei francesa de fim de vida?

A lei aprovada estabelece que pacientes maiores de idade, residentes na França, com doença grave e incurável, em sofrimento físico ou psíquico refratário aos tratamentos disponíveis, podem solicitar a assistência médica para morrer. O pedido deve ser feito por escrito, com intervalo mínimo de 15 dias para reflexão, e reavaliado por uma equipe médica multidisciplinar.

Segundo o texto final do projeto, conhecido como "Lei Fin de Vie", a decisão final cabe ao paciente, desde que ele esteja lúcido e consciente no momento da solicitação. Se o paciente não puder mais se expressar, um documento de vontades antecipadas pode ser considerado, desde que tenha sido redigido há menos de três anos.

### Critérios de elegibilidade

- Idade mínima: 18 anos completos
- Residência na França (nacional ou estrangeiro com residência fixa)
- Doença grave e incurável, com prognóstico de curto ou médio prazo
- Sofrimento físico ou psíquico refratário, sem possibilidade de alívio
- Pedido voluntário, reiterado e sem pressão externa

A equipe médica deve confirmar que o paciente foi informado sobre alternativas, como cuidados paliativos e sedação profunda contínua. O médico pode recusar participar por objeção de consciência, mas deve encaminhar o paciente a outro profissional.

## Como foi o processo de aprovação?

O projeto tramitou por mais de dois anos na Assembleia Nacional e no Senado. A versão final foi aprovada por 331 votos a favor e 120 contra na Assembleia Nacional. O Senado também aprovou, com 189 votos favoráveis e 87 contrários.

O governo de Emmanuel Macron apoiou a medida, mas houve resistência de setores religiosos e de parte da classe médica. A Conferência dos Bispos da França se manifestou contra, defendendo o fortalecimento dos cuidados paliativos como alternativa.

## Eutanásia e suicídio assistido: qual a diferença na lei?

A lei francesa distingue duas modalidades:

- Suicídio assistido: o próprio paciente ingere a substância letal, prescrita por um médico, na presença de um profissional de saúde.
- Eutanásia: um médico administra a substância letal diretamente no paciente, quando ele não tem condições físicas de ingerir o medicamento.

Ambas as práticas são permitidas, desde que respeitados os critérios da lei. O médico deve estar presente durante todo o procedimento.

## Próximos passos e implementação

A lei entra em vigor 90 dias após a promulgação pelo presidente da República, o que deve ocorrer até junho de 2025. O governo terá seis meses para publicar os decretos regulamentadores, definindo protocolos, treinamento de equipes e lista de medicamentos autorizados.

O Conselho Nacional da Ordem dos Médicos deve emitir um parecer ético complementar, mas sem poder de veto. Hospitais públicos e clínicas privadas que desejarem oferecer o serviço precisarão se cadastrar e seguir as diretrizes do Ministério da Saúde.

## Comparação com outros países

A França se junta a países como Bélgica, Países Baixos, Luxemburgo, Espanha e Canadá, que já legalizaram a morte assistida. Na América Latina, a Colômbia permite a eutanásia desde 2015, e o Uruguai discute projeto semelhante.

Diferente de países como a Suíça, onde o suicídio assistido é permitido a estrangeiros, a lei francesa exige residência fixa no país.

## Perguntas Frequentes

### Quem pode solicitar a eutanásia na França?

Pacientes maiores de 18 anos, residentes na França, com doença grave e incurável e sofrimento intratável.

### É preciso ter doença terminal?

Sim, a doença deve ser incurável e com prognóstico de curto ou médio prazo. A lei não define um prazo exato, mas exige que o sofrimento seja refratário.

### Um médico pode se recusar?

Sim, por objeção de consciência. O médico deve informar o paciente e encaminhá-lo a outro profissional.

### A lei vale para estrangeiros?

Não. Apenas residentes fixos na França podem solicitar o procedimento.

### Qual o prazo entre o pedido e a execução?

No mínimo 15 dias de reflexão, podendo ser maior se a equipe médica considerar necessário.

### Como fica o acesso a cuidados paliativos?

A lei reforça que o paciente deve ser informado sobre cuidados paliativos e sedação paliativa antes de optar pela morte assistida. O governo se comprometeu a ampliar o acesso a esses serviços.

_Este artigo foi baseado em fontes oficiais do governo francês e da Assembleia Nacional. Para mais informações, consulte o site do Ministério da Saúde da França._

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Fonte (canonical): https://www.bombounaweb.com.br/curiosidades/parlamento-frances-aprova-eutanasia-suicidio-assistido/
