# Petróleo passa de US$ 96 e amplia temor sobre inflação global: o que muda para você

> O petróleo Brent ultrapassou US$ 96 nesta quinta-feira (23), maior nível desde junho, pressionado pela escalada do conflito entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz. A alta renova temores sobre inflação global, elevando custos de combustíveis e transporte, com impacto direto no preço de alimentos e produtos industrializados no Brasil.

*Bombou na Web · Curiosidades · 23 de julho de 2026 · Kelly Nascimento*

O petróleo Brent ultrapassou US$ 96 nesta quinta-feira (23), maior nível desde junho, pressionado pela escalada do conflito entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz. A alta renova temores sobre a inflação global e pode chegar ao seu bolso. Veja como.

Você abre o aplicativo do banco e vê o preço do combustível subindo de novo. A fatura do cartão chega mais salgada, e o mercado entrega que o arroz ou o leite estão mais caros. Talvez você se reconheça aqui: a sensação de que tudo está ficando mais caro, e a gente não sabe bem por quê.

Mas há uma razão concreta, que veio do outro lado do mundo. O petróleo Brent, referência internacional, superou os US$ 96 (cerca de R$ 486,06) por barril nesta quinta-feira (23), o maior nível desde o início de junho. A escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar o mercado de energia e acendeu um alerta global sobre a inflação.

**O que aconteceu com o petróleo?**

O avanço ocorre em meio ao aumento das preocupações com o fornecimento global de petróleo. O motivo imediato são as restrições à navegação no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte da commodity. Por ali, normalmente transita cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural comercializado globalmente.

Na quarta-feira (22), os militares americanos anunciaram a 12ª noite consecutiva de ataques contra o Irã, enquanto os dois lados ampliam ações contra infraestruturas civis. A continuidade dos confrontos tem dificultado a circulação de petroleiros no estreito, criando um gargalo no fornecimento.

Os números falam por si: o Brent subia 2,2%, para US$ 96,14 por barril. O petróleo WTI, referência nos EUA, avançava 1,8%, para US$ 88,35. Para ter ideia, no começo do mês, o Brent era negociado abaixo de US$ 72, antes da intensificação do conflito.

**Como a alta do petróleo chega ao seu bolso?**

Quando o petróleo sobe, a cadeia de produção inteira sente. O diesel encarece o frete, a gasolina pesa no orçamento das famílias, e os derivados (plásticos, fertilizantes, asfalto) pressionam os preços industriais. O resultado é uma pressão inflacionária que o Banco Central monitora de perto.

No Brasil, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) já vinha mostrando variações mensais que refletem esse cenário. Segundo o IBGE, em maio de 2026, o IPCA registrou variação de 0,58%. Em abril, foi 0,67%, e em março, 0,88%. Esses números mostram que a inflação já estava em trajetória de alta antes mesmo do petróleo disparar.

Se o Brent continuar acima de US$ 96, a tendência é que os preços dos combustíveis repassem esse custo ao consumidor nas próximas semanas. E como a energia é um insumo básico, o efeito se espalha: alimentos, transporte, aluguel, tudo pode ficar mais caro.

**O que o Banco Central pode fazer?**

Diante de pressões inflacionárias, o Banco Central costuma elevar a taxa básica de juros (Selic) para conter a demanda e segurar os preços. Uma Selic mais alta encarece o crédito, desestimula o consumo e, por tabela, pode desaquecer a economia. É um jogo de equilíbrio delicado.

Para quem tem dívidas ou financiamentos, juros mais altos significam parcelas maiores. Para quem investe, pode ser uma oportunidade em renda fixa, mas o cenário de incerteza global também mexe com a bolsa e o câmbio.

**O que esperar daqui para frente?**

O mercado de petróleo é sensível a conflitos geopolíticos. Enquanto não houver uma desescalada entre EUA e Irã, o risco de interrupção no fornecimento continua alto. O Estreito de Ormuz é uma artéria vital: um quinto do petróleo e gás do mundo passa por ali. Qualquer novo ataque ou bloqueio pode jogar o Brent ainda mais para cima.

Por outro lado, a Agência Internacional de Energia e países como a Arábia Saudita podem aumentar a produção para compensar o aperto, o que aliviaria os preços. Mas isso leva tempo e depende de acordos políticos.

Vale a pena parar para pensar: a alta do petróleo não é um fenômeno distante. Ela está ligada ao preço da gasolina que você coloca no carro, ao custo do frete que entrega sua compra online e até ao valor do pãozinho na padaria. Entender essa conexão ajuda a tomar decisões mais conscientes, como evitar gastos supérfluos ou renegociar dívidas antes que os juros subam.

**Perguntas Frequentes**

### O que é o Estreito de Ormuz?

É uma passagem marítima estratégica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, por onde transita cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural comercializado globalmente.

### Por que o conflito EUA-Irã afeta o petróleo?

Porque os confrontos dificultam a navegação de petroleiros no Estreito de Ormuz, reduzindo a oferta global e pressionando os preços para cima.

### Quanto o petróleo subiu?

O Brent passou de abaixo de US$ 72 no início do mês para US$ 96,14 nesta quinta-feira (23), uma alta de mais de 33%. O WTI subiu para US$ 88,35.

### Como a alta do petróleo afeta a inflação no Brasil?

O petróleo encarece combustíveis e derivados, o que pressiona o IPCA. O Banco Central pode elevar a Selic para conter a inflação, encarecendo o crédito.

### O que fazer para se proteger?

Reveja gastos com combustível, priorize transporte público ou caronas, e fique atento a renegociações de dívidas antes de novos aumentos de juros.

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Fonte (canonical): https://www.bombounaweb.com.br/curiosidades/petroleo-passa-us-96-amplia-temor-sobre-inflacao-global/
