Aliança no Ceará: PL e Ciro Gomes unem forças sem compromisso nacional
O que leva um partido de oposição nacional a apoiar um candidato ao governo que não endossa seu nome para a Presidência? No Ceará, a resposta é pragmática: derrotar o PT. O deputado federal André Fernandes (PL-CE) declarou na quarta-feira (22 de julho de 2026) que não foi discutido apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em troca da aliança do partido com o candidato ao governo do estado, Ciro Gomes (PSDB). A declaração ocorreu após a convenção partidária que oficializou a coligação estadual com o tucano.
A aliança entre PL e Ciro Gomes no Ceará é exclusivamente local e tem como principal objetivo derrotar o PT, partido do governador Elmano de Freitas. "Nunca teve esse acordo de ele votar em Flávio Bolsonaro, nunca teve... O nosso acordo é aqui no Ceará para derrotar o PT", afirmou Fernandes. "Então, o nosso acordo é local. Nós do PL estamos apoiando Ciro Gomes. Ciro Gomes está nos apoiando, ou seja, nós do PL Ceará e está tudo bem", completou o congressista.
Por que Ciro ignorou Flávio e mirou em Caiado e Renan Santos?
Uma semana antes, em 18 de julho, Ciro declarou que, com a desistência de Aécio Neves (PSDB), avaliava apoiar Ronaldo Caiado (PSD) ou Renan Santos (Missão) para a Presidência da República. Não mencionou Flávio. A ausência do nome Bolsonaro na fala de Ciro não é casual, é estratégica na disputa local.
No Ceará, o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro fica atrás do PT nos resultados eleitorais para presidente. Em 2022, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu em todos os 184 municípios do estado e teve 3.807.782 votos, enquanto Bolsonaro obteve 1.634.473. A diferença de mais de 2 milhões de votos ajuda a explicar por que Ciro, que busca se descolar da polarização nacional, prefere não se atrelar ao sobrenome Bolsonaro.
O imbróglio da candidatura ao Senado e as divergências internas
André Fernandes também negou afastamentos ou divergências internas no grupo depois da decisão de não lançar a vereadora Priscila Costa (PL) para o Senado. Ela concorrerá à Câmara dos Deputados. "Não tem esse afastamento, nunca houve. Na verdade, boa parte da imprensa sempre tentou aí pinçar essa briga e dizer que, enfim, havia divergência... Mas, quando perguntava para qualquer um do grupo, dizia: 'Não, não tem divergência'", declarou.
A eventual candidatura de Priscila ao Senado provocou divergências entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e Flávio. Michelle defendia o nome da vereadora, enquanto o grupo liderado por André Fernandes apoiava o deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE), seu pai. O impasse se ampliou com a aproximação do PL cearense a Ciro na disputa pelo governo estadual. Michelle criticou a articulação, enquanto Flávio participou, em 10 de julho, do evento que oficializou a pré-candidatura de Alcides ao Senado. Na ocasião, André afirmou que a escolha do pai foi feita por Jair Bolsonaro (PL).
Ciro vê aliança como "exemplo para o Brasil"
Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Ciro disse estar "profundamente honrado" com a homologação da aliança para combater a violência e a corrupção. O tucano afirmou que a união é um "exemplo para o Brasil" de como "diminuir a radicalização" e "colocar as diferenças de lado" em prol de "ajudar o povo a superar os problemas".
A declaração de Ciro contrasta com o tom da cúpula nacional do PL, que tenta manter a base unida em torno de um nome para a Presidência. Mas no Ceará, a lógica local fala mais alto. A pergunta que fica é: até onde essa aliança pragmática consegue se sustentar sem que as diferenças nacionais venham à tona?
O que a aliança PL-Ciro significa para o eleitor cearense?
Para o eleitor no Ceará, a mensagem principal é que o PL local priorizou a derrota do PT no estado sobre a fidelidade a um candidato nacional. Isso pode atrair eleitores cansados da polarização, mas também gerar desconfiança entre os bolsonaristas mais ferrenhos. A ausência de um acordo explícito sobre o apoio a Flávio deixa espaço para interpretações, e para futuras negociações.
Enquanto isso, Ciro segue sua campanha tentando equilibrar o apoio do PL com sua imagem de independência. A promessa é de união contra a violência e a corrupção. A entrega, porém, ainda será testada nas urnas.
Perguntas Frequentes
O PL do Ceará firmou acordo para Ciro apoiar Flávio Bolsonaro?
Não. O deputado André Fernandes (PL-CE) negou qualquer acordo nesse sentido. A aliança é exclusivamente local para derrotar o PT.
Quem Ciro Gomes pretende apoiar para presidente?
Em 18 de julho, Ciro declarou que avaliava apoiar Ronaldo Caiado (PSD) ou Renan Santos (Missão). Não mencionou Flávio Bolsonaro.
Por que o PL do Ceará apoiou Ciro Gomes?
O objetivo principal é derrotar o PT no estado, partido do governador Elmano de Freitas. A aliança é pragmática e local.
Houve divergências internas no PL do Ceará?
André Fernandes negou afastamentos, mas a candidatura de Priscila Costa ao Senado gerou divergências entre Michelle Bolsonaro e Flávio. Priscila concorrerá à Câmara dos Deputados.
Qual foi o resultado eleitoral de 2022 no Ceará?
Em 2022, Lula (PT) venceu em todos os 184 municípios, com 3.807.782 votos, contra 1.634.473 de Bolsonaro (PL).
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