Curiosidades

PoderData/Aya: 17% só escolhem candidato por rejeitarem os demais | Análise 2026

ResumoPesquisa PoderData/Aya de 2026 indica que 17% dos eleitores brasileiros escolhem candidato exclusivamente para rejeitar outro. O voto útil, baseado na rejeição a adversários, redefine estratégias de campanha. O dado expõe o peso da antipatia na decisão eleitoral, superando a convicção política como motor do voto.

Pesquisa PoderData/Aya revela que 17% dos eleitores decidem o voto não por convicção, mas para barrar um adversário. O dado expõe o peso da rejeição na escolha eleitoral e o crescimento do chamado voto útil, fenômeno que redefine estratégias de campanha em 2026.

Kelly Nascimento
PoderData/Aya: 17% só escolhem candidato por rejeitarem os demais | Análise 2026

PoderData/Aya: 17% só escolhem candidato por rejeitarem os demais | Análise 2026 — Foto: Reprodução / Bombou na Web

PoderData/Aya: 17% só escolhem um candidato por rejeitarem os demais

Você já votou em alguém só para não ver outra pessoa vencer? Talvez você se reconheça aqui. Uma pesquisa recente do instituto PoderData, em parceria com a Aya, revelou que 17% dos eleitores brasileiros fazem exatamente isso: escolhem um candidato não por admirá-lo, mas por rejeitarem todos os outros. O número é maior do que o registrado em levantamentos anteriores, quando a média ficava em torno de 12%. Vale a pena parar pra pensar: o que leva tanta gente a votar contra, e não a favor?

Segundo a pesquisa PoderData/Aya, divulgada em maio de 2026, 17% dos entrevistados afirmaram que seu voto é definido pela rejeição aos demais candidatos. O dado, coletado entre os dias 20 e 22 de maio, ouviu 3.000 eleitores em todas as regiões do país, com margem de erro de dois pontos percentuais. O fenômeno, conhecido como voto útil, ganha contornos mais nítidos em um cenário de polarização, onde a antipatia por um nome supera a simpatia por outro.

O que é o voto útil e por que ele cresce

O voto útil não é novidade na política brasileira. Em 2018, pesquisa Datafolha apontava que 14% dos eleitores votavam para evitar a vitória de um candidato específico. Em 2022, o índice subiu para 16% (Datafolha, out/2022). Agora, em 2026, o PoderData/Aya registra 17%. A alta, ainda que dentro da margem de erro, sugere uma tendência: a rejeição se consolida como motor da decisão eleitoral.

Do ponto de vista da psicologia política, o voto útil é um atalho mental. Quando o eleitor se sente sobrecarregado por informações contraditórias ou desiludido com as opções, ele recorre a uma heurística simples: "qualquer um menos aquele". É uma estratégia de redução de danos, não de afirmação de preferência.

Como a rejeição se distribui entre os eleitores

A pesquisa PoderData/Aya também segmentou o voto por rejeição entre grupos demográficos. Entre eleitores com ensino superior completo, o índice chega a 21%. Já entre aqueles com renda familiar acima de cinco salários mínimos, o percentual é de 19%. Nas regiões Sul e Sudeste, o voto útil por rejeição atinge 18% e 17%, respectivamente, enquanto no Nordeste fica em 15%.

Os dados indicam que quanto maior o acesso à informação e à renda, maior a tendência a votar contra alguém. Vale a pena parar pra pensar: será que a informação, em vez de formar convicções, está apenas reforçando rejeições?

Rejeição versus aprovação: o que pesa mais na urna

Tradicionalmente, as campanhas eleitorais focam em construir imagem positiva do candidato. Mas o crescimento do voto útil sugere que, para uma fatia significativa do eleitorado, o trabalho de desconstrução do adversário pode ser mais eficaz do que a promoção do próprio nome. Em 2026, com 17% dos votos sendo decididos por rejeição, candidatos que conseguem se posicionar como a "alternativa menos pior" podem ter vantagem.

A psicologia explica: o medo da perda é um motivador mais forte do que a expectativa de ganho. É o princípio da aversão à perda, estudado por Kahneman e Tversky. No contexto eleitoral, isso significa que o eleitor prefere garantir que o candidato rejeitado não vença, mesmo que isso signifique apoiar alguém com quem não tem afinidade.

O impacto nas estratégias de campanha

Para os marqueteiros, o dado do PoderData/Aya é um sinal de alerta. Se 17% dos eleitores estão abertos ao voto útil, campanhas precisam investir tanto em construir rejeição ao adversário quanto em fortalecer a própria imagem. O chamado "voto negativo" ganha espaço.

No segundo turno, o fenômeno tende a se intensificar. Histórico do TSE mostra que, em 2022, 22% dos eleitores que votaram no segundo turno declararam ter escolhido o candidato para evitar a vitória do outro (Datafolha, out/2022). A tendência é que 2026 repita ou supere esse patamar.

O que a rejeição revela sobre o eleitor brasileiro

A pesquisa PoderData/Aya não apenas mede um número: ela revela um estado de espírito. Quando 17% dos eleitores dizem que seu voto é contra, e não a favor, isso sugere desencanto com o sistema político, cansaço com a polarização e uma sensação de que as opções disponíveis não representam seus interesses.

Vale a pena parar pra pensar: em vez de perguntar "em quem você vai votar?", talvez a pergunta mais honesta seja "quem você quer evitar?" A resposta pode dizer mais sobre o momento político do que qualquer intenção de voto.

Perguntas Frequentes

O que é a pesquisa PoderData/Aya?

É um levantamento eleitoral realizado pelo instituto PoderData em parceria com a Aya, que ouviu 3.000 eleitores em maio de 2026 para mapear intenções de voto e rejeição.

Como o voto útil se diferencia do voto de protesto?

O voto útil é estratégico: o eleitor escolhe um candidato viável para barrar outro. Já o voto de protesto é uma rejeição a todo o sistema, muitas vezes depositado em candidatos com pouca chance real.

O índice de 17% é alto para a história recente?

Sim. Em 2018, o voto por rejeição era de 14%; em 2022, 16%. O dado de 2026, embora dentro da margem de erro, mantém a trajetória de alta.

A rejeição é maior em eleitores mais escolarizados?

Sim. Entre eleitores com ensino superior, o voto por rejeição chega a 21%, contra 15% entre os de ensino fundamental.

O voto útil é mais comum no primeiro ou segundo turno?

No segundo turno, o fenômeno se intensifica, já que a escolha é binária. Em 2022, 22% dos eleitores declararam voto útil no segundo turno.

Como os candidatos podem usar esse dado?

Campanhas podem focar em estratégias de rejeição ao adversário, mas também precisam oferecer motivos positivos para o voto, já que 83% dos eleitores ainda escolhem por convicção.

Kelly Nascimento

Editoria Curiosidades

Kelly Nascimento cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.