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População em situação de rua cresce em Goiânia e rede de acolhimento é questionada

ResumoA população em situação de rua em Goiânia cresce e a rede de acolhimento da capital é questionada. A Prefeitura intensifica abordagens em áreas centrais, enquanto uma decisão judicial exige adequações no Centro POP. O coordenador do MNPR-GO aponta redução de vagas no sistema de acolhimento.

A retirada de pessoas em situação de rua de áreas centrais de Goiânia reacendeu o debate sobre a rede de acolhimento da capital. Enquanto a Prefeitura intensifica abordagens, uma decisão judicial determinou adequações no Centro POP. O coordenador do MNPR-GO aponta redução de vaga

Kelly Nascimento
População em situação de rua cresce em Goiânia e rede de acolhimento é questionada

População em situação de rua cresce em Goiânia e rede de acolhimento é questionada — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Talvez você já tenha passado por uma situação parecida: ao caminhar pelo centro de Goiânia, reparou em mais pessoas vivendo nas ruas. Nos últimos meses, a Prefeitura intensificou ações de abordagem social e encaminhamento para serviços de assistência, saúde e acolhimento. Mas o que acontece depois que essas pessoas são retiradas dos espaços públicos? A rede de acolhimento da capital tem estrutura para garantir atendimento contínuo e possibilidades reais de saída das ruas?

A população em situação de rua em Goiânia cresceu de cerca de 1,7 mil pessoas entre 2011 e 2012 para aproximadamente quatro mil atualmente, segundo estimativa do Movimento Nacional da População em Situação de Rua de Goiás (MNPR-GO). Enquanto isso, a rede de acolhimento reduziu a capacidade de vagas e o tempo de permanência, e o Centro POP foi alvo de ação do Ministério Público.

O crescimento da população em situação de rua em Goiânia

Segundo o coordenador do MNPR-GO, Eduardo Matos, a capital goiana viu um aumento expressivo no número de pessoas vivendo nas ruas. Entre 2011 e 2012, eram cerca de 1,7 mil. Hoje, a estimativa do movimento é de aproximadamente quatro mil pessoas. O dado contrasta com a estrutura disponível para acolhimento, que, segundo Matos, não acompanhou esse crescimento.

Eduardo conhece essa realidade por experiência própria. Há cerca de 15 anos, chegou a Goiânia em situação de extrema vulnerabilidade, com problemas relacionados ao uso de drogas, sem vínculos familiares e sem perspectivas de mudança. O atendimento recebido pelas políticas públicas, afirma, foi decisivo para transformar sua trajetória.

"Eu cheguei sem acreditar que tinha solução. Foi a política pública que mudou minha vida. Passei pela assistência social, fui atendido na saúde, voltei a estudar, consegui emprego e reconstruí minha relação com a minha família. Hoje sou servidor público e atuo na defesa da população em situação de rua", relata.

Rede de acolhimento: menos vagas e menos tempo

Ao comparar a estrutura de atendimento de anos anteriores com o cenário atual, Eduardo afirma que houve redução da capacidade de acolhimento em Goiânia. A antiga casa de acolhida chegou a atender mais de 200 pessoas, com possibilidade de permanência por até seis meses. Esse período maior permitia desenvolver um acompanhamento mais completo, com reconstrução de vínculos familiares, continuidade de tratamentos de saúde, retorno aos estudos e busca por emprego.

Atualmente, os dois abrigos municipais existentes oferecem aproximadamente 100 vagas e trabalham com permanência de cerca de 30 dias. Para Matos, o tempo reduzido dificulta o acompanhamento de pessoas que precisam de um processo mais longo para reorganizar a vida.

A redução de profissionais especializados

Além da limitação de vagas, dificuldades relacionadas à composição das equipes responsáveis pelo atendimento também são um problema. Segundo a entidade, houve redução de profissionais especializados que atuavam diretamente no acompanhamento da população em situação de rua. O coordenador afirma que existe a necessidade de ampliar a presença de assistentes sociais, psicólogos e outros profissionais para garantir um atendimento contínuo.

O Consultório na Rua e a mudança no atendimento

Eduardo também cita mudanças no funcionamento do Consultório na Rua, serviço voltado ao atendimento dessa população. Segundo Matos, a estrutura, que anteriormente realizava acompanhamento multidisciplinar, passou a concentrar sua atuação em atendimentos mais pontuais de saúde, reduzindo o acompanhamento psicossocial.

"O problema da situação de rua não é apenas a falta de moradia. Envolve saúde, educação, trabalho, vínculos familiares e saúde mental. Por isso, a política precisa ser intersetorial", afirma.

Centro POP na mira da Justiça

A estrutura do Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro POP), localizado no Setor Aeroporto, também está no centro das discussões. A unidade foi alvo de uma ação do Ministério Público de Goiás, que apontou problemas relacionados à estrutura física e às condições de atendimento. A Justiça determinou que o município realize adequações no espaço para garantir melhores condições de funcionamento.

Para o MNPR-GO, além das melhorias físicas, é necessário ampliar a capacidade de atendimento e fortalecer as atividades voltadas à reinserção social.

O que diz a Prefeitura de Goiânia

Em nota, a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) informou que mantém ações permanentes voltadas ao atendimento da população em situação de rua. A pasta afirma que o trabalho é realizado de forma integrada com a rede socioassistencial, com encaminhamentos para unidades de acolhimento, emissão de documentos, inscrição e atualização no Cadastro Único, acesso aos serviços de saúde e inclusão em programas de qualificação profissional.

Segundo a secretaria, o enfrentamento da situação de rua é baseado na proteção social, reconstrução de vínculos e promoção da autonomia. O município afirma ainda que tem ampliado ações de atendimento e fortalecido políticas públicas para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Perguntas Frequentes

Por que a população em situação de rua cresceu em Goiânia?

Segundo estimativa do MNPR-GO, o número passou de cerca de 1,7 mil entre 2011 e 2012 para aproximadamente quatro mil atualmente. O coordenador Eduardo Matos aponta que a rede de acolhimento não acompanhou esse crescimento.

Quantas vagas existem nos abrigos municipais de Goiânia?

Atualmente, os dois abrigos municipais oferecem aproximadamente 100 vagas, com permanência de cerca de 30 dias.

O que mudou no Consultório na Rua?

Segundo Eduardo Matos, o serviço passou a concentrar sua atuação em atendimentos mais pontuais de saúde, reduzindo o acompanhamento psicossocial.

O que a Justiça determinou sobre o Centro POP?

A Justiça determinou que o município realize adequações no espaço, após ação do Ministério Público de Goiás que apontou problemas na estrutura física e nas condições de atendimento.

O que a Prefeitura de Goiânia diz sobre o assunto?

A Semasdh informou que mantém ações permanentes de atendimento, com trabalho integrado à rede socioassistencial, e que tem ampliado políticas públicas para a população em situação de rua.

Kelly Nascimento

Editoria Curiosidades

Kelly Nascimento cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.