Talvez você se lembre: nas eleições de 2022, Ibaneis Rocha (MDB) e Celina Leão (PP) subiram o tom com promessas ambiciosas para o Distrito Federal. Três anos e meio depois, o que ficou de pé? Um levantamento do g1 mostra que, dos 16 compromissos assumidos pela chapa, 5 foram integralmente cumpridos, 3 foram parcialmente e 8 simplesmente não saíram do papel. Vale a pena parar pra pensar no que uma gestão entrega, e no que deixa pelo caminho.
O projeto Promessas dos Políticos, do g1, acompanha desde 2015 o cumprimento de compromissos de prefeitos, governadores e presidente. No caso do DF, o balanço considera o período de 1º de janeiro de 2023 a 30 de junho de 2026. Ibaneis renunciou ao governo em abril para tentar uma vaga no Senado, mas desistiu; Celina assumiu e é pré-candidata a um novo mandato.
O que foi cumprido: escolas, restaurantes e servidores
Entre as promessas que saíram do papel, duas se destacam. A meta de ampliar as escolas cívico-militares foi superada: a chapa prometeu 40 unidades com gestão compartilhada entre as secretarias de Educação e Segurança Pública até 2026; hoje são 42, segundo a Secretaria de Educação. Outro acerto foi a rede de restaurantes comunitários, que saltou de 14 para 18 unidades, com entregas em Samambaia Expansão, Sol Nascente/Pôr do Sol, Arniqueira e Varjão.
Os servidores públicos também sentiram o reajuste: Ibaneis sancionou em maio de 2023 uma recomposição salarial de cerca de 18% para os efetivos da administração distrital, dividida em parcelas. Já o Programa Órfãos do Feminicídio foi implementado para identificar e acompanhar crianças e adolescentes que perderam a mãe por feminicídio, com apoio financeiro e assistência social. O cartão é emitido pelo BRB e não impacta outros programas sociais.
O que ficou pela metade: escolas e filas do Cras
Três promessas foram cumpridas em parte. A construção de novas escolas, por exemplo, prometia unidades em Recanto das Emas, Estrutural, Itapoã, Paranoá, São Sebastião e Santa Maria. O g1 apurou que só Itapoã recebeu duas escolas; as outras regiões ficaram de fora. Obras no Jardim Botânico, Samambaia e Ceilândia, locais não previstos, foram concluídas. O governo diz ter entregue sete unidades entre 2023 e 2025.
O fim das filas nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) também avançou parcialmente. O agendamento passou a ser feito por site e telefone 156, eliminando as aglomerações físicas. Mas a fila migrou para o virtual e pode se estender por semanas ou meses, segundo relatos de beneficiários.
O que não foi cumprido: saúde, metrô e meio ambiente
Oito compromissos ficaram pelo caminho. O mais emblemático talvez seja a saúde: a promessa de ampliar a rede com 18 UBSs, duas UPAs e três hospitais regionais não foi cumprida. Apenas uma unidade foi inaugurada, a UBS 5 da Chapadinha, em Brazlândia. O governo informa que, em junho de 2025, assinou contratos de R$ 118,7 milhões para construir sete novas UPAs, seis em obras e uma em contratação.
A construção de quatro Casas da Mulher, além da unidade em Ceilândia, também não saiu. Em 2025, o governo inaugurou quatro Centros de Referência da Mulher Brasileira, mas eles não têm a estrutura de uma Casa da Mulher, faltam delegacia especializada e alojamento temporário. O DF segue com apenas uma casa em funcionamento.
Na área ambiental, a meta de reduzir emissões de gases de efeito estufa em 25% até 2025 (e 37,4% até 2030, em relação a 2013) não foi cumprida. Dados do Observatório do Clima indicam que, em 2024, a emissão estimada foi 15,2% menor que em 2013, e apenas 2,7% menor que em 2022.
Outros compromissos não realizados incluem a expansão do metrô para a Asa Norte, Gama, Santa Maria, Riacho Fundo, Recanto das Emas, Núcleo Bandeirante, Candangolândia e Cruzeiro; a implantação de ciclovias e passarelas na Rodoviária do Plano Piloto; e a construção de mais quatro Casas da Mulher.
O que fica
Cinco promessas cumpridas, oito não cumpridas, três parcialmente. O balanço levanta uma pergunta honesta: o que pesa mais na hora de avaliar uma gestão, o que foi entregue ou o que ficou para trás? Talvez você se reconheça aqui: a sensação de que o governo avança em algumas frentes, mas deixa outras, especialmente saúde e infraestrutura, no papel.
Perguntas Frequentes
Quantas promessas Ibaneis e Celina cumpriram?
Cumpriram 5 das 16 promessas de campanha, segundo o g1.
Quais promessas foram cumpridas?
Escolas cívico-militares (42 unidades), restaurantes comunitários (18), reajuste de 18% a servidores, Programa Órfãos do Feminicídio e reservatório de água no Grande Colorado.
A promessa de saúde foi cumprida?
Não. A meta de 18 UBSs, duas UPAs e três hospitais regionais não saiu do papel. Apenas uma UBS foi inaugurada.
O que ficou parcialmente?
Construção de novas escolas (entregues em Itapoã, mas não nas regiões prometidas) e fim das filas no Cras (migraram para o virtual, com longa espera).
O metrô foi expandido?
Não. A promessa de expandir para Asa Norte, Gama, Santa Maria e outras regiões não foi cumprida.