# Público madruga para desfile na Esplanada dos Ministérios

> Maria de Fátima, 71 anos, viajou mais de 15 horas do Tocantins para assistir ao desfile de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios. A aposentada deixou a cama às 3h da manhã para garantir um bom lugar no evento. O desfile cívico-militar atraiu madrugadores de diversas regiões do Brasil.

*Bombou na Web · Curiosidades · 07 de setembro de 2026 · Larissa Quintela*

Às 3h, Maria de Fátima, 71, deixou a cama para não perder o desfile de 7 de Setembro na Esplanada. Foram mais de 15 horas de viagem do Tocantins. Histórias de quem madrugou.

Quem madruga para ver o desfile de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios carrega histórias que começam antes do sol. A aposentada tocantinense Maria de Fátima Barbosa, de 71 anos, acordou às 3h desta manhã em Brasília, hospedada na casa de uma amiga no Recanto das Emas, a 30 quilômetros do centro. Mas a viagem dela veio de muito mais longe.

Moradora de Tocantinópolis, Maria de Fátima pegou uma van até Araguaína, a mais de duas horas de casa, madrugou na rodoviária e encarou mais mil quilômetros até a capital. Foram mais de 15 horas de viagem. Chegou no sábado (6) e descansou para ver o nascer do sol de dentro do ônibus. "Enquanto eu viver, eu venho para esse desfile", afirmou, ansiosa também por ouvir mensagens sobre o passado de escravização e opressão no Brasil.

A trajetória dela explica a emoção. Maria de Fátima morou em Brasília nos anos 1980, quando foi doméstica. Voltou ao Tocantins, foi quebradeira de coco, passou por empregos precários e chegou a catar latinhas para comprar um saxofone. No ano passado, formou-se em licenciatura em educação no campo. "Vir para o desfile me faz lembrar o quanto eu sou brasileira. É muito lindo isso aqui."

Brasilienses da periferia também madrugaram. O casal Jorge Fernandes, 55, pintor de casa, e Adabel Daiane, 42, dona de casa, foi acordado por Maria Alice, de 8, que antes das 4h pediu para vir logo. Pegaram um ônibus de Sobradinho 2. "Como era a primeira vez, nem dormi direito", disse a mãe, que vê o momento como memória para a filha: "A gente constrói memórias para ela. E de patriotismo." O pai, ex-soldado do Exército, nunca deixou de vir.

Outro ex-militar, Maurício Batista, de 33, colocou a bandeira do Brasil sobre a camisa, como faz todo ano. "Eu fico emocionado mesmo." Também estava sensibilizada a família do paratleta dos 100 metros rasos, Leonardo Carvalho, da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), que deve desfilar nesta manhã. Ele acordou antes das 4h, correu ao ver a luz do amanhecer na rodoviária. "Faço 100 metros em menos de 12 segundos. Vou correr porque está chegando a hora", disse à Agência Brasil. A mãe, Maura, sorriu com a pressa do rapaz: "Ele ama estar aqui e o esporte. Ele fica ansioso e a gente na torcida por tudo dar certo na vida dele." O desfile ainda não tinha começado, mas eles já chamavam o momento de "inesquecível".

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