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Queda no roubo de cargas esconde mudança na atuação das quadrilhas

ResumoO Brasil registrou 8.570 ocorrências de roubo de cargas em 2025, queda de 16,7% em relação ao ano anterior. A redução numérica esconde uma mudança na atuação das quadrilhas, que passaram a focar em cargas de alto valor, como medicamentos oncológicos, elevando o prejuízo direto para R$ 900 milhões.

O Brasil registrou 8.570 ocorrências de roubo de cargas em 2025, queda de 16,7%. Apesar da redução, o prejuízo direto chegou a R$ 900 milhões, e as quadrilhas passaram a focar em cargas de alto valor, como medicamentos oncológicos.

Kelly Nascimento
Queda no roubo de cargas esconde mudança na atuação das quadrilhas

Queda no roubo de cargas esconde mudança na atuação das quadrilhas — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Talvez você já tenha notado: os números de roubo de cargas estão caindo, mas a sensação de insegurança no setor não diminui na mesma proporção. É que, por trás da estatística, há uma mudança silenciosa na atuação das quadrilhas.

O Brasil registrou 8.570 ocorrências de roubo de cargas em 2025, redução de 16,7% em relação ao ano anterior, segundo o Mapa da Segurança Pública 2026. O prejuízo direto, no entanto, permaneceu elevado: cerca de R$ 900 milhões.

O que mudou no perfil dos crimes

Em vez de grandes volumes de mercadorias de menor valor, as quadrilhas passaram a concentrar as ações em cargas de maior rentabilidade, especialmente medicamentos. Os medicamentos responderam por 22,3% dos prejuízos registrados pelo setor em 2026, ante 1,7% no primeiro trimestre de 2025. Produtos de alto valor agregado, como medicamentos oncológicos e imunossupressores, se tornaram alvos frequentes. No Rio de Janeiro, algumas empresas passaram a transportar medicamentos em carros-fortes, modalidade antes usada para dinheiro e ouro.

Goiás: um dos destaques na redução

Em Goiás, os registros caíram de 23 casos em 2024 para 10 em 2025, redução de 56,52%, uma das maiores do País, atrás apenas do Distrito Federal, Rio Grande do Norte e Alagoas. O governo estadual atribui os resultados aos investimentos superiores a R$ 124,7 milhões na modernização das forças de segurança, incluindo polícias Militar, Civil e Científica, além da ampliação do uso de inteligência e tecnologia.

Entre as iniciativas adotadas está o programa IA Contra o Crime, que utiliza inteligência artificial para reconhecimento de placas e monitoramento por vídeo. Em cinco meses, a ferramenta auxiliou no esclarecimento de mais de 1,4 mil ocorrências.

Segundo o governador Daniel Vilela, a estratégia é baseada na integração entre inteligência policial e tecnologia. O Estado também permanece há mais de quatro anos sem registrar ataques a instituições financeiras e apresenta a menor taxa de roubo de veículos do País.

O papel do setor privado

Especialistas apontam que a redução também está relacionada ao avanço das estratégias de gerenciamento de riscos adotadas por transportadoras. O setor privado ampliou investimentos em monitoramento em tempo real, inteligência embarcada e análise preditiva, evitando dezenas de milhões de reais em prejuízos nos primeiros meses de 2026. A avaliação reforça que o enfrentamento ao roubo de cargas depende tanto do poder público quanto da iniciativa privada.

Desafios e nova legislação

No campo institucional, a Lei nº 15.358/2026, que instituiu o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado, criou novos mecanismos para combater a receptação de cargas, considerada um dos principais fatores de sustentação econômica desse tipo de crime.

Ainda assim, o cenário permanece desafiador. No Rio de Janeiro, as ocorrências cresceram 19% na Capital em 2026, evidenciando diferenças regionais. As organizações criminosas adaptaram a forma de atuação, concentrando esforços em operações mais seletivas e de maior retorno financeiro.

Perguntas Frequentes

Por que o roubo de cargas caiu mas o prejuízo continua alto?

Porque as quadrilhas passaram a mirar cargas de maior valor agregado, como medicamentos, que geram prejuízos maiores mesmo com menos ocorrências.

Quais estados tiveram as maiores reduções?

Goiás teve queda de 56,52%, atrás apenas do Distrito Federal, Rio Grande do Norte e Alagoas.

Como a tecnologia ajudou na redução dos roubos?

Com programas como o IA Contra o Crime, que usa reconhecimento de placas e monitoramento por vídeo, além de investimentos privados em rastreamento em tempo real.

O que mudou no perfil das cargas roubadas?

As quadrilhas passaram a focar em medicamentos, especialmente oncológicos e imunossupressores, que representam 22,3% dos prejuízos.

A nova lei ajuda no combate?

Sim, a Lei nº 15.358/2026 criou mecanismos para combater a receptação de cargas, um dos pilares do crime organizado.

Kelly Nascimento

Editoria Curiosidades

Kelly Nascimento cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.

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