A vasectomia é um dos métodos contraceptivos mais seguros e eficazes para os homens, mas mudanças nos planos familiares levam muitos a buscar a reversão. A cirurgia é possível e apresenta bons índices de sucesso em muitos casos, mas não garante uma gravidez.
A reversão da vasectomia é possível por microcirurgia, mas não garante gravidez. O sucesso depende de fatores como tempo desde a vasectomia, idade da parceira e fertilidade do casal. Quando feita em até três anos, cerca de 95% dos pacientes recuperam espermatozoides, com taxas de gravidez de até 75%.
Como é feita a reversão da vasectomia
A reversão é realizada por microcirurgia, com auxílio de um microscópio de alta precisão que permite reconectar os canais deferentes interrompidos durante a vasectomia. A técnica mais comum é a vasovasostomia, que reconecta os canais deferentes. Em alguns pacientes, quando há obstrução no epidídimo, é necessário realizar uma vasoepididimostomia, um procedimento mais complexo, mas que também apresenta bons resultados com indicação adequada, segundo o urologista Rodrigo Trivilato, titular da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).
O que influencia as chances de gravidez
O tempo desde a vasectomia é um dos principais fatores. Segundo Rodrigo Trivilato, quando a reversão é feita em até três anos, cerca de 95% dos pacientes voltam a apresentar espermatozoides no sêmen, e as taxas de gravidez podem chegar a 70% ou 75%. Entre três e oito anos, aproximadamente 90% a 95% recuperam espermatozoides, com chances de gravidez entre 50% e 70%. Mesmo após dez ou quinze anos, a cirurgia ainda pode ser realizada, mas os índices de sucesso diminuem progressivamente.
Outros fatores importantes incluem a idade da parceira, a fertilidade feminina, possíveis alterações testiculares e alterações hormonais. "A fertilidade é uma característica do casal, e não apenas do homem", destaca Trivilato.
Riscos da reversão da vasectomia
Como qualquer procedimento cirúrgico, a reversão apresenta riscos, embora baixos. Entre as possíveis complicações estão hematomas, sangramentos, infecções, alterações na cicatrização, dor no pós-operatório e ausência de retorno dos espermatozoides no espermograma. "No geral, trata-se de um procedimento seguro. O pós-operatório costuma ser semelhante ao da própria vasectomia, com dor leve ou desconforto controlados por analgésicos comuns e alguns dias de repouso", afirma Trivilato.
É possível reverter espontaneamente?
Não. A reversão espontânea é extremamente rara e praticamente restrita aos primeiros meses após o procedimento. Depois desse período, praticamente não acontece.
O que considerar antes da vasectomia
Para Rodrigo Trivilato, a vasectomia nunca deve ser encarada como um método temporário. "Embora exista a cirurgia de reversão e também as técnicas de reprodução assistida, nenhuma delas garante a gravidez. Por isso, a decisão precisa ser consciente e, sempre que possível, compartilhada pelo casal", destaca.
Perguntas Frequentes
A reversão da vasectomia sempre funciona?
Não. Mesmo quando a cirurgia restabelece a passagem dos espermatozoides, a gravidez não é garantida. A fertilidade depende de fatores como idade da parceira e condições reprodutivas do casal.
Quanto tempo depois da vasectomia posso reverter?
A cirurgia pode ser feita mesmo após quinze anos, mas os índices de sucesso diminuem progressivamente com o tempo.
A reversão da vasectomia dói?
O pós-operatório costuma ser semelhante ao da vasectomia, com dor leve ou desconforto controlados por analgésicos comuns e alguns dias de repouso.
A vasectomia pode reverter sozinha?
Não. A reversão espontânea é extremamente rara e praticamente restrita aos primeiros meses após o procedimento.
Quais os riscos da reversão?
Os riscos incluem hematomas, sangramentos, infecções, alterações na cicatrização, dor e ausência de retorno dos espermatozoides no espermograma, mas são considerados baixos.