Curiosidades

Saiba quais produtos brasileiros serão afetados pelo novo tarifaço dos EUA

ResumoO novo tarifaço dos EUA afeta produtos brasileiros como aço, alumínio, café, suco de laranja e etanol. A lista inclui itens industriais e agrícolas, com impactos previstos para exportações que somam bilhões de dólares.

O novo tarifaço dos EUA atinge diretamente produtos brasileiros como aço, alumínio, café, suco de laranja e etanol. A lista inclui desde itens industriais até agrícolas, com impactos previstos para exportações que somam bilhões de dólares.

Wesley Tanaka
Saiba quais produtos brasileiros serão afetados pelo novo tarifaço dos EUA

Saiba quais produtos brasileiros serão afetados pelo novo tarifaço dos EUA — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Saiba quais produtos brasileiros serão afetados pelo novo tarifaço dos EUA

O governo dos Estados Unidos anunciou, em julho de 2026, uma nova rodada de tarifas de importação que atinge dezenas de produtos brasileiros. A medida, que entra em vigor em agosto, sobretaxa itens como aço, alumínio, café, suco de laranja e etanol. A lista inclui desde insumos industriais até alimentos processados, com impactos diretos nas exportações brasileiras.

Os principais produtos brasileiros afetados pelo novo tarifaço dos EUA incluem aço e alumínio (sobretaxa de 25%), café, suco de laranja, etanol, carne bovina, açúcar, calçados e móveis. As tarifas variam de 10% a 35%, dependendo do item e da categoria, e entram em vigor a partir de agosto de 2026.

Aço e alumínio: os mais impactados

O setor siderúrgico é o mais atingido. O aço brasileiro já vinha com cotas de importação desde 2018; agora, a sobretaxa de 25% atinge também produtos semimanufaturados e tubos. No alumínio, a alíquota extra de 25% recai sobre chapas, perfis e folhas.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações brasileiras de aço para os EUA somaram US$ 2,8 bilhões em 2025. A nova tarifa deve reduzir esse volume em até 40% nos primeiros meses.

Para quem trabalha com importação de insumos, o conselho é claro: antes de fechar contrato, veja se o fornecedor consegue absorver parte da tarifa ou se o repasse ao preço final será inevitável.

Café e suco de laranja: agropecuária na mira

O café brasileiro, principal concorrente do café colombiano no mercado americano, terá tarifa adicional de 15%. O Brasil exportou US$ 1,2 bilhão em café para os EUA em 2025 (MDIC). A sobretaxa pode encarecer o café arábica em até R$ 8 por quilo no varejo americano.

Já o suco de laranja concentrado congelado, item que o Brasil domina globalmente, sofre tarifa de 20%. A medida atinge diretamente a citricultura paulista, responsável por 80% da produção nacional (IBGE, PAM 2025).

Etanol e carne bovina

O etanol brasileiro, que vinha ganhando mercado nos EUA como biocombustível, terá tarifa de 18%. A alíquota extra atinge tanto o etanol anidro quanto o hidratado. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) estima que a medida pode reduzir as exportações em US$ 300 milhões ao ano.

A carne bovina in natura, que já pagava 26,4% de tarifa média, terá sobretaxa de 10%. O Brasil exportou US$ 1,5 bilhão em carne para os EUA em 2025 (MDIC). A nova tarifa eleva a alíquota total para cerca de 36%, o que deve deslocar parte dos embarques para a China e o Oriente Médio.

Açúcar, calçados e móveis

O açúcar bruto e refinado brasileiro terá tarifa adicional de 12%. O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar, e os EUA são o terceiro maior comprador. A sobretaxa pode beneficiar concorrentes como Tailândia e México.

Calçados e móveis, itens com forte presença brasileira no mercado americano, terão tarifas de 15% e 10%, respectivamente. O setor calçadista brasileiro exportou US$ 320 milhões para os EUA em 2025 (MDIC). Pequenos fabricantes do Rio Grande do Sul e de São Paulo serão os mais afetados.

Setores menos afetados

Produtos como aviões da Embraer, minério de ferro e celulose ficaram de fora da lista de tarifas adicionais. A Embraer, que tem joint venture com a Boeing, mantém tarifa zero para aeronaves comerciais. Já o minério de ferro, principal item da pauta exportadora brasileira para os EUA, não foi tarifado.

O que fazer agora

Se você importa ou exporta algum desses produtos, o passo a passo é:

  1. Verifique a NCM exata do seu produto na lista oficial da USTR.
  2. Calcule o novo custo total com a tarifa adicional.
  3. Negocie com o comprador/fornecedor o rateio do impacto.
  4. Avalie mercados alternativos (China, Europa, América Latina).
  5. Consulte um despachante aduaneiro especializado em comércio EUA-Brasil.

Dá pra resolver em casa? Em parte. A renegociação de contratos e a busca por novos mercados exigem tempo e assessoria jurídica. Mas o primeiro passo, entender a lista e calcular o impacto, você faz agora.

Perguntas Frequentes

Quais produtos brasileiros serão mais afetados pelo tarifaço dos EUA?

Aço, alumínio, café, suco de laranja, etanol, carne bovina, açúcar, calçados e móveis são os mais impactados, com tarifas adicionais de 10% a 25%.

Quando entram em vigor as novas tarifas?

A partir de agosto de 2026, conforme anúncio do governo americano em julho.

O tarifaço afeta todos os produtos brasileiros?

Não. Minério de ferro, celulose e aeronaves da Embraer ficaram de fora da lista de tarifas adicionais.

Como calcular o novo custo do meu produto?

Some a tarifa atual (consulte a base da USTR) com a sobretaxa anunciada. Para aço, por exemplo, some 25% sobre a tarifa base.

Há possibilidade de negociação ou isenção?

Empresas podem solicitar exclusão temporária junto ao USTR, mas o processo é burocrático e leva meses. A recomendação é buscar novos mercados no curto prazo.

Wesley Tanaka

Editoria Curiosidades

Wesley Tanaka cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.