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Senado aprova proposta que reduz em quase 40% de floresta no Pará e dificulta multas ambientais

ResumoO Senado Federal aprovou proposta que reduz em quase 40% a área de floresta protegida no Pará e dificulta a aplicação de multas ambientais. A medida altera limites de unidades de conservação e exige processo administrativo mais complexo para penalidades, gerando críticas de ambientalistas. O projeto segue para sanção presidencial.

O Senado aprovou proposta que reduz em quase 40% a área de floresta protegida no Pará e dificulta a aplicação de multas ambientais. Entenda os detalhes e os próximos passos.

Kelly Nascimento
Senado aprova proposta que reduz em quase 40% de floresta no Pará e dificulta multas ambientais

Senado aprova proposta que reduz em quase 40% de floresta no Pará e dificulta multas ambientais — Foto: Reprodução / Bombou na Web

O Senado aprovou uma proposta que reduz em quase 40% a área de floresta protegida no Pará e dificulta a aplicação de multas ambientais. A medida, que ainda precisa ser sancionada, modifica limites de unidades de conservação e endurece critérios para autuação de infrações.

A proposta aprovada pelo Senado reduz em quase 40% a área de floresta protegida no estado do Pará, alterando os limites de unidades de conservação e dificultando a aplicação de multas ambientais. A matéria segue para sanção presidencial.

O que muda com a redução da área de floresta protegida no Pará

A proposta aprovada pelo Senado reduz em cerca de 40% a extensão de unidades de conservação no Pará, afetando áreas como a Floresta Nacional do Jamanxim e a Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a medida pode impactar a proteção de ecossistemas de transição entre a Amazônia e o Cerrado.

Entidades de conservação afetadas

  • Floresta Nacional do Jamanxim: perde cerca de 40% de sua área original.
  • Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio: tem seus limites reduzidos em aproximadamente 30%.
  • Parque Nacional da Amazônia: sofre alterações em seus limites, com redução de cerca de 15%.

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) estima que a redução total de área protegida chegue a 38,7%, afetando diretamente a biodiversidade local e os serviços ecossistêmicos.

Como a proposta dificulta a aplicação de multas ambientais

A proposta também altera o processo de aplicação de multas ambientais, tornando-o mais complexo. Uma das principais mudanças é a exigência de que o auto de infração seja assinado por dois fiscais, em vez de um, o que, na prática, reduz a capacidade de autuação do Ibama. De acordo com a Agência Senado, a medida foi justificada como forma de garantir maior segurança jurídica aos autuados.

Principais alterações nas regras de multas

  1. Exigência de dois fiscais para lavrar auto de infração.
  2. Prazo maior para defesa administrativa, que passa de 20 para 30 dias.
  3. Possibilidade de parcelamento da multa em até 60 vezes.
  4. Redução do valor mínimo das multas para infrações leves.

A Associação dos Servidores do Ibama (Asibama) criticou as mudanças, afirmando que elas fragilizam a fiscalização ambiental e podem aumentar o desmatamento ilegal.

Impactos ambientais e sociais da proposta

A redução das áreas protegidas pode ter impactos significativos sobre comunidades tradicionais, como ribeirinhos e extrativistas, que dependem dessas áreas para sua subsistência. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) estima que cerca de 5 mil famílias sejam diretamente afetadas pela redução da Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio.

Em termos ambientais, a perda de cobertura florestal pode acelerar o desmatamento na região. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que a taxa de desmatamento no Pará já é a mais alta da Amazônia Legal, com 4.200 km² desmatados em 2025.

Tramitação e próximos passos

A proposta foi aprovada pelo Senado em votação simbólica, após tramitar em regime de urgência. Agora, segue para sanção do presidente da República, que pode vetar parcial ou totalmente o texto. A expectativa é de que a sanção ocorra nas próximas semanas, mas organizações ambientais já anunciam que vão recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a constitucionalidade da medida.

Cronograma previsto

  • Junho de 2026: sanção presidencial.
  • Julho de 2026: início da vigência das novas regras.
  • Agosto de 2026: possíveis ações judiciais no STF.

Reações de entidades e especialistas

A proposta gerou reações divididas. De um lado, setores do agronegócio e da mineração comemoram a medida, argumentando que ela libera áreas para atividades econômicas. De outro, ambientalistas e cientistas alertam para os riscos. O Observatório do Clima classificou a proposta como "um retrocesso ambiental sem precedentes".

Posicionamentos

  • Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA): apoiou a aprovação, dizendo que a medida "corrige distorções".
  • Instituto Socioambiental (ISA): criticou a proposta, afirmando que ela "viola compromissos internacionais do Brasil".
  • Ministério Público Federal (MPF): anunciou que vai analisar a constitucionalidade da medida.

Perguntas Frequentes

O Senado aprovou a redução de floresta no Pará?

Sim, o Senado aprovou proposta que reduz em quase 40% a área de floresta protegida no Pará, alterando limites de unidades de conservação.

Como a proposta dificulta multas ambientais?

A proposta exige dois fiscais para autuar, amplia prazos de defesa e permite parcelamento das multas, o que, segundo críticos, fragiliza a fiscalização.

Quais áreas são afetadas pela redução?

Floresta Nacional do Jamanxim, Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio e Parque Nacional da Amazônia estão entre as unidades de conservação afetadas.

A proposta já está em vigor?

Ainda não. Após aprovação no Senado, a proposta segue para sanção presidencial, que pode vetar parcial ou totalmente o texto.

Quais as críticas à proposta?

Ambientalistas e comunidades tradicionais criticam a medida, apontando riscos de aumento do desmatamento e impactos sociais sobre populações que dependem das áreas protegidas.

O que pode acontecer com a proposta no STF?

Organizações ambientais anunciam que vão recorrer ao STF para questionar a constitucionalidade da medida, argumentando violação de princípios ambientais da Constituição.

Kelly Nascimento

Editoria Curiosidades

Kelly Nascimento cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.