Pela primeira vez na história do STF, os ministros da Corte se reúnem para decidir se um colega deve ou não ser investigado. A sessão que analisa o relatório da PF sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, foi suspensa e será retomada daqui a pouco.
O relatório da PF apontou 52 mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro. A sessão começou por volta das 10h30, meia hora depois do previsto, e o retorno chegou a ser adiado para as 15h.
O que mudou na sessão de hoje
Antes do intervalo, o presidente do STF, Edson Fachin, havia informado que o retorno seria às 14h. No retorno, Fachin afirmou que o plenário vai discutir a questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes: suspender o julgamento e retomar a análise na próxima terça-feira (23).
A proposta é juntar o caso de Moraes com o de André Mendonça, redistribuir a relatoria e determinar um prazo para a PGR se manifestar. Fachin esclareceu que não houve avocação e que os relatórios foram encaminhados pelo antigo relator, Mendonça, à presidência do STF.
Flávio Dino falou sobre a questão de ordem. "A proposta da questão de ordem que o ministro vai abordar não é que a gente suspenda o julgamento. É que a gente cumpra o regimento", afirmou. Dino disse que não houve redistribuição do caso após André Mendonça e que "não existe autodesignação de relator".
O que está em jogo
Moraes se manifestou pela primeira vez ontem. O ministro chamou a apuração de André Mendonça contra ele de ilegal e disse que nunca favoreceu Vorcaro. Durante a sessão, Moraes e Mendonça bateram boca enquanto Fux falava sobre a atuação da Polícia Federal.
"Quem tem medo da Polícia Federal? Quem chamou a Polícia Federal e exigiu que colocasse um colega na colaboração premiada?", questionou Moraes. Mendonça repetiu "é mentira" e interrompeu o colega.
O ministro Dias Toffoli acompanhou Nunes Marques e não vai participar do julgamento desta terça. Ele se declarou suspeito por "foro íntimo".
O julgamento ocorre em meio a uma crise sem precedentes no Supremo, marcada por tensões e uma batalha de pedidos entre ministros. A expectativa é que a sessão seja retomada em breve.