O que Alckmin disse sobre o tarifaço de Trump?
Você já se pegou pensando em como uma decisão tomada do outro lado do mundo pode mudar o seu dia a dia? Pois é, foi exatamente isso que aconteceu na última semana, quando o governo de Donald Trump anunciou uma taxação de 25% sobre produtos brasileiros. E a notícia pegou muita gente de surpresa.
Nesta terça-feira (21), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) deu uma declaração que pode ajudar a entender os próximos passos do Brasil. "Do que depender do Brasil, negociação sempre para buscar resolver essas questões", disse ele em entrevista após a primeira rodada de reuniões com os setores produtivos que serão atingidos pela decisão.
A taxação de 25% sobre produtos brasileiros entra em vigor na quarta-feira (22), e o governo brasileiro já está se movimentando para minimizar os impactos.
A posição do governo: negociação, não retaliação
Quando o assunto é comércio internacional, a primeira reação que vem à cabeça de muita gente é: "vamos revidar na mesma moeda". Mas Alckmin foi claro ao afirmar que essa não é a estratégia do governo.
"A ideia não é retaliação, né. Não é retaliação. 'Olho por olho', o que pode acontecer é os dois ficarem cegos, né?", disse o vice-presidente.
A frase tem um peso interessante. Em vez de partir para uma guerra comercial, o governo brasileiro sinaliza que prefere o diálogo. Alckmin afirmou que o governo estuda todas as possibilidades e deve adotar as medidas no "momento adequado".
O que é a Lei da Reciprocidade?
Perguntado sobre a possibilidade de aplicar a Lei da Reciprocidade contra os Estados Unidos, Alckmin não descartou, mas também não confirmou. Ele disse que o governo estuda todas as possibilidades.
A Lei da Reciprocidade é um instrumento que permite ao Brasil aplicar medidas equivalentes a barreiras comerciais impostas por outros países. Na prática, se os EUA taxam nossos produtos, poderíamos taxar os deles na mesma proporção. Mas, pelo tom de Alckmin, essa não é a primeira opção.
A reação dos setores produtivos
Nesta terça, representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) se reuniram com o vice-presidente e com os ministros Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e Dario Durigan, da Fazenda.
E a posição deles foi clara: são contra a aplicação de reciprocidade tarifária sobre produtos americanos exportados ao Brasil.
Vale a pena parar pra pensar: por que um setor que seria diretamente beneficiado por uma medida de retaliação seria contra? A resposta pode estar no custo que uma guerra comercial teria para a economia como um todo. Máquinas e equipamentos importados dos EUA são usados em diversas cadeias produtivas brasileiras. Taxá-los poderia encarecer a produção interna.
O que esperar dos próximos dias?
Com a taxação entrando em vigor na quarta-feira (22), os próximos dias devem ser de intensa negociação. Alckmin sinalizou que o Brasil buscará "sempre" o diálogo, mas sem abrir mão de estudar todas as alternativas.
A reunião com os setores produtivos foi apenas a primeira de uma série de encontros que devem acontecer. O governo quer ouvir quem será mais afetado antes de tomar qualquer decisão.
O contexto histórico das relações Brasil-EUA
Para quem acompanha a economia há algum tempo, essa não é a primeira vez que o Brasil e os Estados Unidos se enfrentam em questões comerciais. Nos anos 1990, por exemplo, houve disputas envolvendo suco de laranja e aço. A diferença é que, naquela época, o Brasil era uma economia mais fechada.
Hoje, com o comércio global mais integrado, uma guerra comercial pode ter consequências mais amplas. Por isso, a cautela do governo brasileiro faz sentido.
O que a Lei da Reciprocidade pode significar na prática?
Se o Brasil decidir aplicar a Lei da Reciprocidade, os produtos americanos que entram no país podem ficar mais caros. Isso inclui desde máquinas industriais até bens de consumo.
Mas, como Alckmin lembrou, "olho por olho" pode deixar os dois lados cegos. Em vez de uma escalada, o governo prefere construir uma saída negociada.
Perguntas Frequentes
Quando a taxação de 25% sobre produtos brasileiros entra em vigor?
A taxação anunciada pelo governo de Donald Trump entra em vigor na quarta-feira (22).
O que Alckmin disse sobre a possibilidade de retaliação?
O vice-presidente afirmou que a ideia do governo não é retaliação, mas sim encontrar o momento adequado para adotar medidas.
Quem são os ministros envolvidos nas reuniões?
Os ministros Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e Dario Durigan, da Fazenda, participaram das reuniões com os setores produtivos.
O que é a Abimaq?
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) representa o setor de máquinas e equipamentos e se posicionou contra a aplicação de reciprocidade tarifária.
Qual é a posição do Brasil em relação à negociação?
O governo brasileiro, segundo Alckmin, buscará sempre negociar com os Estados Unidos para resolver a crise.
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