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Trump diz que Netanyahu não será preso nos EUA: o que está por trás

ResumoDonald Trump afirmou que Benjamin Netanyahu não será preso nos Estados Unidos, contrariando a avaliação do prefeito de Nova York sobre cumprir o mandado do Tribunal Penal Internacional (TPI). A declaração expõe tensões entre o direito internacional e a política americana, destacando a proteção de aliados israelenses por parte do governo Trump.

Trump declara que Netanyahu não será preso nos EUA. Prefeito de NY avalia cumprir mandado do TPI. A disputa expõe tensões entre direito internacional e política americana.

Larissa Quintela
Trump diz que Netanyahu não será preso nos EUA: o que está por trás

Trump diz que Netanyahu não será preso nos EUA: o que está por trás — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Trump diz que Netanyahu não será preso nos EUA: o que está por trás

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não será preso caso visite o país para participar da Assembleia Geral da ONU em setembro. A declaração, publicada na Truth Social, responde à avaliação do prefeito de Nova York sobre a possibilidade de cumprir o mandado do Tribunal Penal Internacional (TPI).

Trump afirmou que Netanyahu não será preso, de forma alguma, enquanto estiver nos Estados Unidos da América. A promessa contrasta com a posição do prefeito Zohran Mamdani, que disse considerar que Netanyahu deveria estar em Haia, sede do TPI.

O mandado do TPI contra Netanyahu

A discussão sobre uma possível detenção de Netanyahu decorre do mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional em 21 de novembro de 2024. A Corte investiga o premiê israelense por suspeita de crimes de guerra e contra a humanidade na Faixa de Gaza.

O mandado do TPI não é automático: depende da disposição dos países signatários do Estatuto de Roma em executá-lo. Israel não é parte do tratado, e os Estados Unidos também não integram o acordo que instituiu o tribunal.

A posição de Trump

Em publicação na Truth Social, Trump escreveu: "Benjamin Netanyahu não será preso, de forma alguma, enquanto estiver nos Estados Unidos da América". O presidente norte-americano disse que Netanyahu combate o regime do Irã e afirmou que as autoridades iranianas mataram recentemente 52.000 manifestantes.

Segundo Trump, o Irã passou os últimos 47 anos matando soldados norte-americanos e cidadãos de outras nacionalidades. "Os únicos que deveriam ser presos são aqueles que levaram o Irã a esta espiral sem precedentes de morte e destruição", declarou. Trump afirmou que presidentes anteriores dos Estados Unidos deveriam ter enfrentado a situação anos atrás.

O prefeito de Nova York e o dilema jurídico

Em entrevista publicada no sábado (18.jul) pelo jornal norte-americano The New York Times, Mamdani disse que considera que Netanyahu "deveria estar em Haia", sede do TPI. Declarou que iria consultar o Departamento Jurídico de Nova York para saber se tem autoridade para ordenar que o NYPD (Departamento de Polícia de Nova York) cumpra o mandado.

O prefeito afirmou que respeitará a legislação vigente e disse que não pretende alterar as normas municipais para viabilizar a prisão.

O dilema jurídico é claro: os Estados Unidos não integram o Estatuto de Roma, tratado que instituiu o TPI, e, por isso, não têm obrigação de executar as ordens da Corte. Mesmo que o prefeito de Nova York queira agir, a base legal para deter Netanyahu na cidade é questionável.

A reação de Israel

Netanyahu já havia declarado não estar preocupado com a possibilidade de ser preso. Seu gabinete criticou Mamdani e afirmou que o prefeito deveria se concentrar em "reparar os danos" causados por suas políticas à cidade de Nova York.

Em publicação no X feita no domingo (19.jul), o governo israelense classificou o mandado do TPI como "falso" e disse que Mamdani tenta desviar a atenção de sua gestão ao mirar o líder de Israel. O país rejeita as suspeitas investigadas pela Corte e contesta a jurisdição do tribunal sobre autoridades israelenses.

O contexto geopolítico

A promessa de Trump ocorre em meio a tensões crescentes entre os EUA e o TPI. Washington nunca reconheceu a jurisdição do tribunal sobre seus cidadãos ou aliados próximos, e a administração Trump já impôs sanções a funcionários da Corte anteriormente.

A Assembleia Geral da ONU em setembro será o palco do possível encontro. Netanyahu, se comparecer, estará em território americano, onde a palavra do presidente tem peso político imediato, mas o direito internacional segue como pano de fundo.

Limitações e riscos

A promessa de Trump não elimina o risco jurídico para Netanyahu. O mandado do TPI continua válido em 124 países signatários do Estatuto de Roma. Se o premiê viajar para qualquer um desses países, a detenção é possível.

Além disso, a declaração de Trump não tem força de lei: o presidente não pode revogar unilateralmente tratados internacionais ou anular mandados de cortes estrangeiras. A decisão final sobre a execução do mandado em Nova York dependeria de uma complexa análise jurídica que envolve o governo federal, o estado e a cidade.

Perguntas Frequentes

Por que Trump disse que Netanyahu não será preso?

Trump afirmou que Netanyahu não será preso porque os EUA não integram o Estatuto de Roma, tratado que instituiu o TPI, e não têm obrigação de executar suas ordens. O presidente também defendeu o premiê israelense como aliado contra o Irã.

O prefeito de Nova York pode prender Netanyahu?

Mamdani disse que irá consultar o Departamento Jurídico de Nova York para saber se tem autoridade para ordenar que o NYPD cumpra o mandado. A base legal é incerta, já que os EUA não são signatários do Estatuto de Roma.

O que diz o mandado do TPI contra Netanyahu?

O mandado foi expedido em 21 de novembro de 2024 por suspeita de crimes de guerra e contra a humanidade na Faixa de Gaza. Israel rejeita as acusações e contesta a jurisdição do tribunal.

Netanyahu pode ser preso em outros países?

Sim. O mandado do TPI é válido nos 124 países signatários do Estatuto de Roma. Se Netanyahu viajar para qualquer um desses países, corre o risco de detenção.

Qual a posição do governo israelense?

O governo israelense classificou o mandado como "falso" e disse que Mamdani tenta desviar a atenção de sua gestão. Netanyahu declarou não estar preocupado com a possibilidade de ser preso.

Larissa Quintela

Editoria Curiosidades

Larissa Quintela cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.

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