# 'Difícil reviver aquele momento': pai de engenheiro morto em queda do avião da Voepass cobra resposta da ANAC

> Paulo Machado Alves, pai do engenheiro Paulo Henrique Silva Alves, uma das 62 vítimas da queda do avião da Voepass, busca respostas da ANAC após relatório do Cenipa. A dor é intensa e as perguntas permanecem.

*Bombou na Web · Tecnologia · 27 de julho de 2026 · Larissa Quintela*

## 'Difícil reviver aquele momento': pai de engenheiro morto em queda do avião da Voepass cobra resposta da ANAC

O pai do engenheiro Paulo Henrique Silva Alves, uma das 62 vítimas da queda do avião da Voepass em 2024, esteve presente na reunião em que o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou o relatório sobre o trágico acidente. Paulo Machado Alves compartilhou com o g1 que reviver a tragédia foi um desafio. "Foi difícil reviver aqueles momentos de horror pelos quais nosso filho passou".

Com a publicação do relatório, ele busca respostas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). "A dor não vai passar por causa de um relatório. Mas esperamos uma resposta da ANAC".

O relatório final do Cenipa recomenda ações para as instituições envolvidas na tragédia, incluindo a ATR, fabricante francesa da aeronave, e a ANAC, além de apresentar conclusões sobre o acidente aéreo.

Durante a apresentação do relatório, Paulo destacou tanto aspectos positivos quanto negativos em relação aos esclarecimentos sobre o acidente. "Achei que o relatório foi conclusivo e não omitiu a responsabilidade da ANAC". Contudo, ele também expressou insatisfação com a forma como algumas perguntas foram tratadas: "As perguntas do ex-piloto da Voepass, Almeida, não foram respondidas satisfatoriamente".

O voo 2283 da Voepass caiu na tarde de 9 de agosto de 2024, em um condomínio em Vinhedo, durante o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). As 62 pessoas a bordo, 58 passageiros e quatro tripulantes, não sobreviveram.

## Quem era o engenheiro Paulo Henrique Silva Alves?

Paulo Henrique Silva Alves nasceu em Florianópolis e trabalhava no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA-SC), que emitiu uma nota de pesar pela sua perda. Ele tinha 40 anos, era casado há 15 anos, apreciava surfe e praticava jiu-jitsu em uma academia na cidade vizinha de São José.

De acordo com o CREA-SC, Paulo Henrique se destacou na área de saneamento, administrando uma empresa de obras em parceria com seu pai. "Neste momento de dor, o CREA-SC, seus diretores, conselheiros e servidores, se solidarizam com a família e amigos do engenheiro, bem como as famílias de todas as vítimas do acidente, expressando suas mais sinceras condolências pelas perdas irreparáveis", diz o comunicado.

## Quais foram as conclusões do Cenipa sobre o acidente?

O resultado da investigação realizada pelo Cenipa foi apresentado em 23 de julho de 2026 e concluiu que falhas da Voepass, dos pilotos e da fiscalização da ANAC contribuíram para a queda do avião. O documento final listou 39 itens como conclusões da investigação. Abaixo, um resumo dos principais pontos:

- Presença de gelo severo: O avião encontrou condições meteorológicas que levaram à formação de gelo severo durante o voo, que persistiu durante todo o trajeto.
- Falha no sistema de degelo: O sistema técnico que remove o gelo da asa direita apresentou falhas,
- Desconsideração de avisos críticos: O sistema de monitoramento da aeronave emitiu pelo menos oito avisos de velocidade baixa e alertas sobre a performance degradada, mas os pilotos não seguiram os procedimentos de emergência previstos.
- Falta de atenção na cabine: Conversas entre os pilotos sobre assuntos pessoais, não relacionadas ao voo, comprometeram o monitoramento do gelo e dos instrumentos.
- Erros na tentativa de recuperação: Quando a aeronave perdeu a sustentação e começou a cair (estol), o copiloto agiu de forma contrária aos manuais, o que agravou a situação e impediu a recuperação do controle.
- Problemas de manutenção e registros: O avião ATR 72-500 foi liberado para voar com uma falha técnica no sistema de degelo que não foi registrada no diário de bordo, impedindo os reparos necessários.
- Falta de segurança: A Voepass tinha uma cultura de "normalização de desvios", onde pilotos e mecânicos não relatavam panes em diário de bordo para que os aviões pudessem voar no dia seguinte.
- Fiscalização insuficiente: O relatório aponta que o processo de gerenciamento de risco da ANAC não foi suficiente para evitar o acidente.
- Detalhes da queda: O avião entrou em parafuso chato, girando sobre o próprio eixo enquanto caía verticalmente, completando cinco voltas antes de colidir com o solo.
- Velocidade da queda: Com a perda de controle, a velocidade de descida atingiu 14 mil pés por minuto, equivalente a uma queda de 4 quilômetros a cada minuto.

## Perguntas Frequentes

### Qual foi a causa do acidente do voo 2283 da Voepass?

O acidente foi causado por uma combinação de falhas na operação da Voepass, problemas de manutenção e uma fiscalização inadequada pela ANAC.

### O que o Cenipa concluiu sobre a ANAC?

O relatório do Cenipa não omitiu a responsabilidade da ANAC e apontou falhas no gerenciamento de risco da agência.

### Quem era Paulo Henrique Silva Alves?

Paulo Henrique Silva Alves era um engenheiro de Florianópolis, conhecido por seu trabalho no CREA-SC e por sua atuação na área de saneamento.

### O que a Voepass disse sobre o acidente?

Não há informações sobre declarações específicas da Voepass em relação ao relatório do Cenipa em fontes consultadas.

### Como a família de Paulo Henrique Silva Alves está lidando com a perda?

A família, representada por seu pai, busca respostas da ANAC e expressa sua dor pela tragédia, esperando por esclarecimentos sobre o acidente.

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Fonte (canonical): https://www.bombounaweb.com.br/tecnologia/dificil-reviver-aquele-momento-pai-engenheiro-morto-queda-aviao-voepass-cobra-re/
