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Golpe do sósia: como a tecnologia tenta burlar biometria

ResumoA Serasa Experian identificou o golpe do sósia, que utiliza tecnologia de comparação facial para localizar pessoas fisicamente semelhantes a criminosos. A empresa bloqueou 2,86 milhões de tentativas fraudulentas no primeiro semestre de 2026. A tática explora vulnerabilidades em sistemas de biometria, exigindo aprimoramento contínuo dos mecanismos de verificação de identidade.

O golpe do sósia usa tecnologia de comparação facial para encontrar pessoas parecidas com criminosos. A Serasa Experian identificou a tática e barrou 2,86 milhões de tentativas no 1º semestre de 2026.

Priscila Andrade
Golpe do sósia: como a tecnologia tenta burlar biometria

Golpe do sósia: como a tecnologia tenta burlar biometria — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Uma nova estratégia de fraude de identidade está usando tecnologia para encontrar pessoas com o rosto parecido com o dos próprios criminosos. Chamado de "golpe do sósia", o método foi identificado pela equipe de inteligência analítica da Serasa Experian e descrito no Mapa da Fraude do primeiro semestre de 2026.

O golpe do sósia usa tecnologia de comparação facial para localizar identidades legítimas com alto grau de semelhança física. O fraudador escolhe uma dessas identidades para tentar passar por uma validação biométrica, como em cadastros e abertura de contas. Segundo a Serasa Experian, os criminosos usam ferramentas que comparam o próprio rosto com imagens de diferentes bases, inclusive as obtidas de forma ilícita.

A tática inverte a lógica tradicional do crime. No modelo antigo, o fraudador parte dos dados de uma pessoa específica e busca maneiras de assumir essa identidade. No novo, ele parte do próprio rosto e procura alguém parecido para se passar. Para Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, a estratégia mostra que os criminosos também exploram tecnologias criadas para aumentar a segurança.

A empresa defende que o reconhecimento facial não seja a única camada de autenticação. Combinar outros sinais ajuda a identificar inconsistências que a análise do rosto sozinha não detecta. Por isso, a recomendação para empresas é adotar prevenção em camadas, evitando que uma única imagem ou informação conclua um cadastro. A análise conjunta de diferentes mecanismos de segurança pode revelar quando o rosto é similar, mas outros dados da operação indicam fraude.

Os números do Mapa da Fraude mostram a dimensão do problema. As soluções antifraude da Serasa Experian identificaram e barraram 2,86 milhões de tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre de 2026. O volume cresceu 32,9% em relação ao mesmo período de 2025, o que equivale a uma ocorrência de alto risco a cada 5,5 segundos. As tentativas bloqueadas estavam ligadas a um prejuízo estimado em R$ 3,77 bilhões que teria sido evitado.

Para o consumidor, a orientação é reduzir a exposição de documentos, fotografias e dados biométricos. Vale desconfiar de pedidos de selfie ou foto de documento em canais não oficiais. Ainda que a tecnologia avance, a proteção individual continua sendo a primeira barreira.

No fim, o golpe do sósia reforça um ponto: segurança não depende de uma única ferramenta. A combinação de camadas, tanto para empresas quanto para usuários, é o caminho para reduzir o risco. Ficar atento a sinais fora do padrão, como solicitações incomuns de dados, faz diferença na prática.

Priscila Andrade

Editoria Tecnologia

Priscila Andrade cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.

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