# Governo estuda crédito e novos mercados contra tarifaço dos EUA em 2026

> O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda ampliar linhas de crédito, ajustar o programa Brasil Soberano e abrir novos mercados para mitigar os efeitos da tarifa de 25% anunciada por Donald Trump sobre produtos brasileiros em 2026. As medidas visam proteger a economia nacional e diversificar destinos de exportação.

*Bombou na Web · Tecnologia · 21 de julho de 2026 · Priscila Andrade*

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou articulações para reduzir os efeitos da tarifa de 25% anunciada por Donald Trump sobre produtos brasileiros. As medidas incluem ampliação de linhas de crédito, ajustes no programa Brasil Soberano e abertura de novos m

## Governo estuda crédito e novos mercados contra tarifaço dos EUA

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensificou nesta 3ª feira (21.jul.2026) as articulações para reduzir os efeitos da tarifa de 25% anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), sobre produtos brasileiros. As medidas em discussão incluem a ampliação de linhas de crédito, ajustes no programa Brasil Soberano e a abertura de novos mercados para as exportações.

A sobretaxa entra em vigor na 4ª feira (22.jul.2026). Na véspera, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, recebeu dirigentes da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). Ao longo do dia, Alckmin também participará de reuniões com representantes de entidades da indústria, como Anip, Abinee, Abiplast e Abicalçados, ao lado do ministro do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa.

## O que o governo propõe para proteger a indústria?

Depois do encontro, o presidente-executivo da Abimaq, José Velloso, afirmou que o governo demonstrou preocupação com os efeitos da nova rodada de tarifas. A entidade apresentou a Alckmin um pacote de propostas dividido em 2 frentes.

A 1ª busca reduzir o chamado custo Brasil, com medidas como ampliação do crédito à exportação, seguro de crédito, drawback e eliminação de resíduos tributários. A 2ª propõe mudanças no programa Brasil Soberano para ampliar a elegibilidade das empresas. "Viemos trazer propostas para reeditar aquilo que fez com que as nossas exportações aumentassem e trazer mais propostas para aumentar a competitividade do setor", disse Velloso.

### Crédito à exportação e seguro

A ampliação do crédito à exportação é uma das apostas do governo. A ideia é dar mais fôlego financeiro para as empresas que vendem para fora, especialmente num momento em que o mercado norte-americano encarece. O seguro de crédito, por sua vez, reduz o risco de calote em operações internacionais.

### Drawback e resíduos tributários

O drawback é um regime que permite a importação de insumos com suspensão de tributos, desde que o produto final seja exportado. A eliminação de resíduos tributários, outro ponto da pauta, mira simplificar a carga fiscal que encarece a produção.

## Brasil Soberano: ajustes em andamento

O fortalecimento do programa Brasil Soberano está alinhado às medidas estudadas pelo governo. O ministro interino da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em 14 de julho que o Executivo poderá editar uma MP (medida provisória). A equipe econômica, porém, pretende avaliar os efeitos práticos da sobretaxa antes de definir o formato da proposta.

## Novos mercados como alternativa

Além das medidas de apoio, o governo trabalha para ampliar o acesso de produtos brasileiros a novos mercados. Canadá, Emirados Árabes Unidos e Japão estão entre os destinos considerados prioritários na estratégia de diversificação das exportações.

Para a Abimaq, a abertura de novos mercados será uma das principais alternativas caso as tarifas norte-americanas sejam mantidas. O setor afirma ter ampliado em 12% as exportações nos últimos 12 meses, apesar da queda nas vendas aos Estados Unidos.

## Diplomacia como caminho

Velloso também voltou a defender que o Brasil priorize a negociação com Washington. Segundo ele, a entidade é contrária à aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica e avalia que uma eventual retaliação não resolveria o impasse. "A gente acha que ainda existe espaço para a diplomacia. O que vai resolver o problema político é a diplomacia do Estado e a diplomacia empresarial", afirmou.

## A ameaça de uma segunda tarifa

O dirigente também comentou a possibilidade de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. A sobretaxa foi recomendada pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) em investigação sobre supostas falhas no combate ao trabalho forçado. A medida atinge 59 países, além da União Europeia. Ainda não há definição sobre a incidência conjunta da tarifa de 12,5% com a sobretaxa de 25% aplicada ao Brasil. A nova alíquota deve entrar em vigor na 6ª feira (24.jul.2026).

Segundo Velloso, mesmo que as tarifas sejam cumulativas, o impacto da alíquota de 12,5% tende a ser menor do que o da sobretaxa de 25%, porque ela também alcança concorrentes de outros países, enquanto a tarifa aplicada ao Brasil reduz exclusivamente a competitividade dos produtos nacionais.

## Perguntas Frequentes

### Quando a tarifa de 25% entra em vigor?

A sobretaxa de 25% anunciada por Donald Trump sobre produtos brasileiros entra em vigor na 4ª feira (22.jul.2026).

### Quais setores serão mais afetados?

A indústria de máquinas e equipamentos, representada pela Abimaq, além de setores como Anip, Abinee, Abiplast e Abicalçados, estão na linha de frente das discussões com o governo.

### O que é o programa Brasil Soberano?

É um programa do governo federal que oferece linhas de crédito e garantias para exportações. A proposta em discussão é ampliar a elegibilidade das empresas.

### O Brasil vai retaliar os EUA?

Segundo a Abimaq, a entidade é contrária à aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica. A avaliação é que a diplomacia, e não a retaliação, resolverá o impasse.

### Quais novos mercados o Brasil busca?

Canadá, Emirados Árabes Unidos e Japão estão entre os destinos prioritários na estratégia de diversificação das exportações.

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Fonte (canonical): https://www.bombounaweb.com.br/tecnologia/governo-estuda-credito-novos-mercados-contra-tarifaco-eua/
