Ministro estima impacto de US$ 7,4 bilhões nas exportações aos EUA
O ministro da Economia estimou que as novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos podem gerar um impacto de US$ 7,4 bilhões nas exportações brasileiras. O cálculo considera a alíquota adicional de 25% sobre aço e alumínio e 10% sobre outros produtos, como café e suco de laranja, com base na pauta exportadora de 2025.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 38,5 bilhões em 2025. O impacto estimado representa cerca de 19% desse total. O ministro afirmou que o cálculo é conservador e considera apenas os efeitos diretos das tarifas, sem incluir possíveis retaliações ou desvios de comércio.
Como o ministro chegou ao valor de US$ 7,4 bilhões
A estimativa foi construída a partir de três variáveis principais: a alíquota adicional aplicada por produto, o volume exportado em 2025 e a elasticidade-preço da demanda. O governo utilizou a metodologia do modelo de equilíbrio parcial, que mede o impacto de uma mudança de preço sobre a quantidade demandada.
Para o aço e o alumínio, a alíquota adicional de 25% deve reduzir as exportações em cerca de US$ 3,2 bilhões. Para o café, o suco de laranja e outros produtos agrícolas, a tarifa de 10% pode gerar perdas de US$ 2,1 bilhões. Os demais US$ 2,1 bilhões referem-se a produtos industrializados como máquinas e equipamentos, que enfrentam tarifas médias de 15%.
O setor de siderurgia é o mais exposto
A siderurgia brasileira responde por 42% do impacto total estimado. Em 2025, o Brasil exportou US$ 7,6 bilhões em aço e alumínio para os EUA, segundo o Instituto Aço Brasil. Com a tarifa de 25%, a estimativa é de que as vendas caiam para US$ 4,4 bilhões.
O presidente do Instituto Aço Brasil afirmou que o setor já opera com margens apertadas e que a medida pode levar ao fechamento de linhas de produção. "A perda de competitividade é imediata", disse ele em nota.
O impacto sobre o café e o suco de laranja
O café brasileiro responde por 18% do mercado americano de café verde. Com a tarifa de 10%, a estimativa é de que as exportações caiam US$ 1,2 bilhão. Já o suco de laranja, que tem o Brasil como maior fornecedor global, pode perder US$ 900 milhões.
A Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) alertou que a medida pode afetar principalmente os produtores do Sul de Minas e do Cerrado Mineiro, regiões que concentram 65% da produção de café arábica exportado aos EUA.
As limitações do cálculo oficial
Especialistas apontam que a estimativa de US$ 7,4 bilhões pode subestimar o impacto real. O modelo não considera efeitos de segunda ordem, como a redução da demanda por insumos brasileiros usados na indústria americana. Também não inclui possíveis retaliações do Brasil, que poderiam levar a uma escalada comercial.
O economista-chefe da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) afirmou que o impacto real pode chegar a US$ 10 bilhões se houver retaliação. "A conta do ministro é um piso, não um teto", disse ele.
O que o Brasil pode fazer para mitigar as perdas
O governo brasileiro já anunciou medidas de curto prazo, como a abertura de novos mercados na Ásia e no Oriente Médio. O Ministério da Agricultura está negociando acordos fitossanitários com a China e a Índia para facilitar a exportação de carne bovina e de frango.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também anunciou uma linha de crédito de R$ 5 bilhões para empresas exportadoras afetadas, com juros de 8% ao ano e carência de 12 meses.
Perguntas Frequentes
Qual é o impacto estimado pelo ministro?
O ministro da Economia estima um impacto de US$ 7,4 bilhões nas exportações brasileiras aos EUA, considerando as novas tarifas sobre aço, alumínio, café e suco de laranja.
Quais setores serão mais afetados?
A siderurgia é o setor mais exposto, com perdas estimadas em US$ 3,2 bilhões. Café e suco de laranja somam US$ 2,1 bilhões.
O cálculo oficial é confiável?
Especialistas apontam que o cálculo pode subestimar o impacto real, que pode chegar a US$ 10 bilhões se houver retaliação.
O que o Brasil está fazendo para mitigar as perdas?
O governo está abrindo novos mercados na Ásia e no Oriente Médio, além de oferecer linhas de crédito do BNDES para empresas exportadoras.
Quando as novas tarifas entram em vigor?
As tarifas foram anunciadas em janeiro de 2026 e entraram em vigor em 1º de fevereiro de 2026, com impacto imediato sobre as exportações.