O que a fragmentação global muda nos seus investimentos
Você já sentiu que o mundo está mudando e que suas aplicações financeiras podem não acompanhar? Não é impressão sua. Segundo Rodrigo Sgavioli, head de alocação da XP Investimentos, o cenário global mais fragmentado está mexendo com a composição das carteiras e, principalmente, com a sua percepção de risco.
O investidor terá que se questionar sobre o que é risco. Para a pessoa física, o risco sempre foi entendido como oscilações no curto prazo. Agora, risco passa a ser a chance de não atingir seus objetivos patrimoniais, mesmo que, para isso, seja necessário tolerar mais riscos, mais oscilações e mais volatilidade.
Por que o CDI pode não ser suficiente
Sgavioli foi direto: o investidor não poderá concentrar sua poupança só em aplicações atreladas ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário). O motivo é que, em horizontes de 10 ou 20 anos, essas aplicações podem não oferecer retorno acima da inflação.
Isso significa que, se você deixar tudo no CDI, corre o risco real de perder poder de compra no longo prazo. A segurança aparente pode se transformar em prejuízo silencioso.
O que fazer: ativos que protegem contra a inflação
Diante desse cenário, a recomendação de Sgavioli é clara: priorizar títulos que protejam contra a inflação. Os principais são:
- Títulos indexados ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor): eles acompanham a inflação oficial e garantem que seu dinheiro não perca valor.
- Ativos ligados à economia real, como ações: embora oscilem mais no curto prazo, tendem a garantir melhor retorno no longo prazo.
A lógica é simples: em um mundo com inflação mais volátil, você precisa de investimentos que andem junto com os preços. O CDI, sozinho, não dá conta.
Brasil vs. Estados Unidos: cautela redobrada
No Brasil, o investidor deve ser ainda mais cauteloso, segundo o especialista da XP. O mercado brasileiro é mais sensível a fatores específicos do país. Nos Estados Unidos, o ambiente regulatório é mais robusto.
Isso não significa que você deva fugir do Brasil, mas sim que precisa entender os riscos extras que corre por aqui. A volatilidade política e econômica local pode amplificar os choques globais.
O que está por trás da fragmentação
Segundo Sgavioli, há vários indícios de que o mundo já mudou. O processo de globalização desacelerou antes mesmo da pandemia de covid-19 e se intensificou depois dela.
Os países estão buscando maior autossuficiência e fortalecendo sua soberania como forma de garantir segurança. A geopolítica está sendo totalmente reorganizada, e o mundo liderado pelos Estados Unidos tende a dar lugar a uma ordem mais fragmentada e multipolar.
Ao mesmo tempo, muitos países estão altamente endividados, o que exige um custo de capital global mais elevado para financiar sua autossuficiência.
O papel da tecnologia e da inteligência artificial
Talvez por sorte ou competência histórica, parte desse problema possa ser resolvida por meio do aumento da produtividade, do crescimento do PIB e da inteligência artificial, declarou Sgavioli.
Os países que conseguirem liderar essa corrida tecnológica poderão reduzir parte do peso do endividamento com mais produtividade e expansão econômica. A grande dúvida é quais países serão os maiores beneficiados por esse processo.
Como se preparar para choques maiores
Na avaliação de Sgavioli, os investidores e os governos estarão mais suscetíveis a grandes choques em um mundo multipolar e fragmentado. Para o head de alocação da XP, haverá menor capacidade de amortecer crises.
A volatilidade da inflação deve aumentar. Um dos exemplos disso já foi visto pelo mercado, com a alta do petróleo depois do início da guerra entre Estados Unidos e Irã.
Na prática, o ambiente de capital barato e juros baixos nos países desenvolvidos, que marcou as últimas décadas, tende a ficar para trás. O novo cenário exigirá carteiras mais diversificadas, com maior exposição a ativos reais e proteção contra a inflação.
Passos práticos para ajustar sua carteira
- Reveja sua alocação atual: veja quanto está concentrado em CDI e outros ativos de renda fixa pós-fixada.
- Inclua títulos indexados ao IPCA: eles são a primeira linha de defesa contra a inflação.
- Considere ações de empresas sólidas: setores como energia, infraestrutura e tecnologia tendem a se beneficiar do crescimento da produtividade.
- Diversifique geograficamente: ter exposição a mercados com regulação mais robusta, como os EUA, pode reduzir riscos específicos do Brasil.
- Mantenha uma reserva de emergência: mesmo com mais volatilidade, você precisa de liquidez para imprevistos.
Como investir em títulos IPCA no Tesouro Direto
O que esperar dos próximos anos
O head de alocação da XP deixou claro: o novo cenário exigirá carteiras mais diversificadas, com maior exposição a ativos reais e proteção contra a inflação. Quem se adaptar cedo pode sair na frente.
Diversificação de carteira para iniciantes
Perguntas Frequentes
O que significa fragmentação global?
É o processo em que os países buscam maior autossuficiência e soberania, reduzindo a interdependência econômica global. Isso gera mais volatilidade e incertezas.
Por que o CDI pode não ser suficiente?
Porque, em horizontes de 10 ou 20 anos, as aplicações atreladas ao CDI podem não oferecer retorno acima da inflação, corroendo o poder de compra.
Quais ativos protegem contra a inflação?
Títulos indexados ao IPCA e ativos ligados à economia real, como ações, são os principais exemplos citados por Rodrigo Sgavioli.
O que fazer com a maior volatilidade?
O investidor precisa tolerar mais oscilações no curto prazo para não perder a chance de atingir seus objetivos patrimoniais no longo prazo.
Como a inteligência artificial pode ajudar?
Países que liderarem a corrida tecnológica da IA podem aumentar a produtividade e reduzir o peso do endividamento, gerando crescimento econômico.
O Brasil é mais arriscado que os EUA?
Segundo Sgavioli, o mercado brasileiro é mais sensível a fatores específicos do país, enquanto os EUA têm ambiente regulatório mais robusto.