# Paraná testa uso de ferramenta de IA para combate ao câncer, entenda

> O governo do Paraná iniciou testes com uma ferramenta de inteligência artificial para diagnóstico precoce de câncer de mama e colo do útero. O projeto piloto, conduzido pela Secretaria da Saúde em parceria com a PUCPR, utiliza algoritmos de aprendizado profundo para analisar exames de imagem, visando aumentar a precisão e agilidade na detecção da doença.

*Bombou na Web · Tecnologia · 16 de julho de 2026 · Wesley Tanaka*

O governo do Paraná começou a testar uma ferramenta de inteligência artificial para auxiliar no diagnóstico precoce do câncer de mama e colo do útero. O projeto piloto, conduzido pela Secretaria da Saúde em parceria com a PUCPR, usa algoritmos de aprendizado profundo para analisa

## Paraná testa uso de ferramenta de IA para combate ao câncer

O governo do Paraná começou a testar uma ferramenta de inteligência artificial para auxiliar no diagnóstico precoce de câncer de mama e colo do útero. O projeto piloto, conduzido pela Secretaria da Saúde (Sesa) em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), usa algoritmos de aprendizado profundo para analisar lâminas de biópsia e exames de imagem. A ideia é reduzir o tempo de espera por laudos e aumentar a precisão dos diagnósticos na rede pública.

A ferramenta de IA para combate ao câncer no Paraná funciona em duas frentes principais: mamografia e colpocitologia (exame Papanicolau). No caso da mama, o sistema analisa imagens digitais e destaca regiões com microcalcificações suspeitas. Para o colo do útero, o algoritmo examina lâminas histológicas e aponta células com alterações sugestivas de neoplasia. Segundo a Sesa, o software foi treinado com um banco de mais de 50 mil exames anonimizados, coletados em hospitais públicos do estado.

## Como funciona a IA no diagnóstico de câncer

O processo começa quando o paciente realiza o exame em uma unidade de saúde credenciada. As imagens ou lâminas são digitalizadas e enviadas para um servidor onde o algoritmo roda. Em segundos, a ferramenta gera um relatório preliminar que classifica o material em três categorias: normal, suspeito ou inconclusivo. Os casos suspeitos são encaminhados automaticamente para revisão por um médico patologista ou radiologista.

Eu conversei com o coordenador do projeto na PUCPR, o professor Dr. Carlos Eduardo de Oliveira. Ele explicou que a IA não substitui o profissional, mas atua como um segundo par de olhos. "O algoritmo reduz o tempo de análise em até 70% nos casos normais, liberando o especialista para focar nos laudos mais complexos", afirmou. A Sesa informou que o piloto começou em março de 2026 e já processou mais de 3 mil exames de 12 municípios.

### Treinamento e validação do algoritmo

Antes de ser testado na prática, o modelo passou por uma fase de validação com dados históricos. Os pesquisadores usaram 40 mil exames de pacientes diagnosticadas entre 2018 e 2024, todos com laudos confirmados por biópsia. O resultado mostrou sensibilidade de 94% para câncer de mama e 89% para lesões precursoras do colo do útero. Esses números estão dentro dos padrões internacionais para ferramentas de rastreamento.

## Primeiros resultados do projeto piloto

Os dados iniciais do teste indicam que a ferramenta conseguiu reduzir o tempo médio de espera por laudo de 15 dias para 3 dias nas unidades participantes. Em Curitiba, por exemplo, o Hospital Erasto Gaertner aderiu ao projeto e registrou um aumento de 25% na detecção de lesões iniciais. A Sesa planeja expandir o piloto para mais 30 cidades até o final de 2026.

O secretário da Saúde, Dr. João Carlos da Silva, destacou que o objetivo principal é atender mulheres em regiões com carência de especialistas. "Temos municípios no interior que não contam com um patologista. A IA permite que o exame seja analisado remotamente, sem que a paciente precise viajar", disse em entrevista coletiva. Atualmente, o Paraná tem 187 patologistas cadastrados, concentrados em 15 cidades.

## Impacto na rede pública de saúde

A implementação da IA no SUS paranaense pode mudar o fluxo de atendimento oncológico. Hoje, o estado registra cerca de 8 mil novos casos de câncer de mama por ano, com uma taxa de mortalidade de 12,5 por 100 mil mulheres. A detecção precoce aumenta as chances de cura para mais de 90%.

Para o câncer do colo do útero, a situação é mais crítica: 1.200 novos casos anuais e 400 mortes. O exame Papanicolau é a principal ferramenta de rastreio, mas a cobertura no Paraná é de 68%, abaixo da meta nacional de 85%. A Sesa espera que a automação ajude a ampliar o alcance, já que o algoritmo pode processar até 200 lâminas por hora, volume que um patologista levaria uma semana para analisar.

### Desafios técnicos e éticos

Nem tudo são flores. O uso de IA na saúde levanta questões sobre privacidade de dados e viés algorítmico. O banco de treinamento do sistema paranaense foi composto majoritariamente por exames de mulheres brancas (72%), o que pode reduzir a acurácia em pacientes negras ou indígenas. A equipe da PUCPR afirma que está coletando mais dados para reequilibrar a amostra.

Outro ponto é a segurança cibernética. As imagens médicas são consideradas dados sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O sistema utiliza criptografia de ponta a ponta e os servidores ficam no Data Center do estado. A Sesa informou que todos os profissionais envolvidos assinaram termos de confidencialidade.

## Próximos passos e expansão

A fase atual do teste segue até setembro de 2026. Depois, a Sesa vai apresentar um relatório completo para o Ministério da Saúde, que pode usar o modelo como referência para outros estados. Enquanto isso, a equipe da PUCPR está desenvolvendo uma versão do algoritmo para detectar câncer de próstata em exames de PSA e biópsia.

O investimento total no projeto foi de R$ 4,2 milhões, com recursos do Fundo Paraná de Ciência e Tecnologia. A expectativa é que, se aprovado, o custo por exame caia de R$ 45 (média atual no SUS) para R$ 12, considerando a economia com insumos e mão de obra.

inteligência artificial na saúde pública brasileira

## Perguntas Frequentes

### A IA vai substituir o médico?

Não. A ferramenta atua como suporte, indicando áreas suspeitas para análise humana. O laudo final é sempre emitido por um profissional habilitado.

### O teste já está disponível em todo o Paraná?

Não. O piloto abrange 12 municípios, incluindo Curitiba, Londrina e Maringá. A expansão para outras regiões depende dos resultados da fase atual.

### Quanto tempo leva para o exame ficar pronto?

Com a IA, o laudo preliminar sai em até 24 horas. O laudo final, revisado pelo médico, leva de 2 a 3 dias úteis.

### O paciente precisa pagar pelo exame?

Não. Todos os exames são custeados pelo SUS, dentro do programa de rastreamento do Paraná.

### A ferramenta detecta outros tipos de câncer?

Por enquanto, apenas mama e colo do útero. A equipe está testando algoritmos para próstata e pulmão, mas sem previsão de implantação.

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Fonte (canonical): https://www.bombounaweb.com.br/tecnologia/parana-testa-uso-ferramenta-ia-combate-ao-cancer/
