# Rede elétrica resiliente exige investimento das concessionárias

> A rede elétrica aérea do Brasil, exposta a ventos fortes no Rio de Janeiro e em São Paulo, demonstra fragilidade estrutural diante de eventos climáticos extremos. A fiação subterrânea surge como solução definitiva, porém exige investimento significativo das concessionárias de energia. Especialistas recomendam priorizar a modernização da infraestrutura para garantir resiliência e reduzir interrupções no fornecimento.

*Bombou na Web · Tecnologia · 31 de julho de 2026 · Larissa Quintela*

Ventos fortes no Rio e em SP revelam a fragilidade da rede elétrica aérea. Especialistas apontam que soluções como fiação subterrânea exigem alto investimento das concessionárias.

## Rede elétrica mais resiliente requer investimento de concessionárias

O que faz uma cidade inteira ficar no escuro após uma ventania? A resposta passa por uma decisão cara e que cabe às concessionárias de energia. Após ventos fortes atingirem São Paulo e Rio de Janeiro, a pergunta sobre como tornar a rede elétrica mais resiliente voltou com força.

Segundo o professor Edson Watanabe, do Programa de Engenharia Elétrica da Coppe/UFRJ, é possível sim ter uma rede mais robusta. O custo, porém, é elevado e precisa ser arcado pelas concessionárias. Fiação subterrânea e poda de árvores na época certa estão entre as medidas necessárias para reduzir a vulnerabilidade do fornecimento.

## Por que a rede aérea é mais vulnerável a ventos fortes?

Watanabe, que mora no Grajaú, Zona Norte do Rio, ficou sem energia até a tarde da quinta-feira (30). Na rua dele, a rede é aérea, sustentada por postes. "Quem recebe energia por linha aérea tem mais problemas", resume. Já quem tem instalações subterrâneas, como bairros mais nobres e o centro do Rio, enfrenta menos contratempos.

A diferença não é só de conforto. É de engenharia. A rede aérea fica exposta a quedas de árvores e intempéries. A subterrânea, não. Mas enterrar cabos tem preço: o custo equivale a sete ou dez vezes o da linha aérea, estima o professor, com a vantagem de oferecer maior qualidade.

## O custo da solução e a responsabilidade das concessionárias

"Tem que ter manutenção. Ou enterra ou faz manutenção. No geral, não se faz nem um, nem outro. Ou se faz pouco", aponta Watanabe. Na visão dele, a responsabilidade por esses custos é das concessionárias. "Seria bom se houvesse um pouco mais de atividade do lado das concessionárias. Se ficar parado, como a gente anda, vai ser ainda pior", afirma.

A conta não é simples. Além da instalação, a manutenção da fiação subterrânea também é mais cara. É um investimento de longo prazo que muitas vezes não aparece no orçamento anual das empresas do setor.

## Substituir toda a rede aérea é a saída? Nem sempre

Leandro Torres, especialista em desastres e professor da Escola Politécnica da UFRJ, faz um contraponto. Para ele, o risco de falta de energia, por si só, não justifica substituir toda a rede aérea por subterrânea. "É uma decisão estética, urbanística. Mas não pesa muito no caso de falta de luz", avalia.

Torres lembra que o investimento para uma estrutura subterrânea é alto e pode ser economicamente inviável. Além disso, os cabos subterrâneos, apesar da proteção contra o vento, criam problemas em caso de inundações e furtos.

Ou seja: não existe solução perfeita. Cada modelo tem suas fragilidades, e a escolha precisa considerar o contexto local.

## Planos de contingência: o que as empresas precisam fazer

Para Torres, o vendaval no Rio foi um evento de emergência. As instituições precisam estar preparadas com planos de contingência que listem tudo que pode afetar suas operações. "Fazer uma listagem dessas ameaças. Isso abrange eventos de diferentes naturezas, como vendaval, inundação, ataque cibernético", explica.

O segundo passo é entender as causas que podem originar essas ameaças, ou seja, os pontos fracos na operação. Uma análise de risco prioriza o que demanda mais atenção. Em seguida, busca-se medidas para evitar falhas ou reduzir a probabilidade de que ocorram.

Instituições de diferentes naturezas, desde escolas até empresas de telecomunicações e concessionárias de energia, precisam se organizar para cenários climáticos extremos.

## El Niño e o alerta para as concessionárias

Torres destaca que as concessionárias devem se preparar para um possível aumento drástico de eventos climáticos, principalmente neste ano, com a previsão de um El Niño especialmente forte. "Elas devem analisar, por hipótese, se acontecer um tornado aqui, o que eu faria? Se acontecer uma inundação até um metro ou dois metros de lâmina, o que deveria ser feito? E se for uma onda de calor extremo?", questiona.

A empresa não pode esperar o evento negativo acontecer para agir. Isso demanda recursos previamente alocados e pessoal treinado, além de uma estrutura de planejamento de comunicação interna e externa com clientes.

## O impacto real na vida de quem fica sem luz

A empresária Ana Paula Brito, moradora de Vila Isabel, Zona Norte do Rio, está sem luz desde as 17h da quarta-feira (29). Ela abriu vários protocolos na Light e a resposta é que os técnicos estão trabalhando no local, sem previsão de retorno. "Estamos preocupados, porque a geladeira já está descongelando, os alimentos estão vencendo e não tem nenhuma previsão. É um transtorno muito grande ficar sem energia", relata.

Rico Vilarouca, designer que trabalha de casa em Santa Teresa, na região central do Rio, também espera o retorno da energia e da internet residencial. A situação se repete sempre que chove forte e venta no bairro. "A gente não está preparado para esse volume de vento na cidade", lamenta.

A Light e a Enel, concessionárias que atuam no Rio de Janeiro, na região metropolitana e no interior, divulgaram que estão com equipes mobilizadas para normalizar o fornecimento. Mesmo assim, milhares de residências e estabelecimentos seguiam sem energia na quinta-feira (30).

## Como pedir ressarcimento por prejuízos

Quem teve prejuízos com a falta de energia pode buscar ressarcimento junto à concessionária. O processo envolve abrir protocolo e documentar os danos, como alimentos estragados e equipamentos queimados.

## Perguntas Frequentes

### Quem é responsável por investir na rede elétrica?

A responsabilidade pelos custos de manutenção e melhoria da rede é das concessionárias de energia, conforme apontam especialistas da UFRJ.

### Fiação subterrânea é sempre melhor?

Não. Apesar de proteger contra ventos, ela é mais cara e vulnerável a inundações e furtos. A decisão envolve fatores estéticos, urbanísticos e econômicos.

### O que fazer em caso de falta de energia prolongada?

Abra protocolo na concessionária, documente os prejuízos e busque ressarcimento. Em situações de emergência, as empresas devem ter planos de contingência.

### Como as empresas devem se preparar para eventos climáticos?

Elas precisam listar ameaças, analisar riscos e criar planos de contingência com recursos alocados e pessoal treinado, além de comunicação clara com clientes.

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Fonte (canonical): https://www.bombounaweb.com.br/tecnologia/rede-eletrica-mais-resiliente-requer-investimento-concessionarias/
