# Tarifaço de Trump: indústria diz que novas taxas ampliam dificuldades de exportadores

> As tarifas de importação de Donald Trump sobre aço e alumínio estrangeiros ampliam as dificuldades de exportadores brasileiros, conforme avaliação da indústria. Dados do Ministério da Economia e do Ipea indicam impacto direto nas contas externas e na competitividade dos produtos nacionais no mercado internacional.

*Bombou na Web · Tecnologia · 16 de julho de 2026 · Wesley Tanaka*

As novas tarifas de importação anunciadas por Donald Trump sobre aço e alumínio estrangeiros ampliam as dificuldades já enfrentadas por exportadores brasileiros, segundo a indústria. Dados do Ministério da Economia e do Ipea mostram impacto direto nas contas externas e na competi

## Tarifaço de Trump: indústria diz que novas taxas ampliam as dificuldades já enfrentadas por exportadores

As novas tarifas de importação de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio, anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em março de 2018, ampliam as dificuldades já enfrentadas por exportadores brasileiros. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor estima perdas de US$ 1,2 bilhão ao ano, afetando diretamente a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.

## Impacto nas exportações brasileiras de aço

O Brasil é o segundo maior fornecedor de aço para os Estados Unidos, atrás apenas do Canadá. Em 2017, o país exportou US$ 2,5 bilhões em aço para o mercado americano, de acordo com dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Com a nova tarifa, a expectativa é de queda de 30% a 40% nesses embarques.

### Reação da indústria siderúrgica

O Instituto Aço Brasil, que representa as siderúrgicas nacionais, classificou a medida como "protecionista e injustificada". Em nota, a entidade afirmou que o Brasil não é uma ameaça à indústria americana, já que o aço brasileiro responde por apenas 3% do consumo dos EUA. Ainda assim, a tarifa de 25% deve reduzir em US$ 800 milhões as receitas do setor.

## Alumínio: o segundo alvo

As exportações brasileiras de alumínio para os EUA somaram US$ 400 milhões em 2017, segundo a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL). A tarifa de 10% deve atingir principalmente os produtores de alumínio primário, que já enfrentam custos elevados de energia e concorrência chinesa. A ABAL estima que as vendas para os EUA possam cair até 25% no curto prazo.

### Setor de transformados também sofre

Empresas que exportam peças e componentes de aço e alumínio, como autopeças e máquinas, também serão afetadas. A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) calcula que o impacto indireto pode chegar a US$ 300 milhões, pois muitos produtos intermediários contêm esses metais.

## Dificuldades pré-existentes dos exportadores

Antes mesmo do tarifaço, os exportadores brasileiros já enfrentavam obstáculos como a burocracia alfandegária, a infraestrutura portuária deficiente e a valorização do real frente ao dólar. Em 2017, o Brasil perdeu US$ 1,5 bilhão em exportações por causa de gargalos logísticos, segundo estudo do Ipea. A nova tarifa de Trump amplia essas dificuldades.

### Custo Brasil pesa na competitividade

O chamado Custo Brasil, conjunto de ineficiências que encarece a produção, é apontado pela CNI como um agravante. Enquanto o custo logístico nos EUA representa 8% do PIB, no Brasil é de 12%, de acordo com dados do Banco Mundial. Com a tarifa adicional, o produto brasileiro se torna ainda menos competitivo.

## Negociações e possíveis contramedidas

O governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, já iniciou conversas com a administração Trump para tentar uma isenção. O Brasil argumenta que é um aliado comercial histórico e que o aço brasileiro não representa risco à segurança nacional, justificativa usada por Trump para impor as tarifas.

### Risco de retaliação

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) estuda medidas de retaliação, como elevar tarifas de importação de produtos americanos como whiskey, motocicletas e cosméticos. Em 2017, o Brasil importou US$ 2,8 bilhões em produtos dos EUA que podem ser alvo de sobretaxas. A indústria, no entanto, alerta que a retaliação pode prejudicar setores que dependem de insumos americanos.

## O que esperar para os próximos meses

A avaliação de analistas é que o impacto será sentido gradualmente. O Banco Central estima que as exportações totais do Brasil para os EUA, que somaram US$ 27 bilhões em 2017, podem recuar entre 5% e 10% neste ano. Setores como carnes e calçados, que não são alvo direto da tarifa, também podem ser afetados por uma desaceleração geral da economia americana.

impacto do protecionismo americano no agronegócio brasileiro

## Perguntas Frequentes

### Quais produtos brasileiros são mais afetados pelo tarifaço de Trump?

Os mais afetados são aço e alumínio, que sofrem tarifas de 25% e 10%, respectivamente. Produtos que contêm esses metais, como autopeças e máquinas, também são impactados indiretamente.

### O Brasil pode conseguir isenção das tarifas?

O governo brasileiro negocia com os EUA uma isenção, mas não há garantia. Países como Canadá e México já conseguiram isenções temporárias, mas o Brasil não é membro do Nafta.

### Qual o valor total das exportações brasileiras para os EUA?

Em 2017, o Brasil exportou US$ 27 bilhões para os Estados Unidos. Desse total, US$ 2,5 bilhões eram de aço e US$ 400 milhões de alumínio.

### A retaliação brasileira pode prejudicar a economia?

Sim. A Camex estuda sobretaxar produtos americanos, mas a indústria alerta que isso pode encarecer insumos e gerar inflação. O ideal, segundo economistas, é buscar acordo diplomático.

### Como o tarifaço afeta o consumidor brasileiro?

Indiretamente, a redução das exportações pode desaquecer a economia e reduzir empregos. Além disso, a retaliação pode aumentar o preço de produtos importados dos EUA.

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Fonte (canonical): https://www.bombounaweb.com.br/tecnologia/tarifaco-trump-industria-diz-novas-taxas-ampliam-dificuldades-ja-enfrentadas-por/
