A Vale prometeu crescimento, e os números do 1º semestre de 2026 confirmam a tendência. Mas o diabo, como sempre, mora na comparação trimestral.
A produção de minério de ferro, cobre e níquel avançou na comparação anual, segundo relatório divulgado pela companhia em 21 de julho de 2026. O minério de ferro somou 153,9 milhões de toneladas entre janeiro e junho, alta de 1,8% ante as 151,3 milhões do mesmo período de 2025. A produção de pelotas de ferro cresceu 2,9%, para 15,5 milhões de toneladas. O cobre avançou 9,4%, para 200,7 mil toneladas, e o níquel, 8,4%, para 91,3 mil toneladas.
O recorde do S11D e o crescimento em Capanema
O 2º trimestre isolado reforça a narrativa: a Vale produziu 84,3 milhões de toneladas de minério de ferro, alta de 0,8% ante o 2º trimestre de 2025 e de 20,9% sobre o 1º trimestre de 2026. Foi o maior volume para um 2º trimestre desde 2018.
Segundo a companhia, o resultado foi impulsionado pelo recorde de produção no projeto S11D, em Canaã dos Carajás (PA), e pelos volumes adicionais dos projetos Capanema, em Ouro Preto (MG), e VGR1, em Vargem Grande (MG).
Cobre e níquel: o que o trimestre esconde
A produção de cobre no 2º trimestre atingiu 98,4 mil toneladas, crescimento de 6,3% na comparação anual, mas queda de 3,8% ante o trimestre anterior. Foi o melhor resultado para um 2º trimestre desde 2017, impulsionado pelo desempenho das minas brasileiras. Salobo, a maior mina de cobre do Brasil, produziu 52,4 mil toneladas, enquanto Sossego alcançou 25,9 mil toneladas. Ambas ficam no Pará.
O níquel somou 42 mil toneladas no 2º trimestre, alta de 4,2% ante o mesmo período de 2025, mas queda de 14,8% ante os 3 primeiros meses do ano. O avanço anual foi sustentado principalmente pela operação de Onça Puma, no Pará, cuja produção quase dobrou, para 9,4 mil toneladas. Esse desempenho compensou a redução da produção de origem canadense, afetada por manutenções programadas em Sudbury e pelo menor volume de Thompson. Em sentido contrário, a operação de Voisey's Bay, também no Canadá, registrou crescimento.
Pelotas: o calcanhar de Aquiles
A produção de pelotas recuou 7% na comparação anual e 10,6% ante o 1º trimestre, para 7,3 milhões de toneladas. Segundo a Vale, a queda decorreu principalmente da suspensão temporária das plantas de pelotização de Omã em razão do conflito no Oriente Médio e das restrições logísticas associadas. As operações foram parcialmente retomadas no fim de junho.
Vendas acompanham a produção
As vendas de minério de ferro no 1º semestre somaram 148,5 milhões de toneladas, alta de 3,5%. As de pelotas cresceram 3,1%, para 15,4 milhões de toneladas; as de cobre avançaram 10,5%, para 188,8 mil toneladas; e as de níquel aumentaram 11,1%, para 89.200 toneladas.
A Vale publicará os resultados financeiros do 2º trimestre em 30 de julho, depois do fechamento do mercado. A teleconferência com analistas e investidores será em 31 de julho, às 11h, no horário de Brasília.
Perguntas Frequentes
O que impulsionou a produção de minério de ferro no 2º trimestre?
O recorde de produção no projeto S11D, em Canaã dos Carajás (PA), e os volumes adicionais dos projetos Capanema (MG) e VGR1 (MG).
Por que a produção de pelotas caiu?
A suspensão temporária das plantas de pelotização de Omã, devido ao conflito no Oriente Médio e restrições logísticas. As operações foram parcialmente retomadas no fim de junho.
Qual foi a produção de cobre no 2º trimestre?
98,4 mil toneladas, alta de 6,3% ante o 2º trimestre de 2025, mas queda de 3,8% ante o 1º trimestre de 2026.
O níquel cresceu no 2º trimestre?
Sim, 4,2% ante o mesmo período de 2025, para 42 mil toneladas, mas caiu 14,8% ante o 1º trimestre de 2026.
Quando a Vale divulga os resultados financeiros?
Em 30 de julho de 2026, após o fechamento do mercado.