Advogada goiana é presa na Bahia suspeita de aplicar golpe de R$ 650 mil em clientes
Uma advogada de Goiás foi presa preventivamente em um resort na Bahia, suspeita de se apropriar de dinheiro de clientes que a contrataram para atuar em ações de revisão de financiamentos imobiliários. Segundo a Polícia Civil, ao menos 17 pessoas foram identificadas como vítimas, com um prejuízo que chega a R$ 650 mil. A investigada foi identificada como Rina de Oliveira Campbell Pena. Além da prisão, policiais civis cumpriram mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (23) no escritório da advogada, no Setor Oeste, em Goiânia.
Uma advogada goiana foi presa preventivamente em um resort na Bahia, suspeita de se apropriar de R$ 650 mil de clientes em ações de revisão de financiamentos imobiliários. A Polícia Civil já identificou 17 vítimas e acredita que o número pode ser maior. O esquema, investigado desde 2014, usava captadores e indicações para atrair pessoas de baixa renda.
Como funcionava o esquema
De acordo com as investigações, a suspeita concentrava a atuação em pessoas de baixa renda que haviam financiado imóveis de menor valor, como casas populares e lotes. A estratégia consistia em oferecer ações revisionais de contratos de financiamento. Ela alegava às vítimas que os juros cobrados eram abusivos e que seria possível reduzir o valor das parcelas por meio de uma negociação judicial.
Após a assinatura dos contratos, porém, a advogada pedia que os clientes entregassem dinheiro sob a justificativa de que os recursos seriam utilizados para firmar acordos com as instituições financiadoras. Enquanto acreditavam que as negociações estavam em andamento, as vítimas deixavam de pagar as prestações do financiamento. Com isso, as dívidas continuavam crescendo devido à incidência de juros e encargos, segundo a investigação.
O relato de uma vítima
À TV Anhanguera, o mecânico Leidimar de Melo Leal contou que perdeu R$ 54 mil após contratar a advogada. Segundo ele, havia recebido uma proposta de acordo imobiliário naquele valor, mas foi orientado pela própria advogada a não aceitar e seguir com a ação judicial. Com o passar do tempo, desconfiou da demora na conclusão do processo e descobriu que a advogada havia firmado um acordo sem sua autorização e recebido o dinheiro.
"Ela mesma me aconselhou a não aceitar a proposta e continuar com a ação. Depois de um tempo, comecei a estranhar a demora. Ela parou de atender minhas ligações e responder mensagens. Foi quando descobri que ela já tinha pegado o dinheiro", relatou.
Sinais de alerta para quem contrata advogados
O caso levanta questões práticas para qualquer pessoa que esteja buscando revisão de financiamento ou qualquer serviço jurídico. A Polícia Civil identificou que a investigada costumava apresentar diferentes justificativas para evitar prestar informações aos clientes sobre o andamento dos processos. Entre as desculpas, alegava problemas de saúde e dizia, por exemplo, que estava internada.
Se você contratou um advogado e percebe que ele para de responder mensagens ou ligações, ou apresenta desculpas repetidas para não dar satisfação, desconfie. Outro sinal: quando o profissional pede dinheiro adiantado para "firmar acordos" com instituições financeiras, sem apresentar comprovantes ou documentos que respaldem a negociação.
O papel da OAB-GO
Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Goiás (OAB-GO) informou que acompanhou a Operação Causa Própria, por meio do Sistema de Defesa das Prerrogativas (SDP), e ressaltou que apura todas as infrações que chegam ao seu conhecimento, adotando as medidas cabíveis para preservar a dignidade da advocacia, sempre com respeito ao direito de defesa e ao contraditório. A entidade acrescentou que não comenta prisões ou condenações de advogados inscritos.
O que fazer se você foi vítima
O delegado Douglas Pedrosa, responsável pelo caso, afirmou que a suspeita conquistava novos clientes por meio de captadores e também por indicação de antigos atendimentos. Ele acredita que o número de vítimas pode ser ainda maior e pede que outras pessoas que tenham passado por situação semelhante procurem a Polícia Civil.
Se você contratou Rina de Oliveira Campbell Pena ou outro advogado e suspeita de irregularidades, reúna todos os documentos (contratos, comprovantes de pagamento, mensagens) e registre um boletim de ocorrência. A advogada permanece presa na Bahia e deverá ser recambiada para Goiás nos próximos dias, onde ficará à disposição da Justiça. As investigações continuam para identificar possíveis novas vítimas e apurar a extensão do prejuízo causado pelo suposto esquema.
Perguntas Frequentes
Quem é a advogada presa?
A investigada foi identificada como Rina de Oliveira Campbell Pena, advogada de Goiás presa preventivamente em um resort na Bahia.
Qual o valor do golpe?
Segundo a Polícia Civil, o prejuízo chega a R$ 650 mil, com ao menos 17 vítimas identificadas.
Como o esquema funcionava?
A advogada oferecia ações revisionais de financiamento imobiliário, pedia dinheiro adiantado para supostos acordos e depois se apropriava dos valores, enquanto as vítimas deixavam de pagar as prestações.
O que fazer se fui vítima?
A Polícia Civil pede que outras vítimas procurem a delegacia. Reúna documentos e registre um boletim de ocorrência.
Qual foi o papel da OAB-GO?
A OAB-GO acompanhou a Operação Causa Própria e afirmou que apura infrações disciplinares, mas não comenta prisões ou condenações de advogados inscritos.
A advogada já foi solta?
Não. Ela permanece presa na Bahia e será recambiada para Goiás, onde ficará à disposição da Justiça.