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Alckmin contesta tarifaço dos EUA: medida 'injusta e descabida'

ResumoO vice-presidente Geraldo Alckmin classificou como 'injusta e descabida' a alegação dos Estados Unidos sobre práticas desleais de comércio. Alckmin contestou o tarifaço imposto por Washington e defendeu reciprocidade nas relações bilaterais, rejeitando a medida como desproporcional e sem fundamento.

O vice-presidente Geraldo Alckmin classificou como 'injusta e descabida' a alegação dos Estados Unidos sobre práticas desleais de comércio. Em pronunciamento, ele contestou os termos do tarifaço imposto por Washington e defendeu a reciprocidade nas relações bilaterais.

Larissa Quintela
Alckmin contesta tarifaço dos EUA: medida 'injusta e descabida'

Alckmin contesta tarifaço dos EUA: medida 'injusta e descabida' — Foto: Reprodução / Bombou na Web

Alckmin contesta alegações dos EUA sobre tarifaço e diz que medida é 'injusta e descabida'

A pergunta que ecoa nos corredores do Palácio do Planalto é: por que Washington decidiu mirar o Brasil com um tarifaço agora? O vice-presidente Geraldo Alckmin respondeu com clareza: a medida é 'injusta e descabida'. A declaração veio após o governo americano acusar o Brasil de práticas desleais de comércio, impondo tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.

O vice-presidente Geraldo Alckmin contestou as alegações dos Estados Unidos sobre tarifaço, classificando a medida como 'injusta e descabida'. Em nota oficial, o governo brasileiro argumenta que as acusações não se baseiam em dados concretos do comércio bilateral e defende negociações baseadas em reciprocidade e equilíbrio.

Os argumentos de Alckmin contra o tarifaço americano

Alckmin, que também acumula a pasta do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, foi enfático: 'Não há fundamento técnico para essa acusação. O Brasil sempre atuou com transparência nas regras da OMC.' O governo brasileiro apresentou dados que mostram superávit comercial dos EUA com o Brasil em setores como máquinas e equipamentos, contrariando a tese de desequilíbrio.

A acusação de Washington

Os Estados Unidos alegam que o Brasil adota subsídios ilegais e barreiras não tarifárias que prejudicam exportadores americanos. A queixa formal foi apresentada ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) em abril.

'Promessa é uma coisa, entrega é outra', disse Alckmin ao comparar o discurso americano de livre comércio com a prática protecionista. O vice-presidente lembrou que o Brasil reduziu tarifas de importação em 10% nos últimos dois anos, enquanto os EUA mantiveram barreiras em aço, alumínio e etanol.

O impacto do tarifaço sobre a economia brasileira

O tarifaço americano atinge principalmente setores como siderurgia, alumínio e suco de laranja. Segundo o Ministério da Economia, as exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 32 bilhões em 2025. As tarifas adicionais podem afetar cerca de US$ 5 bilhões desse total.

Setores mais expostos

  • Siderurgia: as tarifas sobre aço brasileiro podem subir de 25% para 35%, afetando a competitividade.
  • Alumínio: a alíquota adicional de 10% sobre o alumínio brasileiro já gerou protestos da indústria nacional.
  • Suco de laranja: principal produto agrícola exportado para os EUA, com tarifa que pode chegar a 30%.

A pergunta certa é outra: o Brasil tem instrumentos para retaliar? O governo já sinalizou que pode recorrer à OMC e, se necessário, elevar tarifas sobre produtos americanos como milho, trigo e carne de frango.

A defesa da reciprocidade nas relações comerciais

Alckmin defendeu que o Brasil não pode aceitar imposições unilaterais. 'Nossa política externa sempre foi baseada no diálogo, mas com reciprocidade. Não podemos ser ingênuos', afirmou. O governo brasileiro já acionou o mecanismo de consultas da OMC e prepara uma lista de contramedidas.

O histórico de disputas comerciais Brasil-EUA

As relações comerciais entre os dois países têm ciclos de tensão. Em 2019, os EUA impuseram tarifas sobre o aço brasileiro, e o Brasil respondeu com cotas. Agora, o cenário é mais amplo.

O Itamaraty informou que as negociações continuam abertas, mas a paciência tem limite. 'O Brasil não vai aceitar sanções sem fundamento. Se for preciso, vamos retaliar na mesma moeda', disse Alckmin em entrevista coletiva.

As limitações da estratégia brasileira

Há, porém, um risco: o Brasil depende dos EUA para 15% de suas exportações totais. Uma escalada tarifária pode prejudicar setores que não têm mercado alternativo imediato. Especialistas apontam que a diversificação comercial é o caminho, mas leva tempo.

'Se o Brasil retaliar, o efeito pode ser simétrico, mas não necessariamente equilibrado', alerta o economista Marcos Lisboa, da FGV. 'Os EUA são um mercado maior e mais diversificado. Uma guerra comercial não interessa a ninguém.'

O que esperar dos próximos passos

O governo brasileiro aguarda a resposta dos EUA às consultas na OMC. O prazo para negociação é de 60 dias. Se não houver acordo, o Brasil pode pedir a formação de um painel arbitral.

Alckmin deixou claro: 'Não vamos recuar. O Brasil tem argumentos sólidos e dados que comprovam nossa posição. A medida americana é descabida e será contestada em todas as instâncias.'

Perguntas Frequentes

O que é o tarifaço dos EUA contra o Brasil?

É a imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, alegando práticas desleais de comércio. O governo brasileiro contesta a medida.

Quais produtos brasileiros são afetados?

Aço, alumínio e suco de laranja estão entre os principais. As tarifas podem chegar a 35% em alguns casos.

O Brasil pode retaliar?

Sim. O governo já prepara uma lista de contramedidas, incluindo tarifas sobre milho, trigo e carne de frango americanos.

Qual o papel da OMC nessa disputa?

O Brasil acionou o mecanismo de consultas da OMC. Se não houver acordo em 60 dias, pode pedir um painel arbitral.

O tarifaço pode afetar o consumidor brasileiro?

Indiretamente, sim. Se houver retaliação, produtos importados dos EUA podem ficar mais caros, pressionando a inflação.

Há chance de acordo entre Brasil e EUA?

Sim. As negociações estão abertas, mas o governo brasileiro condiciona qualquer acordo à retirada das tarifas adicionais.

Larissa Quintela

Editoria Virais

Larissa Quintela cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.