Uma casa de alto padrão na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista, tornou-se o centro de uma disputa que, segundo o Ministério Público de São Paulo, acabou sendo resolvida não pela Justiça, mas por um "tribunal do crime" do Primeiro Comando da Capital (PCC). A negociação do imóvel, avaliado em R$ 2 milhões, é apontada como um dos principais episódios que aproximaram empresários investigados por lavagem de dinheiro de integrantes da facção e ajuda a embasar a Operação Janus, deflagrada nesta terça-feira (21).
Uma casa de alto padrão na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, tornou-se o centro de uma disputa que, segundo o Ministério Público de São Paulo, acabou sendo resolvida não pela Justiça, mas por um "tribunal do crime" do Primeiro Comando da Capital (PCC). A negociação do imóvel é apontada como um dos principais episódios que aproximaram empresários investigados por lavagem de dinheiro de integrantes da facção e ajuda a embasar a Operação Janus, deflagrada nesta terça-feira (21).
O que é o tribunal do crime do PCC?
O "tribunal do crime" é o nome dado ao mecanismo paralelo de resolução de conflitos usado pelo PCC para julgar disputas entre seus membros ou entre pessoas ligadas à facção. No caso da Riviera, segundo o MP, o empresário Cléber Azevedo dos Santos, um dos principais investigados, teria recorrido voluntariamente a esse sistema para tentar solucionar um impasse envolvendo a venda da residência.
O tribunal do crime funciona à margem da Justiça, com regras próprias e punições que podem incluir desde multas até execuções. A investigação aponta que, neste caso, a divergência extrapolou a esfera comercial e passou a ser tratada por integrantes da facção.
Como a casa de R$ 2 milhões entrou na mira do PCC?
De acordo com a investigação, a divergência envolvia o pagamento de R$ 2 milhões relacionados à negociação do imóvel entre Cléber e Marcelo de Morais Oliveira. A partir da análise de celulares apreendidos, os investigadores concluíram que o conflito extrapolou a esfera comercial e passou a ser tratado por integrantes da facção criminosa.
O imóvel, localizado na Riviera de São Lourenço, é descrito como de alto padrão. A região, em Bertioga, é conhecida por suas casas de veraneio e condomínios fechados, o que contrasta com a origem do conflito.
Quem são os envolvidos no tribunal do crime?
As apurações indicam que Cléber contou com o auxílio de Antonio Carlos Ubaldo Júnior e Marlon Antonio Fontana, ambos denunciados anteriormente na Operação Bazaar, para se aproximar de integrantes do PCC, entre eles Leonardo Monteiro Moja, o Léo do Moinho, apontado como uma das lideranças da facção.
A investigação do MP-SP mapeou a rede de contatos que teria levado o empresário a buscar o tribunal do crime. A Operação Bazaar, mencionada no caso, já havia mirado esquemas de lavagem de dinheiro que envolviam empresários e a facção.
O que é a Operação Janus?
A Operação Janus foi deflagrada nesta terça-feira (21) pelo Ministério Público de São Paulo. O nome da operação faz referência ao deus romano das transições, que olha para o passado e o futuro, uma alusão à complexidade das relações entre o mundo empresarial e o crime organizado.
A casa na Riviera é um dos principais episódios que embasaram a operação. Segundo o MP, a negociação do imóvel ajudou a aproximar empresários investigados por lavagem de dinheiro de integrantes do PCC.
Como a investigação chegou ao tribunal do crime?
Os investigadores analisaram celulares apreendidos dos envolvidos. Foi a partir desse material que concluíram que o conflito sobre os R$ 2 milhões extrapolou a esfera comercial e passou a ser tratado por integrantes da facção criminosa.
A análise de mensagens e registros de chamadas permitiu mapear a atuação do tribunal do crime no caso. O MP não detalhou o conteúdo específico das conversas, mas afirmou que elas comprovam a participação de membros do PCC na resolução do impasse.
O que esperar dos próximos passos?
A Operação Janus está em fase inicial. O MP-SP deve continuar investigando as conexões entre empresários e a facção, com foco em lavagem de dinheiro e participação em tribunal do crime. A casa na Riviera segue como um dos símbolos dessa relação.
Para quem acompanha o caso, a expectativa é que novas fases da operação possam revelar mais detalhes sobre o funcionamento do tribunal do crime do PCC e como ele atrai pessoas de fora do mundo do crime.
Perguntas Frequentes
O que é o tribunal do crime do PCC?
É um mecanismo paralelo de resolução de conflitos usado pelo PCC para julgar disputas entre seus membros ou pessoas ligadas à facção, à margem da Justiça.
Quem é Cléber Azevedo dos Santos?
É o empresário apontado pelo MP-SP como um dos principais investigados, que teria recorrido ao tribunal do crime do PCC para resolver um impasse de R$ 2 milhões.
O que é a Operação Janus?
É uma operação do Ministério Público de São Paulo deflagrada em 21 de julho de 2026, que investiga lavagem de dinheiro e conexões entre empresários e o PCC.
Onde fica a Riviera de São Lourenço?
Fica em Bertioga, no litoral paulista, e é uma região conhecida por casas de alto padrão e condomínios fechados.
Quem é Leonardo Monteiro Moja, o Léo do Moinho?
É apontado pela investigação como uma das lideranças do PCC que teria participado do tribunal do crime envolvendo a casa na Riviera.