A mãe das crianças desaparecidas há mais de oito meses em Bacabal, no Maranhão, pediu à Polícia Federal (PF) que Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, sejam incluídos na Difusão Amarela da Interpol, a polícia internacional que representa 196 países. O pedido foi apresentado nesta quarta-feira (9) por Clarice Cardoso, e a PF informou, por nota, que vai analisar o caso e "adotará os procedimentos necessários para eventual encaminhamento à Interpol".
A Difusão Amarela é um mecanismo usado para auxiliar na localização de pessoas desaparecidas. Mas a inclusão não é automática. A própria PF esclareceu que cabe à Interpol decidir se publica e compartilha o alerta com os países membros, após receber as informações da autoridade policial competente.
Clarice Cardoso disse à Agência Brasil que foi contactada pela Interpol para verificar se os filhos estão entre as 163 crianças resgatadas em uma operação contra o tráfico de pessoas na Flórida, nos Estados Unidos, no final de agosto. Nesta quarta, a advogada da família, Nathaly Moraes, informou que foi coletado sangue na Superintendência da PF em São Luís para comparar com as crianças encontradas.
Até agora, nenhuma autoridade dos EUA ou a Interpol confirmou se as crianças maranhenses estão entre as resgatadas. A PF também não confirmou. Os irmãos foram vistos pela última vez em 4 de janeiro, no Quilombo São Sebastião dos Pretos, quando foram brincar em uma área de mata. Não há suspeitos divulgados.
O caso de Bacabal não é isolado. A família de Edson Davi Silva Almeida, que desapareceu na praia da Barra da Tijuca, no Rio, em janeiro de 2024, também foi contactada pela Interpol. A mãe, Marize Araújo, esteve na sede da PF no Rio nesta quarta para dar informações. Edson Davi tinha 6 anos; a Polícia Civil acredita em afogamento, mas a família contesta.
Enquanto a Interpol não decide, resta acompanhar os desdobramentos. Para as famílias, a Difusão Amarela amplia a busca para 196 países, mas a confirmação depende de exames e do aval da organização.