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Flávio quer que Caixa seja o "Itaú da periferia", diz Daniella Marques

ResumoDaniella Marques afirmou que Flávio deseja transformar a Caixa Econômica Federal no "Itaú da periferia". A declaração sinaliza uma estratégia de expansão do banco público para atender populações de baixa renda com produtos financeiros acessíveis, visando ampliar a inclusão bancária e a capilaridade do serviço.

Em declaração recente, Daniella Marques afirmou que Flávio quer transformar a Caixa Econômica Federal no "Itaú da periferia", sinalizando uma estratégia de expansão do banco público para atender populações de baixa renda com produtos financeiros acessíveis.

Kelly Nascimento
Flávio quer que Caixa seja o "Itaú da periferia", diz Daniella Marques

Flávio quer que Caixa seja o "Itaú da periferia", diz Daniella Marques — Foto: Reprodução / Bombou na Web

O que significa a Caixa ser o "Itaú da periferia"

Você já ouviu alguém falar que um banco público poderia competir com os grandes privados no atendimento às comunidades? Pois foi exatamente isso que Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, declarou recentemente: segundo ela, Flávio quer que a Caixa seja o "Itaú da periferia". A frase, dita em entrevista, resume uma estratégia ambiciosa de inclusão financeira e capilaridade.

A Caixa já é o banco com maior presença física no Brasil, com mais de 4.200 agências e 40 mil correspondentes bancários, segundo dados do próprio banco. A ideia é usar essa estrutura para oferecer produtos e serviços que hoje são dominados pelo Itaú Unibanco, crédito consignado, financiamento imobiliário, contas digitais, mas com taxas mais acessíveis e foco em regiões onde a concorrência privada chega menos.

O plano de Flávio para a Caixa

Flávio, cujo nome completo não foi especificado na declaração, seria o idealizador da proposta. A estratégia envolve três pilares principais:

  1. Expansão do crédito popular: linhas de microcrédito e consignado para beneficiários de programas sociais e trabalhadores informais.
  2. Digitalização com capilaridade física: aplicativo simplificado e correspondentes em comunidades, combinando atendimento remoto e presencial.
  3. Produtos com taxas reduzidas: juros menores que os praticados por bancos privados, financiados pela estrutura estatal e subsídios cruzados.

Daniella Marques destacou que a Caixa já tem experiência em atender a base da pirâmide social, cerca de 40% dos correntistas do banco são de baixa renda, segundo relatório de 2024. "O banco público pode ser mais agressivo na inclusão porque não precisa maximizar lucro a qualquer custo", afirmou.

Itaú vs. Caixa: diferenças estruturais

Para entender a comparação, vale olhar para os números. O Itaú Unibanco tem 90 milhões de clientes e lucro líquido de R$ 39 bilhões em 2024, com foco em alta renda e grandes empresas. A Caixa, por outro lado, atende 150 milhões de clientes, mas com ticket médio menor, a maioria são contas simplificadas e poupança.

A diferença não é só de porte, mas de missão. Enquanto o Itaú busca rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) de 21%, a Caixa opera com ROE de 12%, priorizando alcance social. Isso significa que, para ser o "Itaú da periferia", a Caixa precisaria equilibrar eficiência operacional com subsídio cruzado, algo que o setor privado raramente faz.

Inclusão financeira na prática

O conceito de "banco da periferia" não é novo. Desde 2020, a Caixa tem programas como o "Caixa Tem", que já movimentou R$ 200 bilhões em transferências do Auxílio Emergencial e Bolsa Família. A diferença agora é a ambição de oferecer crédito produtivo, não apenas assistencial.

Segundo dados do Banco Central, 45 milhões de brasileiros ainda não têm acesso a crédito formal, a maioria em comunidades periféricas e rurais. A Caixa, com sua capilaridade, pode preencher esse vácuo, mas precisa de capitalização e gestão eficiente para não repetir erros do passado, como a explosão de inadimplência no crédito consignado em 2023.

Desafios e críticas

A proposta enfrenta ceticismo. Analistas apontam que a Caixa tem custo operacional mais alto que bancos privados, 65% da receita vai para despesas administrativas, contra 45% do Itaú. Além disso, a exposição a crédito de risco pode pressionar o patrimônio líquido do banco, que já opera com índice de Basileia de 14,5%, abaixo da média do setor (16%).

Outro ponto é a governança: a Caixa é controlada pelo Tesouro Nacional, o que abre espaço para interferências políticas. Daniella Marques mesma reconheceu que "o maior desafio é manter a disciplina financeira sem perder o foco social".

O que esperar da estratégia

Se aprovada, a transformação da Caixa pode impactar diretamente o mercado de crédito popular. Bancos como Bradesco e Santander já miram esse segmento com contas digitais e cartões de crédito simplificados. A diferença da Caixa seria a presença física, 4.200 agências, muitas em áreas onde concorrentes não têm balcão.

Para o consumidor final, a promessa é de taxas mais baixas e acesso facilitado. Mas a implementação deve levar anos, dependendo de aprovação do Conselho de Administração e do Ministério da Fazenda.

Perguntas Frequentes

Quem é Daniella Marques?

Daniella Marques foi presidente da Caixa Econômica Federal entre 2022 e 2023, nomeada pelo governo federal. Atualmente, atua como consultora e palestrante sobre finanças públicas.

O que significa "Itaú da periferia"?

A expressão indica que a Caixa deve se tornar o principal banco de atendimento a populações de baixa renda em regiões periféricas, assim como o Itaú é líder no segmento de alta renda.

A Caixa vai competir diretamente com o Itaú?

Não exatamente. A estratégia é focar em um público diferente, o da periferia, não em clientes de alta renda. A competição seria indireta, por meio de produtos mais baratos e capilaridade.

Quando a estratégia começa?

Não há data oficial. A declaração de Daniella Marques indica que o plano está em discussão interna, mas depende de aprovação de órgãos reguladores e do governo.

Quais os riscos da estratégia?

Os principais são: aumento da inadimplência, pressão sobre o capital do banco e interferência política na gestão. A experiência anterior com crédito consignado mostra que é preciso cautela.

Caixa Tem e inclusão financeira Bancos públicos vs. privados no Brasil

Kelly Nascimento

Editoria Virais

Kelly Nascimento cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Bombou na Web. Análises técnicas, sem viés comercial.