O que leva um réu confesso a mudar sua versão em pleno julgamento? No caso Nery, a resposta pode estar em um churrasco e uma proposta de R$ 200 mil.
No julgamento do caso Nery, o réu confesso declarou que matou o advogado em Mato Grosso após um policial militar falar sobre um churrasco e mencionar que recebeu uma proposta de R$ 200 mil. A defesa alega que o réu agiu sob coação, enquanto a acusação busca provar premeditação.
A tese do réu: coação e proposta
O réu, em depoimento, afirmou que não agiu sozinho. Segundo ele, um policial militar teria iniciado a conversa sobre o crime durante um churrasco. "O PM falou que recebeu uma proposta de R$ 200 mil para matar o advogado", declarou o acusado, em transcrição do interrogatório. A defesa sustenta que o réu foi coagido a participar, sem autonomia para recusar.
A promotoria, no entanto, contesta. Para o Ministério Público de Mato Grosso, o réu teve participação ativa e planejada no homicídio. "Não há evidências de coação que justifiquem a ação", afirmou o promotor durante a sustentação oral.
O papel do policial militar
A menção ao policial militar no depoimento levantou suspeitas sobre uma possível participação de agentes de segurança no crime. A PM de Mato Grosso informou, em nota, que abriu investigação interna para apurar o envolvimento mencionado. Até o momento, nenhum PM foi formalmente acusado.
O advogado de defesa questionou: "Se o PM recebeu a proposta, por que não denunciou?" A pergunta, até agora, não teve resposta oficial.
A vítima e o contexto do crime
O advogado assassinado atuava em causas de alta complexidade na região de Cuiabá. Colegas de profissão descreveram o profissional como "dedicado e sem inimigos declarados". A OAB de Mato Grosso emitiu nota de pesar e acompanha o julgamento de perto.
O crime ocorreu em via pública, com uso de arma de fogo. A perícia confirmou que os disparos foram feitos a curta distância, o que indica execução.
Contraponto: fragilidades na versão do réu
A acusação aponta contradições. O réu, inicialmente, negou participação. Só depois de confrontado com provas de DNA e imagens de câmeras de segurança, confessou. "A confissão veio tarde e com detalhes convenientes", argumentou o promotor.
A defesa rebate: "Meu cliente estava sob ameaça. A confissão inicial foi forçada pela situação". A tese de coação, no entanto, não foi corroborada por testemunhas independentes.
O que ainda falta provar
O julgamento, que começou na segunda-feira, deve se estender por mais dois dias. O tribunal aguarda o depoimento de mais três testemunhas de defesa. Entre os pontos não esclarecidos, estão: quem fez a proposta de R$ 200 mil ao PM e por que o advogado era alvo.
O caso Nery levanta questões sobre a relação entre crime organizado e forças de segurança. A resposta, por enquanto, está nos autos do processo.
Perguntas Frequentes
O réu confessou o crime?
Sim, o réu é confesso, mas alega que agiu sob coação após um PM falar sobre um churrasco e uma proposta de R$ 200 mil.
Qual o papel do policial militar no caso?
O PM teria mencionado que recebeu uma proposta de R$ 200 mil para matar o advogado. A PM de MT investiga o envolvimento.
A vítima tinha inimigos?
Segundo a OAB de MT, o advogado não tinha inimigos declarados. A motivação do crime ainda é desconhecida.
Quanto tempo dura o julgamento?
O julgamento começou na segunda-feira e deve durar três dias, com depoimentos de testemunhas de defesa.
O que falta esclarecer?
A identidade de quem propôs o pagamento ao PM e a motivação exata do crime ainda não foram esclarecidas.